Parmenides

Parmenides

Heráclito
Heráclito

A Cultura ocidental está sobre a influência do “orfismo”, que contém muitos mitos para explicar a cosmogonia, é um período de politeísmo antropomórfico. E, nesta passagem desse fundo religioso (logos do discurso mítico) para a elaboração de um pensamento racional (logos do discurso raciocinado), tem-se o logos (palavra). Neste “Momento” (alguns séculos), a “admiração (thauma) se desloca dos mitos para o que a razão pode oferecer, os primeiros filósofos, ainda presos a physis (natureza de todas as coisas), mas com pensamento voltado para a arché (princípio, de onde algo surge e impera), começam a esquecer os deuses e procuram com explicações meramente racionais encontrar suas respostas, mas esta ruptura se dá lentamente, face a existência de muitos deuses na pólis.

 Com a força da razão, surge o problema: O que é… o mundo? …Assim? …Isto? É a procura pela quididade da coisa (essência). Surge a “problemática do ser”, com a pergunta o “que é isto”? A resposta “isto é”, onde o “verbo ser” aparece no interior da própria questão e faz-se necessário conhecer a significação deste “é”. Assim, se afirma que “o ser se dá no logos” (discurso, linguagem). Como conseqüência o estudo do “ser” chama-se “ontologia” (to òn + logos) = ser + episteme (conhecimento rigoroso).

Surge a valorização da palavra, que é chave de toda autoridade e meio de comando e de domínio sobre o outro, com ela têm-se a força do convencimento. Desta valorização da palavra, destacamos: 1) publicidade, pois as manifestações mais importantes da vida social adquirem caráter público, aquilo que era secreto, torna-se conhecido a todos e 2) Isonomia, que é o sentimento de igualdade entre os cidadãos.

Heráclito: Mais importante filósofo da Jônia, escrevia de forma hermética (confusa), por isso recebeu o apelido de “o obscuro”. Considerado o filósofo do devir, do vir a ser, do movimento. Para ele a verdade encontra-se no devir e não no ser. Em seu pensamento, destacamos: a) Toda a realidade é dotada de realismo, tudo se “modifica”, tudo “flui”. “O ser é e não é ao mesmo tempo”; b) A força dos opostos: as coisas também estão em perene oposição, onde o conflito é positivo (frio x quente, noite x dia, vida e morte); c) Síntese dos opostos: o conflito entre todas as coisas revela-se como fonte de harmonia; d) O Deus: A harmonia dos opostos tem um princípio que está acima deles, que é o fogo, elemento unificador, o fogo é o paradigma da perene mutação.

Parmênides: de Eléia, que redigiu a constituição de sua cidade, nega o devir (movimento) e afirma o “ser”: “é necessário afirmar e pensar que o ser é”. Nega os opostos e afirma um único ser indiferenciado (considera impossível a passagem do não-ser para o ser ou vice-versa) e eterno (do nada não pode brotar o ser). Enuncia o “princípio da não contradição”: “uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo”. Identifica o ser com o pensar: “o pensamento é ser”; “É uma e a mesma coisa o pensar e aquilo por força do qual há pensamento”. Além do caminho da verdade (fundado no intelecto), há o caminho da opinião (que se funda nos sentidos).