“Todo o homem que for dotado de espírito filosófico há de ter o pressentimento de que, atrás da realidade em que existimos e vivemos, se esconde outra muito diferente, e que, por consequência, a primeira não passa de uma aparição da segunda” (Nietzsche, F., Origem da Tragédia, Trad. de A. Ribeiro, Lisboa 1972, p.37).

Quando a realidade começa a desocultar-se, o pensamento que a recolher no seu desvelamento por certo soçobra. O espetáculo é tão extraordinário. Nasce daí não tanto um falar, mas um calar, não tanto um saber, mas uma amizade com a realidade.

Considero esta colocação de Nietzsche, fantástica e espontaneamente espiritual, pois nos aponta o além da realidade, e quem, consegue esta caminhada sacia e satisfaz a alma.

Conforme os comentários do Pe. Géza Kövecses,SJ ao EE,2 nos diz: “Os Exercícios Espirituais são, no seu conjunto orgânico, uma PEDAGOCIA SOBRENATURAL, na qual o ESPÍRITO SANTO INSTRUI, MOVE, ROBUSTECE o exercitante orientando-o para uma vida divina cada vez mais pujante. O CRESCIMENTO DA GRAÇA ultrapassa absolutamente as exigências e forças naturais do homem: NEM A INTELIGÊNCIA, NEM A VONTADE, PELO SEU PRÓPRIO ESFORÇO PODEM LEVANTAR O EXERCITANTE À ESFERA LUMINOSA DA GRAÇA. SÓ O ESPÍRITO SANTO É CAPAZ DE INTRODUZÍ-LO NA COMUNHÃO DE DEUS VIVO, PELA INSERÇÃO PROGRESSIVA EM JESUS CRISTO, COMUNICANDO-LHE, CONSEQUENTEMENTE, UMA SATISFAÇÃO INTERNA ESPIRITUAL”. (Gál 4,6; Rm 8,15-16).

Por isso, achamos que o estudo sério dos Exercícios Espirituais pressupõe reflexão teológica sólida sobre a ação do Espírito Santo na alma humana; isto é, além da Eclesiologia e da Cristologia, é preciso conhecer em profundidade a PNEUMATOLOGIA.