Flores do Jardim do Santuário de Bahai, próximo ao Monte Carmelo - Haifa (Israel)

Flores do Jardim do Santuário de Bahai, próximo ao Monte Carmelo – Haifa (Israel)

Em visita ao Egito e a Terra Santa, em julho de 2009, conheci alguém, que como eu, estava só e em Deus. Tudo era novo: os lugares, o clima, a paisagem. Experimentávamos, o contato real, que admitia a nossa fé.

Em certo momento, convidei a amiga Maria Helena, a cantar comigo a Oração de Santo Inácio de Loyola e fazíamos como uma novena, pois 31 de julho, o dia de nossa volta era o dia que a Igreja festeja a memória do Santo.

Foi bonito, contemplativo, tendo seu ponto alto na Igreja de Sant’Ana (Jerusalém) com uma acústica formidável, onde pudemos cantar, rezar mais uma vez a Oração de Inácio, onde outros vieram e tendo a frente Jesus Sacramentado, pedíamos ao Senhor que tomasse e recebesse toda a nossa liberdade, memória, entendimento e vontade. E, agradecidos louváva-mos ao Senhor por tudo o que temos e possuimos, foi Ele, o Senhor que nos deu pelo Seu Amor.

Deste modo, agradecíamos os dons que D’Ele recebemos e estávamos ali, em cada oração, com gratidão devolvendo os dons recebidos e pedia a Jesus que dispusesse deles segundo a Sua vontade e não a nossa.

E pedíamos, como Inácio, fizera um dia. “Dai-me somente, o vosso amor, a vossa graça. Isso nos basta, nada mais queremos pedir“. Concluíamos a nossa oração, com um Pai Nosso e uma Ave Maria. E assim, passamos pela Terra Santa.

Faço questão de registrar a amizade, pois conversávamos sobre Música Clássica, Poesia e Flores. E como devíamos trabalhar em nossas vidas a Contemplação. Em Nazareth, ficamos até tarde degustando um bom vinho da Galiléia.

Em um determinado momento da viagem, parei para escutar a poesia “Contemplem as coisas” de Maria Alice Penna, declamada, na ponta da língua, de cor (coração) pela amiga Maria Helena. Confesso, que fiquei intrigado. Eu, gastando meu latim, para explicar o que era contemplação. Ela, a amiga, fazia soar em meus ouvidos, através de uma poesia, algo melhor que eu poderia explicar. Aprendi mais uma. 

Segue abaixo a poesia “contemplem as coisas“, que a amiga Maria Helena, em um momento de nossa oração, na Terra Santa, me passou. Que Deus a abençoe amiga!

Vocês que são inteligentes,
Saberão distinguir, observar
A imensa diferença que separa
Esses dois verbos “ver” e “contemplar”?

Ver é a ação mecânica dos olhos
Focalizando a vista, é enxergar,
Contemplar, entretanto é ação da alma
Que se esforça por tudo registrar.

Quem, apenas enxerga, vê por alto,
Não está empenhado em observar
Conhece as coisas só pela metade,
Nunca será capaz de analisar.

Quem, ao contrário,se concentra a fundo
Na difícil ação de contemplar
Percebe coisas que aos demais escapam
Aprende tudo o que a vida ensinar

Experimentem contemplar as coisas,
Penetrar-lhes o intimo sentido,
Exercitando a alma e a inteligência
Em perceber-lhe todo o colorido!

Se assim fizerem, isto eu lhes garanto,
Fontes de encanto brotarão da terra,
E então compreenderão, mudos de espanto,
Toda pujança que esta vida encerra!

Todo universo é ordem e beleza
Que se oferece a essa contemplação
Respeitemos a força e a profundeza
Do mistério sem par da Criação
!