anjo-acordando-o-profeta-elias3Introdução da Monografia, apresentada no Instituto Superior de Ciências Religiosas, da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em setembro de 2007.

A Força da Eucaristia nos primórdios, conforme o alimento do profeta Elias, em 1Rs 19,4-10, é o tema que nos propomos a estudar e que serve de estímulo à caminhada do Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão (MESC). Em cada doente que visita, recai sobre si a importância de ser o portador deste alimento, fazendo por vezes, de modo imerecido, o papel do anjo que interpela o profeta junto ao junípero[1]: “levanta-te e come!”, pois o caminho é longo, acrescentamos, até a casa do Pai. Este é o conforto e quando o MESC sai desse encontro pessoal, reflete sobre a miséria humana: “não somos nada, mas podemos ser tudo com a Força da Eucaristia, que nos faz caminhar, assim como fez com o profeta”. Esta é uma leitura da Força da Eucaristia, a partir do trecho do primeiro livro dos Reis que serve a outras tantas situações que percebemos nos dias de hoje.

Partindo do profeta Elias em seu tempo, percorreremos até o momento em que ele se alimenta do pão oferecido pelo anjo (1Rs 19,4-10). E, a partir desse alimento verdadeiro, o vigor do profeta será renovado, sendo prenuncio da “Força da Eucaristia”, o mesmo alimento que recebemos em cada celebração eucarística, para dar sentido a nossa Missão.

Nosso objetivo, portanto, será demonstrar por que não devemos desanimar. As pessoas, não raro, estão desanimadas, intranqüilas, com diversos problemas e há um caminho a seguir. Gratuitamente este dom é multiplicado a cada domingo como uma força capaz de animar quem está desanimado, deixar em paz aquele que está intranqüilo. Deste modo, como animar o homem de hoje para a importância do alimento eucarístico? Como mostrar ao homem de hoje “saber reconhecer o chamado de Deus na sua vida?” e como ele, após esta comunhão com Deus pode realizar maravilhas?

À luz da mudança realizada por Deus, através do alimento, na vida do profeta Elias é possível uma mudança radical em nossas vidas a partir da participação, em estado de graça, da comunhão eucarística.

Para o desenvolvimento desta nossa reflexão, no primeiro momento, será dado um enfoque bíblico sobre o tempo histórico do profeta Elias e sobre o próprio profeta e seus prodígios: a previsão da seca; como ele é alimentado pelos corvos; a multiplicação da farinha e do óleo e a ressurreição do filho da viúva. Depois de tudo, o profeta é obrigado a fugir e sente a dor, o medo e a incerteza, apresentando-se, desta forma, como estava o profeta antes do alimento verdadeiro. No segundo momento, em um aspecto bíblico-litúrgico deparamos com o chamado de Deus, onde o profeta, ainda sem entender, tem, como nós, que comer para viver. Depois, a insistência do anjo de Deus e a resposta de Elias, dando provas de que vale à pena se alimentar daquele pão. No terceiro momento, após a caminhada e o encontro com Deus no Horeb, vemos o vigor renovado no profeta e o texto nos apontando o Pão da Vida Verdadeiro, útil ao profeta e a cada um de nós. Caminhando agora apoiados em aspectos litúrgicos-pneumatológicos, apresentamos a “força” que promana da Eucaristia. Ou seja, o mesmo Espírito de Deus, que se faz alimento, para dar vigor ao profeta é o mesmo Espírito que nos impele à Missão.

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[1] O junípero é um pinheiro nativo do norte da Europa, de regiões bem frias. É uma arbórea de pequeno porte, de tronco ereto e rígido. Suas folhas são de coloração verde escuro, formando uma escama, parecida com as folhas da araucária. Seus frutos são verdes inicialmente, e à medida que vai amadurecendo vai se modificando para uma coloração anil, chegando até a cor preta.