sacramentosSão João alude com freqüência a diversas festas judaicas, especialmente a da Páscoa, conforme textos a seguir. O Evangelista pelo menos quatro vezes fala deste grande dia. Já os Sinóticos, só a mencionam uma vez, quando se referem à Páscoa que Jesus morre.

Jo 2,13.23: “Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no seu nome, à vista dos milagres que fazia”.

Jo 5,1: “Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém”.

Jo 6,4: “Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus”.

Jo 12,1: “Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara”.

O Evangelho de João refere a misteriosa e profunda relação do próprio corpo do Senhor com o Templo de Jerusalém, que era figura da presença de Deus entre os homens cf. Jo  2,19: “Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias”.

No Apocalipse diz-se que na Jerusalém celeste não haverá Templo, pois o próprio Cordeiro de Deus será o Templo, Jesus Cristo, triunfante para sempre, cf. Ap 21,22: “Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor Deus Dominador é o seu templo, assim como o Cordeiro”.

Todas estas festas eram o prelúdio das festas cristãs, e a Antiga Páscoa é substituída por uma Nova em que Cristo é a vítima perfeita que nos alcança a Redenção. São João insinua a importância da vida litúrgica para a santificação dos homens através de Cristo, nossa Páscoa.

O Evangelista passa do sensível para o espiritual; descobre que por detrás dos fatos que o Senhor realiza há umas realidades salvíficas sobrenaturais, e que através da humanidade de Cristo se manifestam os esplendores da Sua Divindade. Tudo isso está intimamente relacionado com o princípio básico da teologia sacramental: o valor dos elementos naturais, visíveis e materiais, como instrumentos para significar e produzir, por Vontade divina, a graça invisível, a santificação da alma.

Em sentido amplo pode dizer-se que Cristo é o Sacramento do Pai.

Dos sete Sacramentos São João refere-se de maneira explícita ao Batismo, Eucaristia e Penitência. Da Confirmação, Matrimônio e Ordem, fala também, ainda que não de modo direto.

Relativamente à Confirmação recolhe a promessa de Jesus de enviar o Espírito Santo aos Apóstolos, cf. Jo 16,13: “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão”.

Matrimônio: Bodas de Caná (Jo 2,1-11). Pode afirmar-se que neste fato há uma clara ressonância dessas núpcias de Cristo com a Igreja, que os Profetas anunciaram desde tempos antigos, cf. Is 54,4-8: “Nada temas, não serás desapontada. Não te sintas perturbada, não terás do que te envergonhar, porque vais esquecer-te da vileza de tua mocidade. Já não te lembrarás do opróbrio de tua viuvez, pois teu esposo é o teu Criador: chama-se o Senhor dos exércitos; teu Redentor é o Santo de Israel: chama-se o Deus de toda a terra. Como uma mulher abandonada e aflita, eu te chamo. Pode-se repudiar uma mulher desposada na juventude? – diz o Senhor teu Deus. Por um momento eu te havia abandonado, mas com profunda afeição eu te recebo de novo. Num acesso de cólera volvi de ti minha face. Mas no meu eterno amor, tenho compaixão de ti”.

O grande Sacramento, conforme São Paulo afirma, referindo-se a Jesus Cristo como esposo da Igreja. Ef 5,27: “para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível”.

São João fala no Apocalipse das bodas do Cordeiro, e da nova Esposa, a nova Jerusalém, cf. Ap, 21,2: “Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo”.

Quanto à Ordem, em que o Senhor intercede como Sumo Sacerdote diante do Pai Eterno cf. Jo 17,19: “Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade”.

Batismo, a conversa com Nicodemos, em Jo 3,1-21, é considerada como uma verdadeira catequese batismal: é preciso nascer de novo da água e do Espírito para poder entrar no Reino dos Céus. Também, desta vida nova que é infundida com o Batismo fala São Paulo em Rm, 6. Ainda, o episódio da piscina de Betesda, cf. Jo 5 é onde os neófitos, ao saírem da água, uma vez pronunciada a fórmula batismal, ficavam limpos de todo o pecado, renascidos pela vida da Graça.

O capítulo sexto é praticamente dedicado à Eucaristia. O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, serve a Jesus para expor com amplitude a doutrina sobre o Pão da Vida, o Pão descido do Céu, que dá a vida eterna, cf. Jo 6,53: “Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos”.

Não se pode falar com mais realismo do sacrifício de Jesus Cristo, o qual, depois de morrer na cruz de forma cruenta, Se nos entrega de modo incruento como alimento da alma na Eucaristia e nos leva à mais alta intimidade com Deus.

Do Sacramento da penitência fala quando o Senhor ressuscitado aparece aos apóstolos no Cenáculo. Jo 20,21-23: “Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.