Ninguém te ama, como eu…

Para nosso entendimento, é bom lembrar que a iniciativa, do amor, será sempre de Deus e nunca do homem. É Deus que nos ama primeiro, cf. Jo 1,11: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. E, cf. Jo 3,16: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. Deste modo, o amor supremo culmina no Sacrifício da Cruz. Deus deteve o braço de Abraão quando estava a ponto de sacrificar o seu único filho, mas não detém o braço daqueles que cravam o Filho Unigênito na cruz. Por isso exclama São Paulo, cf. Rom 8,32: “Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas que por todos nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?

Diante de tal amor de Deus, o homem sente-se obrigado a corresponder, a viver essa grande verdade de que “amor com amor se paga”. No A.T., podemos verificar em Gen 1,27: “E, aproximando-se Jacó para lhe dar um beijo, Isaac sentiu o perfume de suas vestes, e o abençoou nestes termos. Sim. o odor de meu filho é como o odor de um campo que o Senhor abençoou”. Deste modo, nos diz o Evangelista, 1Jo 4,8: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”.

Devido a este amor gratuito de Deus, como resposta, entendemos que o coração do homem foi feito para amar, e quanto mais ama, mais se identifica com Deus; só quando ama pode ser feliz. Deus quer-nos felizes, também aqui na terra. Por isso o Seu mandamento é o do amor. O apóstolo mostra, pois, o ensinamento de Jesus sobre a caridade de modo profundo cf. At 1,1: “Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda a seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus”. Sendo a maior prova do amor: a fidelidade, a lealdade, a adesão sem condições à Vontade de Deus, cf Jo 4,34: “Disse-lhes Jesus: Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra”. E, Jesus, nos incentiva: cf. Jo 14,31: “O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui”.

Esse amor supremo leva-O a amar também o mundo e os homens, cf. Jo 3,16: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. E, Jesus, continua falando do amor, mostrando que é o Caminho para acesso ao Pai, quando afirma que nem se pode amar um pai sem amar também os filhos, cf. Jo 3,3: “Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus”. E continua, se o Pai ama o mundo e os homens, também Jesus os ama. Esse amor é que O leva até a morte. Ele ama o Pai, acrescenta, cf. Jo 14,31: “O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui”. E, com estas palavras mostra-nos a Sua decidida entrega, já que aonde vai é o Getsemani, a enfrentar-Se com a paixão e Morte cf. Jo 10,11: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas”. E, com razão afirma, cf. Jo 15,13: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos”.

São João explica, cf. Jo 13,1: “Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou”.

Em outro momento, o Evangelista, põe em realce de modo especial em Jesus esse traço tão divino e tão humano que é o amor.  Assim vemos como amava o Seu amigo Lázaro, Marta e Maria, cf Jo 11,5: “Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro”. Quando o seu amigo morre, Jesus chega até ao túmulo sem poder reprimir os soluços e as lágrimas. Ao vê-lo, a gente compreende a profundidade do Seu amor, cf. Jo 11,33.35: “Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, Jesus pôs-se a chorar”. Jesus, dá o exemplo, cf. Jo 13,15: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós”.

Aos Apóstolos que corresponderam a esse amor, Ele diz: cf. Jo 16,27: “Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus”.  Alguns discípulos fazem protestos do seu amor, quando Jesus Cristo lhes anuncia a traição, cf. Jo 13,37: “Pedro tornou a perguntar: Senhor, por que te não posso seguir agora? Darei a minha vida por ti”! Desta forma, correspondiam a seu modo ao amor de Cristo; mas o Senhor adverte-os de que só o que cumpre os mandamentos é que de verdade O ama, cf. Jo14,21: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele”.

Uma outra vez lhes diz: cf. Jo 15,9-10: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor”. Além disso, há o segundo mandamento, que é semelhante ao primeiro, cf. Jo 15,12: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo”.

Por três vezes na última Ceia, dá o Senhor o preceito da Caridade, cf. Jo 13,34: “Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”. Esta será a nota peculiar do verdadeiro discípulo, a que distingue o cristão: “Só a caridade é que distingue os filhos de Deus dos filhos do diabo. Ainda que todos se persignem com o sinal da Cruz, ainda que todos digam Amém, ainda que todos cantem Aleluia, ainda que entrem na Igreja, ainda que construam basílicas, não se distinguirão os filhos de Deus dos filhos do diabo senão pela caridade. Os que têm amor nasceram de Deus, os que não o têm, não. Grande juízo, grande discernimento..!, esta é a pérola preciosa”. E, cf. Mt 13,45-46: O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.

O amor é a raiz da unidade que Jesus pede na oração final daquela noite, sempre lembrada, cf. Jo17,23: “eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim”. E, só através da caridade brilhará o sinal da Redenção, cf. Jo 17,21: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste”.

Desta forma, Deus quer para nós o melhor, o que conduz à nossa felicidade, á alegria. Por isto precisamente nos impõe a lei da caridade. Também na última ceia o Mestre ensina o sentido da alegria, cf. Jo 14,28: “Ouvistes que eu vos disse: Vou e volto a vós. Se me amardes, certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é maior do que eu”. 

Depois de lhes falar da perseverança no Seu amor e da fidelidade que Lhe hão de guardar, assegura-Lhes que lhes diz tudo isso para que a Sua própria alegria esteja também neles, cf. Jo 15,11: “Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa”. Assim, Jesus não oculta as dificuldades que os esperam; não obstante, assevera-lhes que essa tristeza se transformará em gozo, cf. Jo 16,22: “Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria”.

O regresso de Jesus ressuscitado enche-os de esperança e de alegria. As palavras do Senhor, incompreensíveis à primeira vista, cumprem-se plenamente, cf. At 5,40s: “Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes então que não pregassem mais em nome de Jesus, e os soltaram. Eles saíram da sala do Grande Conselho, cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus”.

A caridade, portanto, leva consigo a alegria perfeita cf. Jo 16,24: “Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita”.