Jesus virá de novo?

Jesus virá de novo, mas desta vez com glória, para julgar os vivos e os mortos, cada um segundo os seus méritos. (cf. Mt 25,31-46).

No final deste nosso Curso de Iniciação Cristã, somos lembrados da importância de sermos membros atuantes, pois cremos na ressurreição da carne, e na vida eterna, conforme proclamamos a cada celebração que participamos, quando rezamos a oração do Credo. Deste modo, iremos conversar sobre os últimos acontecimentos que irão acontecer: a morte, o juízo, o inferno, purgatório e o céu, conforme a nossa fé.

Quando falamos em ressurreição da carne, queremos lembrar que nós homens (mulheres), somos limitados, ficamos doentes, envelhecemos e morremos. Mas cremos que Deus é o criador da carne, cremos na sua ressurreição e na sua redenção. Isto significa que o estado definitivo do homem(mulher) não será só a alma espiritual separada do corpo, mas também que os nossos corpos mortais um dia retomarão a vida.

Acreditamos na ressurreição da carne por causa da ressurreição de Cristo. Como Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos e vive para sempre, assim Ele próprio nos ressuscitará a todos no último dia, com um corpo incorruptível: “os que tiverem feito o bem para uma ressurreição de vida, e os que tiverem feito o mal para uma ressurreição de condenação”.

Com a morte, separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção, enquanto a alma, que é imortal, vai ao encontro do Julgamento divino e espera reunir-se ao corpo quando este, transformado, ressuscitar no regresso do Senhor. Compreender como acontecerá a ressurreição supera as possibilidades da nossa imaginação e do nosso entendimento.

Para nós cristãos, devemos morrer em Cristo, ou seja, morrer na graça de Deus, sem pecado mortal. O que crê em Cristo e segue o Seu exemplo pode assim transformar a própria morte num ato de obediência e de amor ao Pai. “É certa esta palavra: se morrermos com Ele, também com Ele viveremos”. (2 Tim 2,11).

Eu creio na Vida Eterna: A vida eterna é a que se iniciará imediatamente após a morte. Ela não terá fim. Será precedida para cada um por um juízo particular realizado por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos, e será confirmada pelo juízo final.

O Juízo Particular é o julgamento de retribuição imediata, que cada um, a partir da morte, recebe de Deus na sua alma imortal, em relação à sua fé e às suas obras. Tal retribuição consiste no acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação (purgatório), ou então à condenação eterna no inferno.

Céu: é o estado de felicidade suprema e definitiva. Os que morrem na graça de Deus e não precisam de ulterior purificação são reunidos à volta de Jesus e de Maria, dos anjos e dos santos. Formam assim a Igreja do céu, onde vêem Deus “face a face” (1Cor 13,12), vivem em comunhão de amor com a Santíssima Trindade e intercedem por nós.

Purgatório: é o estado dos que morrem na amizade de Deus, mas, embora seguros da sua salvação eterna, precisam ainda de purificação para entrar na alegria de Deus.

Mas, podemos ajudar a purificação das almas do purgatório, devido a comunhão dos santos, os fiéis ainda peregrinos na terra podem ajudar as almas do purgatório oferecendo as suas orações de sufrágio, em particular o Sacrifício eucarístico, mas também esmolas, indulgências e obras de penitência.

Inferno: Consiste na condenação eterna daqueles que, por escolha livre, morrem em pecado mortal. A pena principal do inferno é a eterna separação de Deus, o único em quem o homem encontra a vida e a felicidade para que foi criado, e a que aspira. Cristo exprime esta realidade com as palavras: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (Mt 25, 41).

Mas, Deus, apesar de querer “que todos tenham modo de se arrepender” (2Pd 3,9), tendo criado o ser humano livre e responsável, respeita as suas decisões. Portanto, é a própria pessoa que, em plena autonomia, se exclui voluntariamente da comunhão com Deus se, até ao momento da própria morte, persiste no pecado mortal, recusando o amor misericordioso de Deus.

Mas, na Consumação dos Tempos, do qual só Deus conhece o dia e a hora, ocorrerá o Juízo final (universal), que consistirá na sentença de vida bem-aventurada ou de condenação eterna, que o Senhor Jesus, no seu regresso como juiz dos vivos e dos mortos, pronunciará em relação aos “justos e injustos” (At 24, 15), reunidos todos juntos diante d’Ele. A seguir a tal juízo final, o corpo ressuscitado participará na retribuição que a alma teve no juízo particular.

Depois do juízo final, o próprio universo, libertado da escravidão da corrupção, participará na glória de Cristo com a inauguração dos “novos céus e da nova terra” (2 Pd 3,13). Será assim alcançada a plenitude do Reino de Deus, ou seja a realização definitiva do desígnio salvífico de Deus de “recapitular em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra” (Ef 1,10). Deus será então “tudo em todos” (1 Cor 15,28), na vida eterna.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica