No pátio da igreja de São Pedro (Gallicantu) há uma estátua que descreve os eventos (cf. Mc 14) da negação de Jesus por Pedro, o galo (visto na parte superior), a empregada, e o soldado romano. As leituras de inscrição a partir de Lucas 22, 57: "Mas ele negou, dizendo: Mulher, não o conheço".

 

Foi apresentada a caminhada de São Pedro, para mostrar aos catecúmenos a experiência das fraquezas e virtudes de um discípulo, que conviveu com Jesus. 

Começamos mostrando que para seguir Jesus, se requer um treinamento de formação. Formação para a vida em suas várias dimensões. Então fizemos a seguinte pergunta: – Será que temos clareza em nossa caminhada, ou ainda este chamado de Deus é algo muito distante. 

Precisamos criar um modo: de termos a visão,  de ser discípulo de Jesus em sua totalidade, para entendermos e desejá-lo em nossos corações. Caso contrário, seremos um discipulado de cabeça e não de vida. 

Então, vamos caminhar com Pedro, um dos doze e verificar como foi o seu discipulado. Olhando a caminhada de Pedro para seguir o Mestre, teve que passar por um treinamento de várias fases. 

Vamos iniciar pela fase que consideramos mais importante e que deu a Pedro uma consciência do seu chamado e ao mesmo tempo motivação para ir adiante. 

1ª fase: Treinamento para o Amor 

Aprender a deixar-se amar. Este é o primeiro treinamento. Não se trata tanto de amar os outros, mas de se deixar amar. A medida que o discípulo se sente amado, ele será capaz de amar os outros. Podemos verificar em Jo 1,42: “Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)”. 

Esta foi a primeira lição de Jesus. Com certeza, aquele olhar de Jesus estava carregado de amor e, naquele momento, era todo para Simão Pedro. 

Depois Jesus completou – Jo 21,17: “Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”. 

Pedro já havia declarado seu amor, já havia se convencido do amor do mestre, e agora poderia levar este amor a outras pessoas. Só quem se sente amado pode dar amor. 

  

2ª fase: Treinamento para a Renúncia 

Em Mc 1,17: Jesus disse-lhes: “Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens”. Vemos aqui, Pedro, que aprende a trocar seus valores pelos de Jesus. O que verdadeiramente tem valor em sua vida? Se realmente ele encontrou a pérola preciosa, ou não. 

Três renúncias realizadas por Pedro, que representam os nossos principais apegos 

a) Mudança de nome: “Serás chamado Cefas 

O nome representava a missão da pessoa. Era o início da conscientização da missão, significava uma ruptura com o passado e uma mudança radical em sua vida. 

b) Mudança de profissão: “Eu vos farei pescadores de homens 

Ele continua sendo pescador, mas o que muda é o objetivo da pesca. A sua prioridade é pescar homens. 

c) Mudanças de valores 

Educá-lo segundo o pensamento de Deus e não segundo o pensamento dos homens. 

  

3ª fase: Treinamento para obter o pensamento de Cristo 

Jesus começava a levá-lo para algo maior, para a renúncia das próprias idéias, trocá-las pelas Suas. Podemos confirmar em Mt 16,23: “Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens! 

Jesus estava mostrando a Pedro a distância que havia entre o seu pensar e o dele. Trata-se de um processo educativo. 

Em 2Cor 3,5: “Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus”. – Esta é a frase decisiva no discipulado e, por isto, Jesus foi tão duro com Pedro. 

Podemos verificar também em Mt 17,1-4: “1Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. 2Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 3E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. 4Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o”. 

Pedro não entende o que estava acontecendo e queria armar uma tenda, mais uma vez estava pensando como homem e não com Deus. 

Pedro entendeu que este pensar de Cristo viria com o conhecimento e é este conselho que ele dá, vejamos em 2Pd 3,18: “Mas crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele a glória agora e eternamente”. 

Fica para nós este ensinamento: só teremos o pensamento de Cristo se o conhecermos. 

  

4ª fase: Treinamento para a obediência 

Podemos verificar no Evangelho de Lc 5,4: “Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar”. – Obediência só se treina obedecendo. 

A fé foi surgindo a partir da obediência à Palavra. Fé é fazer, confiando no resultado, que confirmamos no Evangelho de Mt 14,28-29: “28Pedro tomou a palavra e falou: Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti! 29Ele disse-lhe: Vem! Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus”. 

A obediência é uma das mais importantes características do discípulo. Sabia que quem obedece, recebe a graça? 

  

5ª fase: Treinamento para reconhecer as limitações 

Um sério problema que trazemos em nossa vida espiritual é o perigo do orgulho entrar em nossa vida. Não há nada pior na vida do cristão que o orgulho espiritual. Vejamos em Lc 22,31: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo”. 

É o perigo do orgulho, de achar que já sabemos tudo e temos resposta para tudo, que podemos confirmar em 1Pd 5,6-9: “6Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. 7Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. 8Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. 9Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós”. 

O discípulo precisa estar sempre atento para suas limitações; ter a humildade para reconhecer quando não tiver capacidades para enfrentar determinadas situações e não ter vergonha de pedir ajuda aos outros. 

Pedro, um discípulo que soube reconhecer seus erros, experimentou este processo formador. Foram muitas horas, na companhia de Jesus, de intimidade, e foi nestes momentos que Pedro foi se formando, conforme verificamos no Evangelho de Mt 17,1: “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha”. Foram momentos inesquecíveis para os três discípulos. Momentos de escutar a voz do Pai e vislumbrar a transfiguração de Jesus, mas também, momentos de suprema dor, como em Mt 26,37-38: “37E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo”. 

Assim é a vida do discípulo: acompanha Jesus até o Tabor, se alegra com ele e, depois, vai ao Getsêmani vigiar e sofrer com ele. 

Bibliografia:  

Texto elaborado por Eduardo Lopes Caridade