OITAVO MANDAMENTO: “Não apresentarás falso testemunho contra teu próximo”.(Ex 20,16; Mt 5,33)

“Não levantar falso testemunho”.

Observa a mentira e tudo que atende contra a fama e a honra do próximo.  Proíbe falsear a verdade nas relações com os outros; esta prescrição decorre da vocação do povo santo a ser testemunha de seu Deus que é e quer a verdade.

Viver a verdade: Os discípulos de Cristo “revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade” (Ef 4,24-32; Jo 14,6; 8,44; Mt 5,37; CEC 2465-70).

O cristão não deve “se envergonhar de dar testemunho de Nosso Senhor” (2Tm 1,8) em atos e palavras.  O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé. (CEC 2506).

Virtude da Veracidade: virtude que nos inclina a dizer sempre a verdade e a manifestar exteriormente tal como somos interiormente = adequação entre o que se pensa e o que se diz ou faz.  É a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar, fugindo da duplicidade, da simulação e da hipocrisia. (CEC 2505).

Falta de adequação:

  • Palavras = mentira.
  • Gestos = simulação.
  • Conjunto do comportamento = hipocrisia.

A virtude da prudência, entretanto, mostra-nos que, embora exista a verdade, ela tem a hora certa e a pessoa certa para sua divulgação.

Necessidade da Veracidade: Objetivo das palavras é a comunicação, expressão externa do pensamento, portanto, ao mentir viola-se a ordem natural das coisas imposta por Deus; o que é essencialmente mau.

Aquele que mente atua direta e conscientemente contra o que sabe ser verdadeiro e portanto, voluntariamente contra a própria consciência.

A convivência comunitária seria impossível se não houvesse confiança.

Nunca é licito violar diretamente a verdade.

Ofensas á verdade.  (CEC 2475):

mentira =  palavra ou sinal por que se dá a entender alguma coisa diferente daquilo que se pensa e com a intenção de enganar (CEC 2482-87).

2 aspectos principais: inadequação pensamento/exterior e intenção de enganar.

Princípios morais:

  • Nunca é lícito mentir (princípio fundamental) pois é intrinsecamente mau.
  • A malícia não consiste na falsidade das palavras mas no desacordo entre estas e o pensamento.
  • Para que haja mentira não é necessário que os outros sejam efetivamente enganados com o que falamos ou fazemos.
  • Não é lícito mentir nem para obter bons efeitos para terceiros.
  • A gravidade da mentira deve ser considerada não só em si mesma mas também pelas suas conseqüências.

 

Divisão da mentira: 

  • Jocosa – divertimento sem intenção de ofender ou prejudicar.
  • Oficiosa – favorecer pessoa, comunidade ou ideologia.
  • Prejudicial – caluniosa, visa atingir a imagem de alguém.

 

Pecados afins:          

  • Simulação – mentira não com palavras mas com atos.
  • Hipocrisia – aparência exterior a fim de conquistar a estima de outros.
  • Adulação – exagero nos elogios para obter proveito (CEC 2480).
  • Jactância e ironia – gabar-se ou depreciar alguém. (CEC 2481).

Toda a falta cometida contra a justiça e a verdade impõe o dever de reparação, mesmo que o autor tenha sido perdoado. (CEC 2487, 2509), portanto, as faltas contra a pessoa do próximo exigem reparação, proporcional ao dano causado.

Uso dos meios de comunicação social: (CEC 2493,94,97).- A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade e na justiça.  É conveniente que se imponham moderação e disciplina no uso dos meios de comunicação social. (CEC 2512).

A lícita ocultação da verdade – nem sempre somos obrigados a dizer a verdade, porque ou quem pergunta não tem direito de saber, ou porque é obrigatório guardar segredo  (CEC 2488-92).

O segredo – é tudo aquilo que, pela sua própria natureza ou por compromisso, exige a obrigação de ser conservado oculto.  Pode ser: natural, prometido ou confiado.

As Sociedades Secretas – grupos, seitas ou associações, constituídos com diversos fins e que utilizam o segredo e o mistério para melhor desenvolver as suas atividades e conseguir seus objetivos.  O Magistério da Igreja precisou que por sociedades secretas se deve entender aquela que “exigem dos seus membros um segredo total, que a ninguém deve ser manifestado e lhes pedem obediência a chefes ocultos, corroborada por meio de juramento.”  Tais associações são proibidas aos cristãos sob pecado grave.  A Santa Sé proíbe expressamente que se  pertença à Maçonaria e outras associações semelhantes.

A fama: boa ou má opinião que se tem de uma pessoa.

Pode-se atentar contra a boa fama do próximo:

  • Por pensamentos:
  • suspeita temerária

Pela palavra:              

  • detração (murmúrio ou calúnia)                                                       
  • sussurro ou fofoca
  • falso testemunho. (CEC 2476)

A honra: testemunho exterior da estima que se tem pelos outros homens. Pode-se ofender a honra do próximo:           

  • Injúria ou contumélia.
  • Zombaria.

Cooperação nestes pecados: pecado não somente por pensamentos e palavras mas também pelo ouvido = escutar com prazer uma difamação ainda que não se pronuncie uma só palavra.

  • Se por curiosidade – falta leve.
  • Se por ódio ou vingança – falta grave

Se ocorrer de presenciarmos algo que atente contra a honra e/ou a fama do próximo é dever do cristão, caso nada possa fazer para defendê-la, cortar a conversa ou mostrar com sua atitude que o assunto não lhe interessa.  Pode-se cooperar por medo, negligência ou vergonha.

Referências Bibliográficas. 

  • AQUINO, F.  A Moral Católica e os Dez Mandamentos. Cléofas, São Paulo, 2005.
  • BETTENCOURT, E.T.  Curso de Teologia Moral.  Escola “Mater Ecclesiae”.
  • Catecismo da Igreja Católica.  9ª edição. Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1997. nº 2052- 2557. 

Texto elaborado por Luiz Maurício Osório