PRIMEIRO MANDAMENTO: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento”  Mt 22,36-38; Ex 20,2-6; Dt 5,6-10; 6,4-6.

“Amar a Deus sobre todas as coisas”

Além de ser o principal dos preceitos divinos, este mandamento, de algum modo, inclui todos os demais, pois qualquer transgressão da Lei de Deus, implica necessariamente em ausência de amor: fator intrínseco do pecado (aversão a Deus).

Traz consigo a necessidade de viver as virtudes teologais e a virtude da religião: CEC 2086.

  • Fé: para amar a Deus é necessário começar por acreditar Nele.
  • Esperança: o amor exige a confiança na Bondade divina.
  • Caridade: objeto próprio do mandamento.
  • Virtude da Religião: enquanto virtude, regulamenta as relações do homem com Deus.

 

A FÉ

Virtude sobrenatural pela qual cremos ser verdadeiro tudo o que Deus revelou, pela autoridade do próprio Deus que revela.  A Revelação implica realidades que excedem a capacidade natural da mente humana por isso, é necessário que Deus infunda uma graça particular para que o homem seja capaz de acolher a mensagem divina.

Requisito fundamental para a salvação – Mc 16,16; Jo 3,18 – e deve ser traduzida na vida do cristão – Tg 2,26;

Deveres que a fé impõe = conhecer, confessar, preservá-la dos perigos.

Pecados contra a fé: Negação interior; Não confessar exteriormente e expondo-a a perigos.

Negação interior:

  • Infidelidade –  Ateísmo ou falta de fé.
  • Apostasia.
  • Heresia.
  • Dúvidas contra a fé.

Não confessar exteriormente: ocultar ou dissimular a fé, equivale a negação.  Pode ser pecado mortal quando omitir preceitos graves ou acompanhar desprezo da religião (Mt 10,32).

Expondo-a a perigos: convivência sem a devida cautela com incrédulos, hereges ou indiferentes; participação em cultos de outras seitas, leituras de livros contrários a fé ou costumes (incluem-se aí todos os meios de comunicação) CEC 2088,89.

 

A ESPERANÇA

Virtude sobrenatural pela qual temos firme confiança em que Deus nos dará, pelos méritos de Jesus Cristo, a graça de que necessitamos na Terra, para alcançar o céu. CEC 2090; Jó 19,25s.

Tão necessária quanto a fé, pois aquele que não confia em chegar ao fim pode abandonar os meios que para lá o conduzem – 1Ts 4,13s.

Qual o alimento de nossa esperança ? – Jo 11,17-44.

A esperança não exclui um salutar Temor a Deus, pois o homem pode voluntariamente ser infiel e comprometer sua salvação.  Um temor benéfico deve acompanhar a esperança:

  • Esperança sem Temor = presunção;
  • Esperança + temor filial = esperança real;
  • Esperança + temor exagerado = desconfiança;
  • Temor sem esperança = desespero.

Pecados contra a esperança:

  • Desespero –Trata-se de pecado gravíssimo pois equivale a negar a misericórdia infinita e a fidelidade de Deus às suas promessas. Ez 18,21-24; Lc 7,36-50; 15,1-7.11-32; 22,55-62.
  • Presunção – trata-se de pecado grave porque abusa da misericórdia divina e despreza sua justiça CEC 2091,92.
  • Desconfiança – sem perder totalmente a confiança em Deus, não se confia suficientemente na sua misericórdia e fidelidade.  Tem origem na preguiça espiritual.

 

A CARIDADE

Virtude sobrenatural pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos; por amor a Deus. = duplo objeto e um só motivo.

É a mais excelente de todas as virtudes = por sua bondade intrínseca, é o fundamento e a mãe de todas as outras virtudes, é eterna – 1Cor 13,13.

Pecados contra o amor a Deus:  Indiferença, ingratidão, tibieza, acedia e ódio a Deus. (CEC 2094).

O amor ao próximo: virtude sobrenatural que nos leva a procurar o bem de nossos semelhantes por amor a Deus.  Não deve ser confundido com afeto meramente natural (amizade), mas procede da graça sobrenatural.

Leva-nos a duas conclusões principais:

  • Todos somos filhos de Deus e, portanto irmãos – Mt 23,8-9.
  • Somos membros de Cristo – Rm 12,5.

Deve ter as seguintes características:

  • Sobrenatural – por amor a Deus;
  • Universal – todos os homens (Jo.13,34s).
  • Ordenado – amar o mais próximo ou mais necessitado
  • Ser interno e manifestado externamente (Mt.7,12).

Obras de misericórdia: só  é  verdadeira  a  Caridade  que se traduz em realidades concretas (obras) – Mt 25,31-46; Lc 3,11; Lc 11,41; Tg 2,15s. CEC 2447,48.

Entre os atos de amor ao próximo, os de ordem mais alta tem a ver com a caridade espiritual principalmente: correção fraterna (Mt 18,15), apostolado (1Pd 2,9), oração por todas as almas.

Pecados contra o amor ao próximo: ódio (1Jo 3,15), maldição, inveja, escândalo, cooperação no mal.  Opõe-se ainda à caridade com o próximo: contenda, briga, guerra injusta, atos de vandalismo etc.

 

A VIRTUDE DA RELIGIÃO

É aquela que inclina o homem a prestar a Deus, seu criador e soberano, a honra e a submissão devidas.

Exigências: conhecimento de Deus, prática do culto a Deus, vida moral condizente

O culto: as obrigações da religião se concretizam na adoração e no louvor a Deus.

  • Adoração ou latria = somente a Deus;
  • Veneração ou dulia = santos em reconhecimento de sua entrega e união a Deus.
  • Veneração especial ou hiperdulia = Maria Santíssima, mãe de Deus.

Os protestantes atacam a Igreja católica por prestar culto a Nossa Senhora e aos Santos em geral, afirmando que Cristo é o único mediador e portanto, não há necessidade de ouros mediadores (1Tm 2,5).  A palavra “mediador”, no entanto, pode comportar dois sentidos: redentor – que só poderá ser aplicado a Jesus Cristo; e intercessor – que poderá ser aplicado à Maria Santíssima e aos Santos que rogam a Deus em favor dos homens [Comunhão dos Santos] (CEC 2129,30,31,32).

A oração: é através dela que nos abrimos ao amor de Deus e “escutamos” a sua vontade.

O sacrifício: sinal de adoração e reconhecimento, súplica e comunhão.  O verdadeiro sacrifício é o coração arrependido !

Promessas e votos: estamos vinculados a Deus e para alimentar esta comunhão fazemos promessas e votos.  Não é comércio espiritual mas sim no sentido de uma consagração a Deus.

Pecados contra a virtude da religião

por omissão, deixando de cumprir deveres religiosos.

por prática indevida:

Superstição – atribuir a seres criados poderes divinos que não possuem. Ex: cadeias de orações, acompanhadas de ameaças para quem as quebrar e de bênçãos para quem as levar adiante; orações para curar a ser repetidas tantas vezes contra mordidas de cobra, queimaduras etc.; uso de objetos religiosos aos quais se atribui singular ação protetora (figas amuletos bentinhos etc.).  Devem ser distinguidos dos chamados sacramentais onde não se atribui poder ao objeto; mas a oração da Igreja feita sobre tais objetos que pode obter de Deus a graça e proteção para seus usuários.

Idolatria – tributar diretamente culto de adoração a uma criatura CEC 2113,14; Ex 22,20; Sb 13,7-8.

Adivinhação – tentativa de conhecer, mediante certos sinais, acontecimentos secretos especialmente futuros. CEC 2115,16.  Eis alguns exemplos de adivinhação pecaminosa por supor fé em coisas que não a merecem; ou por não confiarem plenamente no poder de Deus: necromancia (espiritismo), astrologia, horóscopo, cartomancia, quiromancia, grafologia, numerologia, interpretação de sonhos e outras práticas semelhantes.

Magia - supõe forças e poderes nos homens e espíritos; distinguem-se magia negra (feitiçaria) e magia branca (visa obter proteção e garantias).

Vã observância – forma de superstição que atribui a sinais, coisas ou animais, poderes favoráveis ou nocivos para além de sua eficácia própria.

A irreligiosidade –  pecados por defeito.

Impiedade – indiferença religiosa de diversas formas: vai desde a tibieza até ataques à religião (calúnias, desprezo etc.).

Tentação a Deus – pretender, com palavras ou atos, por à prova alguns dos atributos de Deus.  CEC 2119.

Sacrilégio – violação ou profanação de pessoas ou  coisas consagradas a Deus.  Distinguem-se três tipos: pessoal, local, real

Blasfêmia – explícita injúria contra Deus por pensamentos, palavras ou sinais.  Pode também ser dirigida aos Santos e Nossa Senhora.

Simonia – vontade deliberada de comprar, com dinheiro, uma coisa ou bem sagrado (At 8,18-23; CEC 2121,22).  A malícia deste pecado é dupla: equiparação de bens espirituais aos matérias; uso ilegítimo de bens cujo fim é aproveitamento espiritual e não material.

  • Universal – todos os homens (Jo 13,34s).
  • Ordenado – amar o mais próximo ou mais necessitado.
  • Ser interno e manifestado externamente (Mt 7,12).

Deve ser bem diferenciado das indulgências e espórtulas de missa a atos litúrgicos que devem ser consideradas como ofertas feitas à Igreja por ocasião da prestação de serviços de culto; de modo algum são o preço dos atos sagrados.  É lícito aos clérigos receber tal ajuda de custo (Lc 10,7; Mt 10,10; 1Cor 9,14).

Referências Bibliográficas. 

  • AQUINO, F.  A Moral Católica e os Dez Mandamentos. Cléofas, São Paulo, 2005.
  • BETTENCOURT, E.T.  Curso de Teologia Moral.  Escola “Mater Ecclesiae”.
  • Catecismo da Igreja Católica.  9ª edição. Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1997. nº 2052- 2557. 

Texto elaborado por Luiz Maurício Osório