OS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS – O DECÁLOGO

São os caminhos para que a vontade de Deus seja conhecida, sem margem de erro de interpretação.  A razão de nossa existência é dar glória a Deus e isto só poderá ser feito se cumprirmos a Sua vontade que encaminha-nos ao nosso fim – a santidade e a glorificação de Deus (Mt 19,16s.). 

  

A VONTADE DE DEUS CUMPRE-SE, ANTES DE TUDO, NA OBSERVÂNCIA AMOROSA DOS MANDAMENTOS !  (Mt 19,16-19). 

O seguimento de Jesus inclui o seguimento dos mandamentos, a lei não foi abolida, mas o homem é convidado a reinterpretá-la na figura de Jesus que veio aperfeiçoá-la, levá-la à plenitude (Mt 17,20). 

   

A REVELAÇÃO DO DECÁLOGO 

Temos a lei natural gravada nos nossos corações e, portanto, somos capazes de captar seus princípios fundamentais por intuição.  Os pecados original e pessoal obscurecem nosso entendimento (CEC 2071).  Por esta razão, para que os homens, com maior facilidade, com firme certeza e sem qualquer erro pudessem encontrar o caminho da salvação, Deus revelou sua vontade dando-nos os mandamentos (Dt 30,16; CEC 2070,71).  Esta lei foi elevada à perfeição em Jesus Cristo que se mostrou como modelo e caminho para a vida eterna.  A perfeição da lei revela-se no mandamento do amor (CEC 2054,55). 

Aquilo que o homem não pode ler no seu coração, Deus escreveu em tábuas  (Sto. Agostinho). 

   

OBRIGATORIEDADE 

Visto que exprimem os deveres fundamentais do homem para com Deus e o próximo, os Dez Mandamentos revelam obrigações graves.  São essencialmente imutáveis, e sua obrigação vale sempre e em toda parte (CEC 2072; Dt 6,4-9; Js 1,7ss.). 

Jesus disse “eu sou a videira e vós os ramos.  Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).  O fruto indicado aqui é a santidade de uma vida fecundada pela união a Cristo e pela adesão aos seus mandamentos (Mt 7,21ss; 12,46-49; CEC 2074).  O que Deus manda, torna-o possível por sua graça. 

   

O DECÁLOGO  (Ex 20,2-17; Dt 5,6-21). 

Formam uma unidade indissociável (CEC 2069; Tg 2,10s.), portanto, apesar de normalmente, serem analisados individualmente, deverão ser sempre vistos como uma única unidade – a manifestação da Vontade de Deus – que será ferida pela desobediência de qualquer dos dez. 

Apresenta-se constituído por dois grupos: relacionados a Deus e relacionados ao próximo.  Por isso podem ser sintetizados na forma: 

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” (Mt 22,34-40). 

  

OS DEZ MANDAMENTOS: forma catequética. 

Relacionamento com Deus: 

  • Amar a Deus sobre todas as coisas.
  • Não tomar seu santo nome em vão.
  • Guardar domingos e festas de guarda.

Relacionamento com o próximo: 

  • Honrar pai e mãe.
  • Não matar.
  • Não pecar contra a castidade.
  • Não furtar.
  • Não levantar falso testemunho.
  • Não desejar a mulher do próximo.
  • Não cobiçar as coisas alheias.

  

ABRANGÊNCIA DOS MANDAMENTOS 

  • 1°, 2º, 3º Mandamentos:
    • Virtudes Teologais.
    • Virtude da Religião.
    • Santificação do Domingo.
    • Culto a Deus.
  • 4º Mandamento: A Moral Familiar e a autoridade.
  • 5º Mandamento: A vida, dom de Deus – A Bioética.
  • 6º e 9º Mandamentos: Moral da sexualidade.
  • 7º e 10º Mandamentos: A Moral social.
  • 8º Mandamento: A verdade.

  

A MORAL CRISTÃ E OS MANDAMENTOS. 

A verdadeira moral cristã – seguimento de Jesus Cristo – não deverá ser centrada exclusivamente nos mandamentos, pois assim tomará como princípio orientador o certo e o errado; e  este é um modo míope de olhar as mais diversas realidades nas quais o cristão se vê envolvido cotidianamente. É no dia-a-dia que o filho de Deus deve dar testemunho do Deus que é Pai  e misericordioso (Mt 19,16-26). 

A moral cristã tem sua raiz em um Ser concreto e absoluto, que é Deus, e não em uma lei – Deus mesmo é a medida para o autêntico agir cristão – só por Deus o cristão pode atuar seguro do positivo efeito de sua atitude.  Tal certeza é possível devido a veracidade do princípio causa-efeito; ou seja, o homem busca adequar seu agir segundo sua consciência bem formada nos ensinamentos da Igreja, da Sagrada Escritura e da Tradição, e principalmente, enriquecida pela experiência íntima e pessoal com o Senhor.  Daí, com certeza, comprova que o resultado de sua atitude gerou vida a quem se destinou, além de ter gerado também uma autêntica satisfação naquele que a praticou. 

A moral cristã, que tem por termômetro a caridade, requer do homem um agir livre.  Somente no uso pleno da razão que orienta a vontade, o homem pode realizar um ato humano e por ele receber glórias ou condenações.  Neste nível do uso da razão é perfeitamente possível a efetivação da justiça e do direito humanos.  Porém, para considerar a séria palavra de Jesus que diz: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da lei e dos fariseus, vocês não entrarão no reino do céu” (Mt 5, 20), e por ela assumir um agir que supere a lei, é preciso que o homem se reconheça criatura totalmente dependente do seu criador e reconheça também que Deus nos revelou uma verdade, e por ela (é ela que ilumina a razão) o homem poderá empreender e  realizar ações segundo a autêntica moral cristã.  Somente com esta atitude a ação humana supera a justiça dos fariseus. 

Jesus Cristo expressa uma palavra que O revela como: “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14,6).  Quem ama a Jesus, porque reconhece ser Ele a Verdade absoluta e o Bem supremo, orienta o seu agir não por medo do julgamento da lei, mas é impulsionado pela relação com Deus que é Pai e que ama infinitamente seus filhos. 

Na verdade, os mandamentos foram criados por Deus não como fim, mas para serem meios.  Os mandamentos devem funcionar como as margens de um rio; que servem para conduzir suas águas à meta que é o mar.  Assim, os mandamentos foram feitos para auxiliar o homem, conduzindo-o à vida de comunhão com Deus.  Nesta comunhão o homem age, não pela criatura em si mesma e sim pela excelência de Deus, o Criador. 

A vontade egoísta e mesquinha do homem deve ser subjugada à atitude de amor e benevolência que é revelada por Deus; isso só é possível ao homem de fé, pois o homem sem fé é orgulhoso, é auto-suficiente e não se reconhece dependente de Deus; por isso está sempre equivocado em relação ao bem que busca fora de Deus.  O homem de fé dá a Deus o direito de ser Deus, porque a Ele se abandona e sabe-se totalmente necessitado do  Seu amor e da Sua misericórdia; faz da sua vida uma íntima comunhão com Deus, por Quem e com Quem é realizado o seu viver. 

Referências Bibliográficas. 

  • AQUINO, F.  A Moral Católica e os Dez Mandamentos. Cléofas, São Paulo, 2005.
  • BETTENCOURT, E.T.  Curso de Teologia Moral.  Escola “Mater Ecclesiae”.
  • Catecismo da Igreja Católica.  9ª edição. Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1997. nº 2052- 2557. 

Texto elaborado por Luiz Maurício Osório