Há muitas pessoas que desejam ler a Bíblia e entendê-la, mas não sabem como fazer, sentem-se perdidas e acabam abandonando-a. Levar essas pessoas que não tiveram a oportunidade de aprenderem a ler a Bíblia a terem uma noção básica, ou seja, os primeiros passos para grandes descobertas proporcionadas pela Palavra de Deus é o que queremos neste início da Catequese de Adultos.

Percebendo que a falta de habilidade para ler as Escrituras estabelece uma grande barreira entre os leigos e sua aproximação para com Deus, tomamos a iniciativa de oferecer este material, esperando que possa ajudar a todos os que tenham sede do conhecimento das verdades Bíblicas.

Durante a leitura da Bíblia, você vai desvendar o Livro dos livros. Ela tem resistido ao tempo, perseguições e até as fogueiras. Mas, Deus tem permitido hoje, que você tenha livre acesso a sua Palavra. Por anos, vidas de milhares de pessoas têm tomado um novo rumo a partir do conhecimento das verdades reveladas nas páginas da Bíblia

A Bíblia não é um simples livro. Ela é uma biblioteca de 73 livros, bem diferentes, diversos estilos, escritos em épocas distantes. A Bíblia é o livro que contém a Palavra de Deus expressa em palavras humanas. É uma grande obra literária; um livro único, inesgotável, onde se encontra tudo o que se refere a Deus e ao homem.

A Bíblia é o plano de amor salvífico.

A revelação divina é, pois, um grande dom, imerecido e inesperado do amor de Deus, em forma de diálogo amoroso, «conversa» ou comunicação entre amigos. A revelação divina é realmente Palavra de Deus, mas é também – e inseparavelmente – acontecimento, manifestação e desenvolvimento do plano de Deus ao longo da História. Mediante a Sagrada Escritura Deus dá a conhecer o sentido salvífico dos acontecimentos, e estes podem assim compreender-se como história da salvação.

E Deus viu que tudo era bom” – Gn 1,31

A palavra de Deus tem estreita relação com o Universo. A palavra criadora de Deus é elemento constitutivo da natureza na sua origem e atividade. É Deus que faz existir tudo que vive. E o faz por sua palavra. Deus diz, e aquilo é feito do nada. Só Deus é Deus, como será repetido muitas e muitas vezes na Bíblia, no sentido de que só ele é capaz de criar o Universo a partir do nada.

O ser humano é responsável pelo futuro do Universo, tendo diante de si o chamado, não apenas a construir uma história para seu próprio crescimento e progresso. Pois tudo que Deus criou, Ele mesmo viu que era muito bom.

 

ANTIGO TESTAMENTO (AT)

Composto por 46 livros. O Antigo Testamento, ajuda-nos a compreender que nada de quanto é bom, verdadeiro e santo no mundo, se pode explicar independentemente do Espírito de Deus.

Os Livros do AT:

  1. Pentateuco: É composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia: Gn; Ex; Lv; Nm; Dt.
  2. Históricos: Nos livros históricos, encontramos a história do Povo de Deus, desde a entrada na terra prometida até próximo a época de Jesus. São estes: Js; Jz; 1 e 2 Sm; 1 e 2 Rs; 1 e 2 Cr; Esd; Ne; Tb; Jd; Est; 1 e 2 Mc; Rt.
  3. Poéticos e Sapienciais: Falam da sabedoria dos homens e da experiência do amor de Deus na vida da comunidade. Estes Livros contêm orações, cânticos e poesias, escritos e vividos à luz da fé: Jó; Sl; Pr; Ecl; Eclo; Sb; Ct.
  4. Profetas: Os Livros Proféticos do Antigo Testamento da Bíblia cristã se subdividem em dois grupos, o dos primeiros profetas (maiores) e o dos profetas menores.
    1. Profetas Maiores: Is; Jr; Lm; Br (secretário do Profeta Jeremias); Ez, Dn.
    2. Profetas Menores: Os; Jl; Am; Ab; Jn; Mq; Na; Hab; Sof; Ag; Zc; Ml.

Ou Livros Proféticos:

Antes do Exílio (587 aC):  Am; Os; Is; Mq; Sf; Na; Hab;  Jr;

Durante o Exílio (587-538 aC):  Ez; Is;

Pós-Exílio (539 aC):  Ag; Zc; Is; Br; Ab; Jl; Jn; Ml; Dn.

 

NOVO TESTAMENTO (NT)

Os 27 livros do Novo Testamento foram escritos por vários autores em várias épocas e lugares. Ao contrário do Velho Testamento, o Novo foi escrito em um curto espaço de tempo, durante um século ou um pouco mais.

  1. Evangelhos: A palavra evangelho significa “Boa Nova“, e refere-se ao nascimento do Messias prometido. Os evangelhos focam a vida, morte, e ressurreição de Jesus, bem como os seus ensinamentos: Mt, Mc, Lc, Jo.
  2. Atos dos Apóstolos: A história dos primeiros cristãos após a morte de Cristo é relatada no livro de Atos, é a história dos primórdios da Igreja, como comunidade, de autoria atribuída a Lucas. At.
  3. Epístolas de São Paulo: Este grupo contém várias epístolas (cartas) escritas tanto para indivíduos quanto para as primeiras comunidades cristãs. A maioria dessas epístolas expõe pontos teológicos importantes para o desenvolvimento da doutrina cristã: 1 e 2 Ts; Gl; 1 e 2 Cor; Rm.
    1. Epístolas Pastorais: 1 e 2 Tm; Tt.
    2. Epístolas do Cativeiro: Fl; Fm; Cl; Ef.
    3. Epístolas aos Hebreus: Hb. Esta carta, é atribuída a um discípulo de Paulo.
  4. Cartas Católicas: As outras epístolas ou epístolas universais são dirigidas às comunidades cristãs como um todo. Foram nomeadas de acordo com os seus autores: Tg; 1 e 2 Pd; Jd, a este grupo também pertencem as cartas de João, conforme abaixo.
  5. Outros escritos de João: 1, 2 e 3 Jo; Ap (Apocalipse é uma revelação de Deus à João quando ele foi exilado na ilha de Patmos, fala sobre a volta de Jesus Cristo).

 

CANÔN BÍBLICO:

O cânon bíblico é o conjunto dos livros que a Igreja considera oficialmente como base da sua doutrina e dos seus costumes, pelo fato de serem inspirados por Deus.

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante? Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14. A razão disso vem de longe. No ano 100 da era cristã, os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia Judaica. Isto porque nesta época começava a surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as Cartas dos Apóstolos, que os judeus não aceitaram.

Nesse Sínodo, os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte: (1) Deveria ter sido escrito na Terra Santa; (2) Escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego; (3) Escrito antes de Esdras (455-428 a.C.); (4) Sem contradição com a Torá ou lei de Moisés. Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia em 537aC. Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante.

Mas a Igreja católica, desde os Apóstolos, usou a Bíblia completa. Em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma influente colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. O rei do Egito, Ptolomeu, queria ter todos os livros conhecidos na famosa biblioteca de Alexandria; então mandou buscar 70 sábios judeus, rabinos, para traduzirem os Livros Sagrados hebraicos para o grego, entre os anos 250 e 100 a.C, antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C). Surgiu, assim, a versão grega chamada Alexandrina ou dos Setenta, que a Igreja Católica sempre seguiu. Essa versão dos Setenta, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram. Havia, dessa forma, no início do Cristianismo, duas Bíblias judaicas: a da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).

No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) para contestar a Igreja, e para facilitar a defesa das suas teses, adotou o cânon da Palestina e deixou de lado os sete livros conhecidos, e os fragmentos de Ester e Daniel.

 

COMO ENCONTRAR UMA CITAÇÃO

As citações bíblicas são os endereços das passagens que desejamos encontrar e seguem sempre a mesma ordem: Título do Livro (abreviado), Capítulo e Versículo. Exemplo: Mt 5,23. Esta citação lê-se assim: Evangelho de Mateus, capítulo cinco, versículo vinte e três.

1. A vírgula ( , ) separa o capítulo dos versículos. Neste caso, lê-se o número que vem antes e depois do ponto. Exemplo: Tg 4,5 – Epístola de Tiago, capítulo quatro, versículo cinco.

2. O ponto ( . ) indica um salto entre versículos. Exemplo: Mc 2,8.16.23 = Evangelho de Marcos, capítulo dois, versículos oito, dezesseis e vinte e três.

3. O hifen ( – ) indica que devemos ler de um versículo até o outro. Exemplo: Lc 5,10-15 – Evangelho de Lucas, capítulo cinco, versículos de dez a quinze. O traço pode também indicar uma seqüência de capítulos. Outro Exemplo: Jo 14,18-17,20 – Evangelho de João, do capítulo quatorze, versículo dezoito, até o capítulo dezessete, versículo vinte.

4. O ponto e a vírgula ( ; ) separam uma citação de outra, ou um livro de outro livro. Exemplo: At 1,5;16,14 – lê-se o versículo cinco do capítulo um e o versículo quatorze do capítulo dezesseis. Outro exemplo: Jo 1,5; 1Ts 2,23: neste caso, deve-se procurar as duas citações pedidas, uma no Evangelho de João e a outra na primeira carta aos Tessalonicenses.

5. Um esse “S” indica  a  leitura  do  versículo  que  vem  em  seguida  ao  citado.   Exemplo:  Rm 7,5s – Cartas  aos  Romanos,  capítulo  sete, versículo cinco e seguinte, seis. Ou seja: Rm, 7,5s é igual a Rm 7,5-6.

6. Dois esses “SS” indicam a leitura dos versículos seguintes ao citado. Exemplo: 1Cor 2,12ss = Primeira carta aos Coríntios, capítulo dois, versículos doze e seguintes, até onde estiver relacionado.

7. (a, b e c) é possível encontrar uma dessas letras depois da citação do versículo. Exemplo: Gl 3,1a, lê-se a primeira parte do versículo um. E consecutivamente a letra b corresponde a segunda parte do versículo e a c a terceira. Um versículo pode estar dividido em até três frases, desta forma é possível encontrar a frase desejada.

8. Quando o livro tem um só capítulo, omite-se a indicação do capítulo, e cita-se só o versículo. Exemplo: Jd 4 – Carta de Judas, versículo quatro.

9. Quando o livro tem mais de um capítulo, o número que vem logo após a indicação do livro é a do capítulo. Exemplo: Mt 5 – Neste caso deve ser lido todo o capítulo cinco do Evangelho de Mateus.

Fonte: Anotações das aulas de Sagrada Escritura da Escola Mater Ecclesiae – Núcleo Glória, Profª Herenice Auler, Rio de Janeiro, RJ, 1995