A eclesiologia é a ciência teológica que estuda o Mistério da Igreja e, assim, pretende responder aos questionamentos do homem moderno, sacudido por tantas correntes religiosas que se denominam “igreja” com os mais diversos títulos.

O conceito clássico de Igreja – “congregação de todos os batizados, unidos na mesma fé verdadeira, no mesmo sacrifício e nos mesmos sacramentos, sob a autoridade do Sumo Pontífice e dos bispos em comunhão com ele” – é uma consideração sob um ponto de vista externo, jurídico e que, portanto, enfraquece muito a sua realidade.  Assim como o homem é mais do que seu corpo físico, a Igreja é infinitamente mais do que uma mera organização exterior e visível.  O que torna o homem um ser humano é a alma, e é a alma da Igreja, que a torna um organismo vivo, um mistério.  Assim como a graça santificante dá à alma a vida sobrenatural, o Espírito Santo dá à Igreja a sua perene vitalidade – “o que o nosso espírito, quer dizer, a nossa alma, é em relação aos nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao corpo de Cristo que é a Igreja

O estudo da Igreja nos convoca, também, a uma evangelização mais profunda, uma atividade pastoral mais eficaz; enfim, somos chamados a “crer com as mãos”.  No entanto, neste trabalho pastoral encontramos muitas dificuldades, principalmente relacionadas com a aceitação da Igreja, sua hierarquia e suas leis.  Dentre os vários obstáculos encontrados podemos destacar: 

  • alguns afirmam que a Igreja não está conseguindo acompanhar a evolução do mundo moderno, porque sua mensagem está ultrapassada; acusam-na de moralismo, legalismo, etc.
  • outros confundem “a Igreja” com o “pessoal da Igreja” e criticam-na baseados em atitudes pessoais e individuais de muitos clérigos ou mesmo de leigos, membros das diversas pastorais.

  • vivemos a época da comunicação e, neste contexto, a Igreja não está conseguindo passar seus valores, enquanto que os meios de comunicação difundem seus “contra-valores” com muita facilidade e conseguem resultados surpreendentes.

  • na tentativa de difundir e/ou atualizar sua mensagem, o “pessoal da Igreja”, muitas vezes enfraqueceu ou deturpou o seu conteúdo evangélico.

  • a atuação dos leigos na Igreja, embora amplamente enfatizada e valorizada no Vaticano II, é ainda ambígua.  Ora os leigos são valorizados como ajudantes do clero, e a sua formação é estimulada, ora afirma-se que estão procurando se aprofundar para “tomar o lugar do padre”.

Em vista desses variados problemas que aparecem de todos os lados, somos chamados a entender melhor esta realidade: a Igreja realização do plano eterno de Deus Pai, fundada no tempo por Deus Filho e continuamente santificada por Deus Espírito Santo.  A Igreja, Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo.  A Igreja, divina e humana, celestial e terrena, visível e invisível, atual e futura.  A Igreja santa, composta na terra por pecadores.  A Igreja visível, germe e princípio do Reino de Deus, que chegará à plenitude no “final dos tempos”; a Igreja continuadora da missão do Verbo Encarnado; sacramento universal de salvação dos homens; sociedade hierarquicamente presidida pelo Romano Pontífice (o Papa) e os bispos; constituída por clérigos e leigos, o “Novo Povo de Deus”; a Igreja “Povo santo e pecador”…Todos estes aspectos constituem a Igreja de Jesus Cristo, mistério de comunhão dos homens entre si e com Deus, que na Sua infinita bondade quis oferecer-nos gratuitamente este instrumento de salvação.

Isto é a Igreja:  Cristo presente entre nós; Deus que vem até a humanidade para a salvar, chamando-a com sua revelação, santificando-a com a sua graça, amparando-a com a sua ajuda constante tanto nos pequenos como nos grandes combates da vida cotidiana.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.   

  • Compêndio do Vaticano II.  Editora Vozes, 1987.
  • Catecismo da Igreja Católica.  Editora Vozes, 1998.
  • Curso de Eclesiologia.  Escola “Mater Ecclesiae”, 1996. 

Por Luiz Mauricio Osório