Basílica de Loyola – Azpeitia (Espanha), local do nascimento do santo

Iñigo López de Oñaz y Loyola[1], até os vinte e seis anos de idade[2], foi homem entregue às vaidades do mundo. Deleitava-se principalmente no exercício de armas, com grande desejo de ganhar honra. Assim, estando ele numa fortaleza, na cidadela de Pamplona, que os franceses combatiam, eram todos de parecer que se rendessem, com a condição de salvarem as vidas: pois viam claramente que não se podiam defender. Inácio apresentou tantas razões ao alcaide[3] da cidade de Pamplona (Francisco de Herrera) que o persuadiu à defesa, mesmo contra a opinião de todos os cavaleiros que o alentavam com seu ânimo e esforço. 

Os franceses ocupam a cidadela de Pamplona e propõe a rendição da fortaleza. Herrera (o alcaide) pede para conferenciar com o chefe das tropas inimigas, André de Foix, senhor de Asparros, e leva consigo três dos defensores, um dos quais era Inácio. Na conferência, entre franceses e espanhóis, Inácio toma à frente e diz que a proposta dos franceses era vergonhosa e desta forma retomam as armas e ao combate. 

A partir de então, os franceses avançam. Inácio se confessa com um de seus companheiros de armas[4]. Depois de durarem um bom tempo os tiros da artilharia, o muro da fortaleza é derrubado, Inácio é atingido por uma bala de canhão, sofrendo uma grave fratura na perna direita, que ficou quebrada em várias partes. Isto foi a 20 de maio de 1521. 

Bibliografia 

Cardoso, Pe. Armando, SJ, Autobiografia de Inácio de Loyola, Edições Loyola, SP, 1978, nº 1. 



 

[1] Nome de Batismo. 

[2] Na narrativa de sua vida ao Pe. Luis Gonçalves da Câmara († 1575), em sua velhice, a memória de Inácio fraquejava. Daí as dificuldades para fixar o ano de seu nascimento, que hoje cremos seja 1491, em Azpeitia, no Castelo de Loyola, e por seu relato parece ser 1493 ou 1495 (cf. a Introdução das Obras Completas de Santo Inácio de Loyola, pelo Pe. Candido de Dalmases, SJ, BAC, Madri, 1952) 

[3] Nome que damos ao primeiro magistrado de um município de Espanha (erro de pronúncia por alcalde). 

[4] Confessar os pecados a um leigo, na falta de sacerdote, foi uso na Idade Média, recomendado por São Tomás de Aquino (IV Sent. XVIII q.3 a.3 q.2 sol.II). No Manual de Confissões de Fr. Hernando de Talavera, publicado em 1492, se recomenda com estas palavras: “Peca o que ministra sem sacerdote, salvo em caso de necessidade, quando alguém, posto em perigo de morte, não podendo ter sacerdote, se quer confessar ao que não o é. Isto, porém não é de necessidade; pois se não houver sacerdote, basta só a contrição” (Nova Biblioteca de Autores espanhóis t. XVI. Madri, 1911, p.32)