Encontramos nos Exercícios a Pedagogia usada por Deus na História da Salvação para com o seu Povo, e, como somos Povo de Deus, devemos com muito ardor, procurar seguir seus caminhos e aguardar para onde Deus está nos levando.

A partir da prática dos Exercícios, notamos que seu itinerário nos orienta a prática da perfeição, para maior serviço de Deus e da Igreja. Prepara-nos para a Missão Eclesial; comunitária; impregnando-nos do espírito evangélico, pela progressiva transfiguração de Jesus Cristo. Desta forma, vivenciar o Mistério Pascal, de todo coração, nos fará Discípulos-Missionários, a serviço do Povo de Deus, como testemunhas vivas do Amor do Pai.

A Igreja, em todos os setores, busca renovação profunda e adaptação ao mundo contemporâneo. Atualização, para Igreja, conforme nos diz o Concílio Vaticano II, significa maior revigoramento e robustecimento das energias espirituais. Para isto se presta os Exercícios Espirituais, para revigorar, nossa caminhada de congregado mariano, pois será um auxílio para a nossa vida espiritual.

A apresentação dos Exercícios, porém, não deve ser feita senão nas perspectivas teológicas dos atuais documentos da Igreja. É necessário distinguirmos, claramente, entre a intuição espiritual, pela qual Santo Inácio compôs os Exercícios, e a sua mentalidade teológica e cultural. Hoje, os Exercícios, são apresentados, nos horizontes teológicos renovados, a partir do Concílio Vaticano II e dos atuais documentos do Magistério da Igreja.

Quem faz os Exercícios, trabalha, entra em ação, se prepara e se dispõe para acolher e efetivar a obra purificadora e vivificadora do alto.

Como num pomar. Encontramos a boa terra. Cheio de esperanças preparamos a terra para acolher a boa semente. Ervas daninhas e insetos nocivos são eliminados prontamente. A boa terra e a boa semente interagindo, acolhendo as boas condições climáticas de água, ar e calor fazem a árvore se desenvolver, produzir os ramos, as folhas, até chegar ao fruto saboroso que é colhido com amor.

Não adianta ter pressa. O fruto bem maduro, no sabor da pessoa que o recebe e que lhe fará muito bem, como também ao ambiente onde vive e atua, só pode ser dado pelo Senhor.

Os Exercícios Espirituais conduzem aquele que os faz, para uma mudança de vida, para uma maior qualidade de vida. Leva-nos a extirpar as afeições desordenadas e a procurar e encontrar a amorosa vontade divina na disposição da vida (cf. EE 1). Os Exercícios Espirituais são para ordenar a própria vida (cf. EE 21).

Os Exercícios Espirituais conduzem (por sua natureza) a uma conversão profunda, radical (μετάνοια); visam a um novo nascimento do exercitante no Espírito Santo; orientam-no para uma abertura, sem restrições, à plenitude da graça, à ação divina.

Os Exercícios de Santo Inácio supõem e exigem um diálogo muito íntimo entre o diretor e o exercitante, uma comunicação dos espíritos na liberdade e na caridade; o exercitante precisa de grande abertura de espírito, receptividade e docilidade, baseadas na fé.

Bibliografia:

Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, com anotações Pe. Géza Kövecses,sj, Porto Alegre, 1966

Revista Itaici, nº 77, set/2009, artigo de Pe. Paulo Pedreira de Freitas,sj, p.61 “Os Exercícios são dados… Os frutos são colhidos, com admiração e louvor”.