CRISTO E A CONSCIÊNCIA MORAL

A consciência moral é precisamente aquele conhecimento de si, constitutivamente presente em todo ato livre do ser humano, que julga se o ato é bom ou mau, tornando o homem, que direciona a vontade para ele, em bom ou mau respectivamente.  A consciência moral manifesta o dinamismo superior do homem, em relação ao resto dos seres viventes, enquanto dotado de inteligência e domínio de seus atos (liberdade); com a capacidade de autodeterminar-se, e saber se age em conformidade com esta dignidade que Deus lhe investiu.

A noção de consciência parece ter entrado em crise nos nossos dias em que se coloca em dúvida a existência de uma verdade absoluta e acredita-se que cada consciência deve criar sua própria verdade; além disso, em certos ambientes parece que a consciência não mais adverte o homem sobre seus erros, tendo entrado numa situação de “silencio” – “não ter consciência das próprias culpas é uma grave doença, como grave é a ausência congênita da dor quando se sofre uma doença física” (J.Ratzinger).

Jesus Cristo nos redimiu e está sempre disposto a nos mostrar a verdade e ajudar-nos com a sua graça, que nos é oferecida continuamente através de sua Igreja (magistério e sacramentos).  A retidão da consciência, por isso, será inseparável do desenvolvimento da vida cristã.

O Senhor recorda sempre aos apóstolos o dever de discernir entre o bem e o mal, de julgar retamente e não segundo as aparências (Jo 7,24).  Deus não nos quer como escravos, mas como filhos inteligentes, que conhecem e cumprem a sua vontade por amor (Jo 15,13ss.).  O reto juízo não é mais do que olhar suas próprias ações segundo a vontade de Deus (Jo 8,15s.).

No Evangelho é contínuo o ensinamento de Jesus a respeito da necessidade de discernimento entre o bem e o mal no coração  do  homem, por isso, a necessidade de formação de nossa consciência. (Mt 13,18-23).  A observação exterior da lei não tem nenhum valor se o coração está cego ou corrompido (Mt 15,11.18ss.); o coração, isto é, a consciência, deve ser purificada, formada – o coração puro fecunda a luz da inteligência, e esta luminosidade depende do conjunto das atitudes morais, que é o princípio da vida no espírito. (Jo 8,12).

A consciência cristã, isto é, do batizado que luta por identificar-se com Cristo, é divinizada progressivamente.  Pela graça, o juízo da inteligência se reveste de toda a luminosidade de uma fé que opera segundo a caridade.  É como um novo despertar de nossa consciência que adquire um novo modo de ver e julgar: a maneira cristã de entender os acontecimentos e olhar as pessoas, fruto de uma inteligência que age não só iluminada pela fé, mas intensamente determinada a conhecer a Verdade e o Bem, sob o influxo da caridade e das virtudes infusas , com a direção do Espírito Santo.  A medida que o cristão se identifica com Cristo, seus juízos vão assumindo os padrões com que o Mestre enfrentava os problemas cotidianos (1Cor 13,4-7).

Finalmente, a fé transforma o modo humano de conhecer, antecipando o que será a visão beatífica de Deus e das coisas em Deus na eternidade.  O dinamismo da consciência do homem sob a graça é tal, que o impulsiona a viver com a dignidade plena de filho de Deus – toda nossa glória consiste no testemunho que nos dá a consciência, de ter agido neste mundo com simplicidade de coração e sinceridade perante Deus, não com a prudência da carne, mas segundo a glória de Deus”  (2Cor 1,12).

Referências Bibliográficas.

  • AQUINO, F.  A Moral Católica e os Dez Mandamentos. Cléofas, São Paulo, 2005.
  • BETTENCOURT, E.T.  Curso de Teologia Moral.  Escola “Mater Ecclesiae”.
  • Catecismo da Igreja Católica.  9ª edição. Ed. Vozes, Rio de Janeiro, 1997. nº 2052- 2557. 

Texto elaborado por Luiz Maurício Osório