Hoje a salvação entrou nesta casa” –  Lc 19,1-10.

1Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. 2Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos. 3Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. 4Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali. 5Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa. 6Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. 7Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em casa de um pecador… 8Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo. 9Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão. 10Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

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Jesus Cristo é o Salvador de todos; curou muitos doentes, ressuscitou mortos, mas sobretudo trouxe o perdão dos pecados e o dom da graça aos que se aproximam d’Ele com fé. Como antes no caso da pecadora (cfr. Lc 7,36-50), agora Jesus traz a salvação a Zaqueu, visto que a missão do Filho do Homem é salvar o que estava perdido.

Zaqueu pertencia à classe dos publicanos, odiados pelo povo porque eram colaboradores do poder romano e abusavam freqüentemente na cobrança de impostos. O Evangelho deixa entrever que também este homem tinha de que se arrepender. O certo é que quer ver o Senhor, sem dúvida movido pela graça, e para isso põe todos os meios ao seu alcance. Jesus premia o esforço de Zaqueu, hospedando-Se em sua casa. Comovido pela presença do Senhor, Zaqueu inicia uma vida nova.

Aqueles que vêem esta cena murmuram contra Jesus, porque trata afetuosamente um homem a quem eles consideram pecador. O Senhor, em vez de Se desculpar, manifesta claramente que veio precisamente para isso: para buscar os pecadores. Este episódio torna realidade a parábola da ovelha perdida (cfr Lc 15,4-7), cujo ensinamento já estava profetizado em Ezequiel: “Buscarei a ovelha que estiver perdida, reconduzirei a que estiver desgarrada, pensarei a que estiver fraturada e restaurarei a que estiver abatida. Quanto à gorda e vigorosa, guarda-la-ei e apascenta-la-ei com direito”. (Ez 34,16)

Vale destacar, no verso 4 o sicômoro, que é uma árvore semelhante à amoreira, mas de mais altura e de tronco mais grosso.

Zaqueu quer ver Jesus. Para o conseguir não vê inconveniente em misturar-se com a multidão. Como o cego de Jericó salta por cima dos respeitos humanos. Assim deverá ser a nossa busca de Deus: nem falsa vergonha, nem medo ao ridículo, devem impedir que ponhamos os meios para encontrar o Senhor.

Estamos diante de uma clara manifestação de como atua Deus para salvar os homens. Jesus chama individualmente, pelo seu nome, Zaqueu, pedindo-lhe que O receba em sua casa. O Evangelho sublinha que O recebeu prontamente e com alegria. Assim devemos responder ao chamado que Deus nos faz através da Sua graça.

Zaqueu, na sua imediata correspondência à graça, manifesta o propósito de devolver o quádruplo do que injustamente poderia ter defraudado. Com isto vai mais além do que ordena a Lei de Moisés (cfr Ex 21,37s). Além disso, numa generosa compensação, entrega aos pobres a metade dos seus bens. “Aprendam os ricos – comenta Santo Ambrósio – que não consiste o mal em ter riquezas, mas em não usar bem delas; porque assim como as riquezas são um impedimento para os maus, são também um meio de virtude para os bons”.

Este desejo ardente de Jesus de buscar um pecador para o salvar, deve encher-nos da esperança de alcançar a salvação eterna.