Trindade de Rublev - Séc. XIV

Trindade de Rublev – Séc. XIV

Esta é uma síntese da apresentação na Catequese de Adultos (neocatecumenato) da paróquia São Francisco Xavier, bairro da Tijuca – RIO DE JANEIRO-RJ, sobre a EUCARISTIA (um dos Sacramentos da Iniciação Cristã, os outros dois: Batismo e Confirmação), serão apresentados em outra oportunidade.

A Eucaristia é a conclusão da iniciação cristã, pois desde o Antigo Testamento há esta confirmação, conforme nos observa São João Crisóstomo (+407): “Depois de atravessarem o Mar Vermelho, os Hebreus comeram o maná e beberam água jorrada da pedra, ou seja, dizia o santo: Saindo da pia Batismal, ides para a mesa que vos está preparada, para o Corpo e o Sangue do Senhor”.

Batismo e Eucaristia estão unidos por vínculo profundo: O Batismo deriva toda sua eficácia do Sacrifício de Cristo que a Eucaristia torna presente, ou seja, a Eucaristia conduz a uma plena realização, a incorporação a Cristo morto e ressuscitado iniciada no Batismo.

O mistério da Eucaristia, que o Senhor guardou para sua despedida, aconteceu na Última Ceia, na noite em que foi entregue, que o nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico do Seu Corpo e Sangue: – Jesus confia, a Igreja (Comunidade Cristã), o MEMORIAL, isto é, a lembrança viva, capaz de tornar presente em todos os tempos e lugares, o SACRIFÍCIO da Cruz, o MISTÉRIO da sua Morte e Ressurreição.

MEMORIAL: É um conceito de origem hebraica, cf. Livro do Êxodo, onde Moisés, ao prescrever o ritual da Ceia Pascal, proclama: “Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do Senhor: fareis isso de geração em geração, pois é uma instituição perpétua” (cf Ex 12,14), ainda cf. Ex 12,26-27: ”26E quando vossos filhos vos disserem: que significa esse rito? respondereis: 27é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas.O povo inclinou-se e prostrou-se”. De geração em geração, os hebreus celebrarão esta Ceia Pascal, e ao recordar um passado maravilhoso, eles voltam a experimentar a presença e a ação do Deus libertador, que está sempre com eles. Com idêntica compreensão, os cristãos celebram a Ceia do Senhor, em atenção a esta palavra de Jesus: “24e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.25Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim” (cf. 1Cor 11,24-25).

MISTÉRIO: É um conceito cristão que vem de duas vertentes:

a) Das Cartas de São Paulo, cf. Ef 3,9.11: “9e a todos manifestar o desígnio salvador de Deus, mistério oculto desde a eternidade em Deus, que tudo criou.11de acordo com o desígnio eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor”;

b) Da compreensão que no mundo grego da época se tinha dos chamados “cultos de mistério”: rituais através dos quais se entrava  em comunhão com a vida e o destino dos deuses… Os cristãos passaram a entender a celebração da Ceia do Senhor, como uma oportunidade de entrar em comunhão com Jesus Cristo, àquele que ressuscitou e revelou o projeto de Deus para a humanidade.

SACRIFÍCIO: Não é um sofrimento, mas uma “ação sagrada“, “apresentação feita a Deus” de modo ritual, “por um sacerdote, de um dom concreto, onde se exprime sua auto-doação respeitosa, grata e amorosa; com o objetivo de ser com ele transformado (…) e de ficar finalmente unido a Deus, que aceita com benignidade o dom e, por conseguinte, o próprio sacrificante, em plena comunhão de vida e amor” (V. Varnach, citado por B. Neunheuser no Dicionário de Liturgia, EP, São Paulo, 1992, p. 1070,2).  Ao celebrar a Ceia do Senhor, nos sinais do Pão e do Vinho, ao mesmo tempo, a comunidade retoma a oferta que Cristo fez de si mesmo na cruz e se inclui na mesma.

 

Referências:

Catecismo da Igreja Católica, 1212;

Constituição Sacrosanctum Concilium, 47

Fiore, D. Carlos, sdb; Martins, D. Hildebrando P., osb. Liturgia para o povo de Deus, Edições Lumen Christi, Rio de Janeiro, RJ, 1988.