Lc 2,16-21: “Maria conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração”. (1.jan.2011)

16Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. 17Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. 18Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração. 20Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito. 21Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.

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Comentando:

Todos têm pressa de ver o Salvador, pois a boa nova se espalhava. Hoje, Jesus está no Sacrário das Igrejas e não raro, as pessoas o ignoram. As novidades são a tecnologia, os ganhos financeiros, para isto todos correm, todos tem pressa. Quem passa uma semana de trabalho, sabe quanto é o stress para se conseguir manter o sustento da vida. Que nunca, nos falte à pressa dos pastores, que é fruto da alegria em poder ver o Salvador.  Como dizia Santo Ambrósio († 397): “Ninguém busca Cristo preguiçosamente”. Uma prova disto nos foi narrada pelo próprio São Lucas, pois, após a Anunciação do Anjo, Maria vai apressadamente visitar sua prima Isabel (cf. Lc 1,39). Aqueles, que tem Maria como modelo, procurando imitá-la em suas virtudes, conforme os congregados marianos prometem em seu Ato de Consagração, quando admitidos na Congregação Mariana, encontram com bondade, refúgio para Deus no seu próprio “coração”, daí viverá com alegria a visita do Senhor e esta alegria dará asas a sua vida.

Os pastores não param de falar, ficam alegres e começam a narrar tudo o que ouviram a respeito do menino. Também, nada temos que falar, mas muito a ouvir. Aprender a ouvir e aprender com Maria que guardava todas as coisas em seu coração. Vemos Maria contemplativa, serena, observando tudo com um olhar profundo, ponderando as coisas e guardando tudo no silêncio de sua alma. Maria é mestra de oração! Se a imitarmos, se com ela aprendermos a guardar e ponderar em nossos corações o que ouvimos de Jesus e o que Ele faz em nós, estamos a caminho da santidade cristã e não faltará na nossa vida a Sua graça.

Os pastores saem do encontro, alegres, voltam cantando e como conheciam o que falavam os profetas, tudo vai se confirmando. Algo novo aconteceu. Agora, que vamos iniciar um novo ano, porque não procurar imitar Maria, que tal um encontro para confirmar o chamado de Deus, que tal se consagrar a Nossa Senhora e vir participar de uma Associação de fiéis leigos que este ano completará em 25 de março 488 anos de existência?

Jesus foi circuncidado oito dias após o seu nascimento. Na carta aos Filipenses, Paulo menciona sua própria circuncisão para demonstrar que era um verdadeiro israelita e vemos em At 16,3 pedir a Timóteo que seja circuncidado. No NT, os judeus-cristãos propuseram a necessidade da circuncisão para os convertidos do paganismo (At 15,1ss), daí nascendo uma grave controvérsia. Finalmente, o Concílio de Jerusalém decidiu contra a necessidade da circuncisão para os gentios convertidos (At 15,28s). Evidentemente, o partido judaico não gostou da decisão: a questão ainda foi discutida por Paulo em Gl e Rm, tornando-se para ele uma oportunidade para proclamar a eficácia da morte redentora de Cristo e a liberdade do cristão em relação a esta observância. (cf. John L. Mackenzie, Dicionário Bíblico, verbete: circuncisão).

O nome de Jesus significa “Yahweh salva” ou “Yahweh é salvação”, isto é “Salvador”. Este nome foi imposto não por disposição humana, mas para se cumprir o que o arcanjo tinha ordenado da parte de Deus à Maria Santíssima e a São José (cf. Lc 1,31; Mt 2,21).

Importante será para cada um de nós, o entendimento, de que temos que “fazer novas todas as coisas”, nesse ano que se inicia, inclusive em relação a nossa fé. Passar a contemplar a cena da Encarnação do Filho de Deus e descobrir que o seu fim é a Redenção de todos os homens, por isto Jesus é o Salvador.

Ao participar na Santa Missa na Paróquia de São Francisco Xavier, foi interessante, neste primeiro dia do ano, em que celebramos também o Dia Mundia da Paz, as colocações do sacerdote Pe. Jose Li Guozhong, sobre a Paz. – “Quando transmitimos a Paz a uma pessoa, não é a minha Paz que estou passando, nem a Paz de outrem, mas a Paz do próprio Deus, a Paz do Cristo, o Príncipe da Paz”. Desta maneira, quando no “Abraço da Paz“, em cada celebração, desejamos a Paz a quem está a nosso lado, estamos desejando a Paz de Cristo. Mas, para isto precisamos estar abertos a Jesus, pois a alegria está no coração de quem já conhece a Jesus e a verdadeira Paz, só tem, aquele que já conhece a Jesus.

O Dogma da Maternidade Divina: http://caritatis.com.br/2010/12/27/o-dogma-da-maternidade-divina/