Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para nos ajudar a mantermos o caminho rumo do Santuário vivo, que é Jesus” (CNBB, Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. P.81).

Referentes à Virgem Maria, a Igreja propõe quatro dogmas: Maternidade Divina; Virgindade Perpétua, Imaculada Conceição e Assunção. Constituem verdades que os cristãos aceitam, aprofundam e vivenciam na comunidade de fé.

Aos 22 de junho de 431, o Concilio de Éfeso definiu explicitamente a maternidade divina de Nossa Senhora. Assim, o Concílio se expressou: “Que seja excomungado quem não professar que Emanuel é verdadeiramente Deus e, portanto, que a Virgem Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois deu à luz segundo a carne aquele que é o Verbo de Deus”.

A intenção do Concílio de Éfeso era a de afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Reconhecer Maria como Mãe de Deus (Theotókos) significa, na verdade, professar que Cristo, filho da Virgem Santíssima segundo a geração humana, é filho de Deus. O povo se alegrou tanto que levou os bispos do Concílio para suas casas e festejaram a proclamação do dogma mariano. A maternidade divina de Nossa Senhora é peça mestra da teologia marial.

Em seu mistério profundo, Maria é Mãe de Deus. Como vocacionada do Pai, Maria aceitou livremente ser a Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que assumiu nossa natureza humana. “Mãe de Deus” aparece na oração da Ave Maria, na Salve Rainha e na Ladainha de Nossa Senhora.

A Maternidade divina de Maria é o mais antigo dogma mariano, que foi proclamado oficialmente pela Igreja. Surgiu como reação às pregações de Nestório (380-451), patriarca de Constantinopla. De inicio pastor zeloso, o patriarca incorreu na heresia que desviava a verdadeira concepção do mistério da encarnação.

Nestório afirmava duas naturezas de Cristo muito unidas, mas constituindo duas pessoas. Por isso, manifestava que Maria é a Mãe do homem Jesus, mas não a Mãe de Deus. Conseqüentemente, Deus tinha habitado num homem, mas não se tinha feito homem. Não existiu verdadeira encarnação. Com isso, a própria redenção do homem caiu por terra. Essa heresia nestoriana causou grave escândalo no meio do povo e do clero, provocando divisões e paixões dentro da Igreja.

O nestorianismo foi combatido por São Cirilo († 444), patriarca de Alexandria, que buscou recuperar a fé ortodoxa. Em 430, o sínodo de Roma condenou as idéias de Nestório.

Desqualificando o nestorianismo, o Concílio de Éfeso definiu explicitamente que Maria é Mãe de Deus (Theotókos). Classificou o nestorianismo como heresia e depôs Nestório de sua sede patriarcal. O povo acolheu com alegria e grande festa os resultados do Concílio.

O objetivo do Concílio de Éfeso era afirmar a unidade da pessoa de Cristo. Maria é Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se encarnou. Maria não é, porém, a mãe apenas da carne humana, mas de toda a realidade de seu Filho, que tinha uma só Pessoa. Daí dizer que Maria é Mãe de Deus, não enquanto Deus sem mais, mas enquanto Deus feito homem. Portanto, “Theotókos” significa, teologicamente, não genitora da divindade, mas geradora do Verbo encarnado.

Os estudiosos estimam que o título Mãe de Deus (Theotókos) apareceu pela primeira vez, na literatura cristã, nos escritos de Orígenes de Alexandria († 250). Diversos Padres da Igreja afirmavam a maternidade divina de Maria. São João Damasceno († 749) explicava tal dogma do seguinte modo: “Nós dizemos que Deus nasceu de Maria, não no sentido de que a divindade do Verbo dependia de Maria, mas no sentido de que o Verbo, o qual, fora antes do tempo, nasceu do Pai, é eterno como o Pai e o Espírito Santo; na plenitude dos tempos viveu em seu seio, para nossa salvação e sem mudança, tornou carne e nasceu dela. A Virgem não gerou simplesmente um homem, mas um verdadeiro Deus, Deus não sem carne, mas feito carne”.

A maternidade divina de Maria tem profundas raízes bíblicas. Os evangelhos referem-se, várias vezes, a Nossa Senhora como Mãe de Jesus. Com o título de “Mãe”, a Virgem Santíssima é designada 25 vezes no Novo Testamento. De maneira concisa, São Paulo afirma que Jesus Cristo, aquele que foi enviado do Pai, é filho de Maria (Gl 4,4). A fundamentação bíblica encontra-se em todos os evangelistas (Lc 1,35.39-44.56; Mc 6,3; Mt 1,18-25; Jo 6,42).

A maternidade divina de Maria é a base e o princípio fundamental da teologia marial. Está na origem dos demais dogmas marianos. Todas as graças, privilégios e títulos de Maria estão fundamentados nesta verdade mariana. A maternidade divina de Maria é a chave explicativa de seu mistério e missão. Mais do que um privilegio pessoal, a maternidade de Nossa Senhora está a serviço da salvação do povo.

O dogma da maternidade divina nos ensina que Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana. “Proclamar Maria Mãe de Deus significa proclamar que, realmente, o Reino de Deus ‘já está no meio de nós’ (Lc 17,21; Mt 4,17).

O dogma da maternidade divina nos ensina que Deus, na pessoa de Jesus Cristo, entrou na história humana. “Proclamar Maria Mãe de Deus significa proclamar que, realmente, o Reino de Deus ‘já está no meio de nós’ (Lc 17,21; Mt 4,17). Deus já está dentro de nossa história e é um dos nossos, tendo assumido tudo, menos o pecado. Maria é aquela que, em nosso nome, colaborou para que isso acontecesse” (Dom Murilo S.R. Krieger, bispo e escritor mariano).

Solenidade de Santa Mãe de Deus, Maria: comentário ao Evangelho do dia: http://caritatis.com.br/2010/12/26/solenidade-de-santa-mae-de-deus-maria-%e2%80%93-ano-a/ 

Fonte: Bisinoto, Pe. Eugênio; Para conhecer e amar Nossa Senhora, 4ª Edição, Editora Santuário, Aparecida-SP, 2005