Missa: Mt 26,14-75  (17.abr.2011)

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Comentando:   

Para facilitar esta reflexão, estaremos dividindo o texto, em tópicos, conforme a Bíblia de Jerusalém, mas o texto da Sagrada Escritura, foi retirado da Bíblia Ave Maria.   

Nos capítulos 26 e 27 de São Mateus, vamos passar com detalhes pela Paixão de Cristo, que constitui o ponto culminante da Sua existência humana e da obra de Redenção, onde Jesus irá sofrer as conseqüências pelos nossos pecados, em oferecimento ao Pai. Ganhará relevo, nestes dois capítulos, de forma expressiva: O Amor de Deus e a gravidade de nossos pecados. Como diz a música do Pe. José Weber:   

Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!
Eis que eu vos dou um novo Mandamento: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado“.
   

    

A Traição de Judas: Mt 26,14-16   

14Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: 15Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata. 16E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus.   

As negociatas de Judas, para entregar Jesus, seu próprio Mestre. Tudo por dinheiro e poder, semelhante ao que, não raro, tem acontecido no mundo de hoje, onde a cada momento, vemos as notícias de favorecimentos. Que a Semana Santa, seja frutuosa e nos faça, fugir destas ocasiões de pecado, procurando em “tudo amar e servir”.   

    

Preparativos para a Ceia Pascal: Mt 26,17-19   

17No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que preparemos a ceia pascal? 18Respondeu-lhes Jesus: Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos. 19Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa.   

A celebração dos Ázimos[1], pois, no tempo de Jesus, a ceia da Páscoa celebrava-se no primeiro dia da semana dos Ázimos. Jesus quer marcar esta data, com a inauguração de um novo rito. A Eucaristia, que será o alimento eficaz, que saciará o seu povo.    

    

Anúncio da traição de Judas: Mt 26,20-25   

20Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21Durante a ceia, disse: Em verdade vos digo: um de vós me há de trair. 22Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: Sou eu, Senhor? 23Respondeu ele: Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido! 25Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: Mestre, serei eu? Sim, disse Jesus.   

Os discípulos se entreolham, pois já perceberam que o Senhor conhece as próprias disposições interiores deles e também o que farão. Por isso, cada um dos discípulos, pergunta a Jesus sobre a sua fidelidade: – “Sou eu, Senhor?”.   

O Senhor deixa claro a todos, que se entregará voluntariamente à Paixão e Morte, pois cumpre a vontade divina (cf. Sl 41(40),10 e Is 53,7). Mas, ainda, que Jesus vá para a morte voluntariamente, em nada diminui o pecado do traidor. Desta forma, anuncia a traição de Judas.   

    

Instituição da Eucaristia: Mt 26,26-19   

26Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. 27Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, 28porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. 29Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai.   

O Evangelista Mateus, nos narra a cena da Instituição da Eucaristia, que também foi apresentado por Mc 14,22-25; Lc 22,19-20 e 1Cor 11,23-26. Nestas narrativas, estão contidas as verdades fundamentais da fé, acerca da Eucaristia: 1) Instituição como Sacramento e presença real de Jesus Cristo; 2) Instituição do sacerdócio cristão; 3) Eucaristia, como sacrifício no NT ou Santa Missa.   

Para maior aprofundamento sobre a Eucaristia, há alguns artigos neste Blog, que podem ser conferidos no endereço: http://caritatis.com.br/category/eucaristia/   

Que a Semana Santa, nos faça repensar a nossa fidelidade e fortaleça nosso amor à Eucaristia.   

    

A negação de Pedro é predita: Mt 26,30-35   

30Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o monte das Oliveiras. 31Disse-lhes então Jesus: Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). 32Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia. 33Pedro interveio: Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás. 34Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo: nesta noite mesma, antes que o galo cante, três vezes me negarás. 35Respondeu-lhe Pedro: Mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei! E todos os outros discípulos diziam-lhe o mesmo.    

Agora, no “Monte das Oliveiras”, Jesus prepara os discípulos para a Ressurreição e diz a todos, que os encontrarão na Galiléia. No diálogo com Jesus, Pedro e os discípulos prometem fidelidade. Será? Sabemos que o único, dos doze, a acompanhar Jesus até a morte de Cruz, foi João, os demais, cada um foi para um lado, e um, ainda o traiu. Será que somos fiéis discípulos de Jesus e mais fortes que os primeiros? Creio que não! O receio, que algo acontecesse irá levar Pedro a negar o Mestre por três vezes. São João Crisóstomo († 407), irá dizer sobre esta passagem: “Aprendemos daqui uma grande verdade: que não é o suficiente o desejo do homem, a não ser que se apóie na ajuda de Deus” (Hom. Sobre S. Mateus, 83).   

    

No Getsêmani: Mt 26,36-46   

36Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. 37E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.  38Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. 39Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. 40Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo… 41Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. 42Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! 43Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. 44Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. 45Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… 46Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui.   

Neste momento, podemos contemplar Jesus e ver toda a sensibilidade da sua natureza humana. Jesus sabia que era Deus e poderia impedir que tudo isto acontecesse. Mas, quer mostrar a todos o mistério de sua Humanidade e ser exemplo para o imitarmos. O demônio, volta ao ataque, tentando fazer Jesus relutar contra o sofrimento que irá passar. Jesus, ora ao Pai e confia.   

Que a Semana Santa, nos faça acompanhar os passos de Jesus, aumentando sobremaneira a nossa fé.   

    

Prisão de Jesus: Mt 26,47-56   

 47Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! 49Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. 50Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. 51Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. 52Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. 53Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? 54Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim? 55Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes. 56Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram.   

Jesus poderia recorrer ao Pai, pedindo o envio de anjos, que atuassem em sua defesa, mas não o faz, Jesus prefere que se manifeste o Seu amor e o cumprimento da vontade do Pai.   

Jesus argumenta: “todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes”. Os judeus estavam, escutando a pregação de Jesus, no Templo, escutando a sua doutrina, mas a dureza do coração impede que eles o sigam, que o aceitem. Da mesma forma, participamos da Santa Missa a cada domingo e quando a Missa termina e começa a nossa missão. Qual o nosso comportamento?   

No momento, que chegam a Jesus, o Mestre continua sereno, sem apresentar defesa, apenas pergunta a Judas: “para isso que vens aqui?”. A atitude do Senhor, nos ensina a tratar com caridade, até aqueles que nos tratam mal.   

Senhor, como é bom estar aqui, nesta contemplação, podendo abrir os olhos para estes pequenos detalhes, e aos poucos sentir seu amor, que delicadamente vai nos orientando à uma nova vida.   

    

Jesus perante o Sinédrio: Mt 26,57-68   

57Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. 58Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo. 59Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. 60Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. 61Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. 62Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? 63Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? 64Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu.  65A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia!  66Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte!  67Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, 68dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu?   

Estamos acompanhando esta via sacra, onde Jesus é interrogado, por homens sem fé alguma, por homens duros de coração, presos à Lei. Jesus apenas fala aos que o acusam: “Desfazei este Santuário e Eu em três dias o levantarei”. Jesus, está falando do seu próprio corpo, da sua morte, sua Ressurreição. E, os homens que o interrogavam, entendem mal, pensam que Jesus está falando do Templo de Jerusalém.   

    

Negações de Pedro: Mt 26,69-75   

69Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu. 70Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes. 71Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. 72Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. 73Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. 74Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. 75Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente.   

Quando vão prender Jesus, Pedro toma a frente e com a espada, corta a orelha de um soldado. No mesmo instante Jesus chama a atenção de Pedro: “Mete essa espada no seu lugar…”. A atitude de Jesus deixa Pedro desconcertado. Entendemos, que a fé de Pedro é indiscutível, mas demasiadamente humana e necessitava de uma purificação. Assim, neste período da Quaresma, precisamos a cada ano purificar a nossa fé, rever nossa caminhada.   

Quando Jesus é levado, os discípulos saem em debandada. Pedro, porém, o segue de longe. Com valentia entra na casa de Caifás, a cujo criado Malco tinha cortado a orelha (Jo 18,10-11)   

A fé de Pedro em Jesus Cristo sofre uma grande prova. No Monte das Oliveiras, promete que estará firme com seu Mestre até o fim, mas Jesus o previne que ele o negará três vezes antes que o galo cante.   

O pecado de Pedro foi grave, mas também foi profundo o seu arrependimento. A beleza da Quaresma está em nos proporcionar estas leituras:   

Eis o tempo de conversão,
Eis o dia da salvação:
Ao Pai voltemos, juntos andemos.
Eis o tempo de conversão!
(trecho da música: “Eis o tempo de conversão” do Pe. José Weber).
   

Em nossa vida pessoal, por maior que sejam os nossos pecados, sempre maior será a Misericórdia divina, sempre disposta a nos perdoar, pois o “Senhor não despreza um coração contrito e humilhado” (Sl 51(50),19). Bons frutos conseguimos, pela ação de Deus, na Iniciação Cristã de Adultos, pois aqueles que se arrependem com sinceridade, acabam se transformando em bons discípulos/missionários.  

Missa de Domingo de Ramos Parte 2

  [1] Ázimos são os pães sem fermento que deviam comer-se durante sete dias, em recordação do pão sem fermentar que os Israelitas tiveram de tomar apressadamente ao sair do Egito (cf. Ex 12,34). Conf, Bíblia Sagrada, Santos Evangelhos, Theológica, Braga, 1995.