Mt 21,28-32: “Os cobradores de impostos e as prostitutas entram antes no Reino de Deus do que vós” (25.set.2011)

28Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: – Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha. 29Respondeu ele: – Não quero. Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. 30Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: – Sim, pai! Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai? O primeiro, responderam-lhe. E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo: os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus! 32João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos, porém, e as prostitutas creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele.

____

Comentando:

Antes de contemplarmos a parábola, vale a pena verificar porque Jesus pronuncia esta parábola? – Jesus, está no Templo ensinando aos discípulos, quando chegam o príncipe dos sacerdotes (que representa o poder religioso-ideológico) e os anciãos do povo (que representam o poder econômico) e começam a questioná-lo, testando a Sua autoridade, mas Jesus responde com uma pergunta que os deixa embaraçados (cf. Mt 21,23-27). Logo após, Jesus pronuncia esta parábola.

A parábola dos dois filhos só aparece no Evangelho de Mateus, e tem como idéia básica a “justiça do Reino”. Jesus está em Jerusalém e, mais exatamente, no Templo. Lá, Ele contará três parábolas, sendo a primeira a “parábola dos dois filhos” (as outras duas irão aparecer nos próximos domingos: a “parábola dos vinhateiros homicidas” e “parábola dos convidados para as bodas”.

Na parábola de hoje: O primeiro filho representa os pecadores e os marginalizados que aceitam a mensagem de Jesus e se comprometem com a proposta da justiça do Reino. O próprio evangelista Mateus está entre essas categorias sociais, pois era cobrador de impostos. As prostitutas e os cobradores de impostos constituíam os grupos sociais mais detestados pelas elites religiosas e políticas do tempo de Jesus. Os donos do saber e da religião haviam decretado que essas categorias de pessoas não teriam parte no mundo futuro – exatamente o contrário de tudo o que Jesus ensinou. Cobradores de impostos e prostitutas, portanto, são a síntese da marginalidade, considerados pecadores públicos.

O segundo filho recorda as “pessoas de bem”, maquiadas de religiosidade e “justiça” – prontas a se escandalizar e se levantar em defesa de suposta verdade, mas presas fáceis do dinheiro e crentes de que estavam cumprindo a vontade de Deus. Desde o começo do Evangelho de Mateus, os chefes dos sacerdotes estão ao lado de Herodes, que pretende matar Jesus (cf. 2,3-4). Herodes morreu em seguida, mas os chefes dos sacerdotes, anciãos do povo e membros do sinédrio, continuarão e serão os responsáveis diretos pela morte de Jesus.

A luz da convocação de Jesus como tem sido a nossa resposta hoje: Como a do primeiro filho? Ou como a do segundo?

Após a apresentação da parábola, Jesus cita João Batista, que veio à Sua frente anunciar a justiça, ensinando o caminho da santidade, pregando a conversão. Os escribas e fariseus não creram no Batista, apesar de se dizerem fiéis aos planos de Deus. Perguntamos: Não são estes representados pelo filho que diz que vou, mas não vai?

O Senhor quer colocar em evidência: a penitência e a conversão, que nos faz retornar ao caminho de santidade, ainda que estejamos durante muito tempo afastado de Deus.

Esta riqueza podemos experimentar na Iniciação Cristã de Adultos, pelo testemunho dos vários catecúmenos, e quão consolados ficamos, após um ano de ensino e troca de experiência com os irmãos da fé, vê-los depois engajados na Comunidade.

Esta parábola, também é um grave alerta a todos nós que nos julgamos seguidores de Jesus. Não raro, há muita gente por aí que, embora não freqüente igrejas e não se diga cristã, tem um sentido e uma prática de justiça muito mais acurada que as nossas. Exatamente como no tempo de Jesus, onde no caso desta parábola, o sentido da justiça se encontrava precisamente naqueles que nada tinham a ver com a religião (publicanos e prostitutas).

Que saibamos discernir em nossas vidas aquilo que mais agrada a Deus?

——-

Observação: Se você leu este comentário e gostou, poderá receber um exemplar da Revista: “Estrela do Mar”, editado pela Confederação Nacional das Congregações Marianas do Brasil, com vários artigos de formação. Para receber a Revista, escreva para elcaridade@gmail.com, informando endereço e nome completo, com uma frase sobre o tema do Evangelho deste domingo. Que estarei encaminhando por correio.