DUCCIO di Buoninsegna. Appearence While the Apostles are at Table (1308-11). Museo dell'Opera del Duomo, Siena

Jesus aparece aos Apóstolos: Lc 24,35-48

35Eles, por sua parte, contaram o que lhes havia acontecido no caminho e como o tinham reconhecido ao partir o pão. 36Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco! 37Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. 38Mas ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? 39Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho. 40E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: Tendes aqui alguma coisa para comer? 42Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele tomou e comeu à vista deles. 44Depois lhes disse: Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. 45Abriu-lhes então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: 46Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. 47E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sois as testemunhas de tudo isso.

Comentando:

O Evangelho de hoje se inicia com os Discípulos de Emaús chegando a Jerusalém, onde os Apóstolos e alguns outros discípulos se encontravam com Pedro.

Jerusalém foi o lugar onde Deus quis ser louvado, e ali os profetas exerceram o seu ministério. Por vontade divina Jesus Cristo padeceu, morreu e ressuscitou em Jerusalém. Foi a partir de Jerusalém, que o Reino de Deus começou a se estender (cf. Lc 24,47). No Novo Testamento, há algumas denominações para a Igreja de Cristo, como: “Jerusalém do Alto” (Gl 4,26); “Jerusalém Celeste” (Hb 12,22); “Nova Jerusalém” (Ap 21,2).

A Igreja também começa em Jerusalém. Mais tarde, São Pedro, pela Providência Divina, se transfere para Roma, deste modo, se converte no centro da Igreja. Como os discípulos são confirmados na fé por São Pedro, até hoje os cristãos acorrem à Sé de Pedro para confirmar a sua fé, mantendo assim a unidade da Igreja.

Sem Papa, a Igreja Católica não seria o que é, mas porque, faltando na Igreja de Cristo a autoridade pastoral suprema, eficaz e decisiva de Pedro, a unidade se arruinaria.  E queiram também considerar que este eixo central, na construção da santa Igreja, não quer constituir supremacia de orgulho espiritual e domínio humano, mas primado de serviço, de ministério e de amor. Não é retórica vã atribuir ao Vigário de Cristo o título de servo dos servos de Deus“. (Ecclesiam suam, n° 62).

Esta aparição de Jesus ressuscitado aos apóstolos nos é narrada pelos Evangelhos de São Lucas e São João (cf. Jo 20,19-23). Enquanto João fala da instituição do sacramento da Penitência, São Lucas destaca a dificuldade dos discípulos em aceitar o milagre da Ressurreição, apesar do testemunho das mulheres e daqueles que já tinham visto o Senhor ressuscitado.

A porta do local onde se encontravam os discípulos estava fechada, e Jesus aparece de improviso, por isto eles ficam surpresos. “Jesus penetrou no recinto fechado não porque a sua natureza fosse incorpórea, mas porque tinha a qualidade de um corpo ressuscitado” (Santo Ambrósio de Milão,†397). Entre as qualidades de um corpo glorioso, a delicadeza, faz com que o corpo esteja em sua totalidade dominado pelo poder da alma, por este motivo atravessa obstáculos materiais sem nenhuma resistência. E, a cena se reveste de um encanto pessoal quando é descrito pelo Evangelista os detalhes do corpo glorioso de Jesus para confirmar a verdade de Sua Ressurreição.

Ainda que o corpo do ressuscitado seja inalterado, e não necessite de alimentos para se nutrir, Jesus quer confirmar os discípulos na verdade da Sua Ressurreição com estas duas provas: 1) convidando a que o toquem; 2) comendo na presença deles. Diz-nos (Santo Inácio de Antioquia, †107): “Sei muito bem e nisto ponho a minha fé que, depois da Sua Ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos seus companheiros, disse-lhes: Tocai-me e compreendei que não sou um espírito incorpóreo. E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persuadidos da Sua carne e do Seu espírito”.

O Evangelista Lucas escreve para os gentios, por isto narra a advertência de Cristo aos discípulos, que declara ter se cumprido tudo o que estava predito acerca d’Ele. Destaca desta maneira a unidade dos dois Testamentos e que Jesus é verdadeiramente o Messias.

Era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia”: – O Evangelista põe em destaque a falta de inteligência dos Apóstolos, quando Jesus anuncia a Sua Morte e Ressurreição. Agora cumprida à profecia, recorda aos discípulos a necessidade de todo Seu padecimento e da Sua Ressurreição.

A cruz é um mistério não só na vida de Cristo, mas também na nossa. Jesus sofre para cumprir a vontade do Pai… E tu, poderás queixar-te se encontrares por companheiro de caminho o sofrimento?

Aproveitemos o tempo Pascal para contemplarmos em nossas vidas a Ressurreição de Cristo.