Bartolomé Esteban Murillo. The Good Shepherd. 1660. Museo del Prado, Madrid, Spain.

Jo 10, 11-18

11Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas. 12O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas. 13O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, 15como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. 16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor. 17O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. 18Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.

Comentando:

O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas

O Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas. Com esta frase observamos que “Jesus está falando de sua Paixão, e mostra o que iria acontecer para a salvação do mundo, e que a sofreria voluntária e livremente”. (São João Crisóstomo, †407). Jesus fala em dar Sua própria vida: “Fez o que tinha dito, deu a Sua vida pelas Suas ovelhas, e entregou o Seu Corpo e Sangue no Sacramento para alimentar com a Sua carne as ovelhas que tinha redimido”. (São Gregório Magno, †604). E, “Quem é o mercenário? – O que vê o lobo e foge. O que busca a sua glória, não a glória de Cristo; o que não se atreve a reprovar com liberdade de espírito os pecadores (…) porque te calaste; e calaste-te, porque tiveste medo”, comenta (Santo Agostinho, †430).

O Beato João Paulo II (†2005), dizia aos sacerdotes: “Recordem seu ministério sacerdotal. De modo particular, está ordenado para a grande solicitude do Bom Pastor, que é a solicitude pela salvação de todos os homens. E devemos recordar: que não é lícito a nenhum de nós merecermos o nome de mercenário, de alguém que ao ver o lobo, abandona as ovelhas e foge. A solicitude de todo bom Pastor é para que todos tenham vida e a tenham em abundância, a fim de que ninguém se perca, mas tenham a vida eterna. Façamos com que tal solicitude penetre profundamente nas nossas almas: procuremos vivê-la. Que esta solicitude caracterize a nossa personalidade e esteja sempre na base da nossa identidade sacerdotal”. Cabe ressaltar, que experimentamos tal solicitude em sacerdotes que conhecemos, quando chama seus fiéis a vir para a Catequese, nem que seja na última hora, ou seja, com o curso já em andamento. Devemos rezar pelos nossos sacerdotes para que esta solicitude seja constante em suas comunidades.

O Bom Pastor conhece cada uma de suas ovelhas, chama-as pelo nome. Nesta comovente figura, vemos uma exortação aos futuros pastores da Igreja. Onde os bons pastores santificam a comunidade. “Devemos recorrer ao Bom Pastor, àquele que entra pela porta com toda a legitimidade, àquele que quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor, àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo”. (São Josemaria Escrivá de Belaguer, †1975).

Jesus sabe que sua missão é universal, ainda que no início Sua pregação fosse apenas para aqueles da casa de Israel, por isto diz no versículo 16: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco”. Na verdade, os Apóstolos, após a Ressurreição, serão enviados a todas as gentes para pregar o Evangelho a todas as criaturas, começando por Jerusalém e continuando pela Judéia, Samaria e até os confins da terra.

Ao final do versículo, atentos a Palavra: “haverá um só rebanho e um só pastor”. Jesus nos fala da unidade da Igreja sob uma só cabeça visível, porque como nos ensina o Concílio Vaticano II: “O Senhor confiou todos os bens da nova Aliança ao único colégio apostólico, cuja cabeça é Pedro, com o fim de constituir na terra um só corpo. É necessário que a ele se incorporem plenamente todos os que de alguma forma pertencem ao Povo de Deus” (Unitatis Redintegratio, n° 3).

Nos versículos finais, Jesus explica a vontade livre com que Se entrega à morte para o bem do Seu rebanho: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”. (Jo 6,51). Observamos que Cristo possui pleno poder, mas se submete em sacrifício em perfeita obediência ao Pai.

Nunca entenderemos perfeitamente a liberdade de Jesus Cristo, imensa e infinita como seu amor. Mas a sua Paixão, nos leva a pensar: – porque me destes, Senhor, este privilégio de seguir os Teus passos? Este é o reto uso da liberdade, onde faço minha opção de vida.

Rezemos pelos nossos pastores, pois hoje é o Dia Mundial de Orações pelas Vocações.