Jo 15, 1-8

1Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; 2e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. 3Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. 7Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. 8Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

Comentando:

A Verdadeira Videira

No Evangelho de hoje, vamos contemplar a figura da videira, imagem esta já mencionada pelos profetas: Jeremias (cf. Jr 2,21) e Isaías (cf. Is 5,1-7), no Antigo Testamento. Empregada pelo próprio Cristo quando narra as Parábolas do Reino (cf. Mt 20,1-8; 21,28-31.33-41) e faz do “Fruto da Videira” a Eucaristia (cf. Mt 26,29). No Evangelho, a Verdadeira Videira é Jesus. Por isto, necessitamos estar unidos à nova Videira, a Cristo, para produzir fruto. Não se trata apenas, de pertencer a uma comunidade, mas de viver a vida de Cristo, vida da Graça, que é a seiva que dá vida, anima e capacita para dar frutos de vida eterna. Bela imagem esta da Videira, que ajuda a compreender a unidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo, onde todos os membros estão unidos a Cristo e uns aos outros (cf. 1Cor 12,12-26; Rom 12,4-5; Ef 4,15-16).

Os frutos que são produzidos pela videira significa a santidade de uma vida fiel aos mandamentos, especialmente ao mandamento do amor. Mas, o Senhor descreve duas situações: a daqueles mesmo que ligados a Videira, não dão fruto; e daqueles, que mesmo dando fruto, podem dar mais. A Epístola de São Tiago nos dá o ensinamento, ao dizer que não basta a fé. (Tg 2,17). A fé viva nos encaminha para o fruto das obras. Assim, o cristão para dar frutos agradáveis a Deus não basta ter recebido o Batismo e professar externamente a fé, mas é preciso participar da vida de Cristo pela graça e colaborar com Sua obra.

Continua Jesus: “Vós já estais puros pela palavra”, se referindo à limpeza interior, devido à obediência aos ensinamentos que aceitaram. “Pois a Palavra de Cristo purifica em primeiro lugar dos erros, instruindo; em segundo lugar, purifica os corações das coisas terrenas, despertando as pessoas para as coisas celestiais; finalmente, a palavra purifica para o vigor da fé (At 15,9)” (São Tomás de Aquino, †1274).

O Senhor continua a enumerar as consequências da comparação da videira e das varas. Agora destaca a inutilidade de quem se afasta d’Ele, tal como a vara separada da videira.

A vida em união com Cristo transcende o campo de ação individual do cristão para se projetar em benefício dos outros: daí brota a fecundidade apostólica, pois o verdadeiro apóstolo possui superabundância de vida interior.

O Concílio Vaticano II, citando os vv. 4-5, do Evangelho de hoje, ensina como deve ser o apostolado dos cristãos: “A fonte o origem de todo o apostolado da Igreja é Cristo, enviado pelo Pai. Sendo assim, é evidente que a fecundidade do apostolado dos leigos depende de sua união vital com Cristo, segundo as palavras do Senhor: ‘aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço, esse produz muito fruto; pois, sem Mim, nada podeis fazer’. Esta vida de íntima união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis e, de modo especial, pela participação ativa na sagrada Liturgia; e os leigos devem servir-se deles de tal modo que, desempenhando corretamente as diversas tarefas terrenas nas condições ordinárias da existência, não separem da própria vida a união com Cristo, mas antes, realizando a própria atividade segundo a vontade de Deus, nela cresçam” (Apostolicam actuositatem, n° 4).

Quem não está unido a Cristo por meio da graça terá, finalmente, o mesmo destino que as varas secas: o fogo. “Os sarmentos da videira são do mais desprezível se não estão unidos ao tronco da videira; e do mais nobre se o estão. Se o cortam, de nada servem, nem para o vinhateiro nem para o carpinteiro. Para os sarmentos, duas opções: ou unido à videira ou o fogo. Se não estão na videira, vão para o fogo: para não irem para o fogo, que estejam unidos à videira” (Santo Agostinho, †430).

Esta é a confiança que temos em Deus.