Garofalo, Bernardino, The Ascension of Christ 1549 – San Sigismondo, Cremona.

Mc 16,15-20 – Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.

15E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. 16Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. 17Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, 18manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados. 19Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus. 20Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Comentando:

Ide por todo mundo e pregai: Este é o mandato apostólico universal. Mandato imperativo de Cristo aos Apóstolos.

A Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, por eles, ordenar efetivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o Seu Reino para a Glória de Deus Pai. Toda a atividade do Corpo Místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado. (…). Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em Seu nome e com o Seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, tem um papel próprio a desempenhar na Missão do Povo de Deus, na Igreja e no mundo”. (Apostolicam Actuositatem, n° 2).

Deus atua na alma de cada pessoa por meio de sua graça. Mas, a vontade de Cristo é que todas as pessoas sejam instrumentos de salvação para as demais. Pois, “aos fiéis, seja dado, o valioso encargo de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos”. (Apostolicam Actuositatem, n° 3).

Quem crer e for batizado: A Palavra de Deus nos ensina que a Fé e o Batismo, são requisitos indispensáveis para alcançar a salvação. Diz-nos o Catecismo: O Batismo nos confere a graça santificante; se perdoa o pecado original e os pecados atuais, se houver; imprime caráter de cristãos; faz-nos filhos de Deus; membros da Igreja; herdeiros da Glória e nos habilita a receber outros sacramentos.

O Batismo é necessário a nossa salvação, conforme a Palavra do Senhor. Mas, a impossibilidade de alguém ser batizado, pode ser substituída ou pelo martírio (Batismo de Sangue) ou por um ato de contrição unido ao desejo de ser batizado (Batismo de desejo).

Dizia Santo Agostinho (†430), sobre o Batismo das crianças: “De nenhum modo se pode rejeitar nem considerar como desnecessário o costume da Igreja de batizar as crianças; antes pelo contrário, há que admiti-lo forçosamente por ser tradição apostólica”.

Milagres acompanharão os que crerem: Nos primeiros tempos, os fatos miraculosos que Jesus anuncia, se cumprem. Há muitos destes acontecimentos no Novo Testamento e em escritos cristãos antigos. Mais tarde, os milagres continuam, mas em menor número. Pois, a verdade do cristianismo já está devidamente comprovada, e o cristão precisa dar lugar ao mérito da fé. Dizia São Jerônimo (†420): “Os milagres foram necessários, no princípio, para confirmar com eles a fé. Mas, uma vez que a fé da Igreja está confirmada, os milagres não são necessários”.

Ascensão do Senhor: Constitui artigo da Fé que recitamos no Credo. Jesus Cristo vai ao céu de Corpo e Alma para tomar posse do Reino alcançado com a Sua Morte, para garantir a cada um de nós, um lugar na Glória e para enviar o Espírito Santo à Sua Igreja. (Artigo n° 6 – Catecismo da Igreja católica).

Estar sentado à direita do Pai: Significa que Jesus Cristo, também na Sua Humanidade, tomou posse eterna da Glória e que, sendo igual ao Pai enquanto Deus, ocupa junto d’Ele o lugar de honra sobre todas as criaturas enquanto homem. (Artigo n° 6 do Catecismo da Igreja católica).

Jesus subiu aos Céus pela Sua própria virtude. E não ascendeu aos Céus apenas como Deus, mas também como homem.

Os discípulos partem e pregam por toda parte: O Evangelista Marcos dá testemunho de que a Palavra de Cristo já estava sendo pregada no seu tempo. E os Apóstolos realizam com fidelidade a Missão confiada por Jesus. E vão por todo o mundo conhecido pregando a Palavra de Deus, o Evangelho, a Boa Nova. A pregação dos Apóstolos era acompanhada de sinais e prodígios que o Senhor lhes tinha prometido, dando autoridade ao seu testemunho e à sua doutrina. Mas, o trabalho apostólico foi sempre duro, com fadigas, perigos, incompreensões, perseguições e até martírios.

Graças ao Bom Deus e aos Apóstolos, chegou até nós a força e a alegria de Cristo Nosso Senhor. Mas cada geração cristã, tem de receber essa pregação do Evangelho e por sua vez transmití-lo.

A graça do Senhor não faltará nunca. O poder do Senhor não diminui (cf. Is 59,1).