LEONARDO da Vinci. The Last Supper, 1498. Convent of Santa Maria delle Grazie, Milan.

Isto é o meu Corpo… Isto é o meu Sangue – Mc 14,12-16.22-26

12No primeiro dia dos ázimos quando se imolava a Páscoa, os seus discípulos lhe disseram: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?13Enviou então dois dos seus discípulos e disse-lhes: “Ide à cidade, um homem levando uma bilha d’água virá ao vosso encontro. Segui-o.14Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a minha sala, em que comerá a Páscoa com os meus discípulos?’15E ele vos mostrará, no andar superior, uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós”.16Os discípulos partiram e foram à cidade. Acharam tudo como lhes fora dito e prepararam a Páscoa. 22Enquanto comiam, Ele tomou um pão, abençoou, partiu-o e distribuiu-lhes, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”.23Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu-lhes e todos dele beberam.24E disse-lhes: ”Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos.25Em verdade vos digo, já não beberei do fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo do Reino de Deus”.26Depois de terem cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras.

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Comentando:

A Última Ceia

São Marcos descreve a Última Ceia com mais pormenor que os outros Evangelistas, fala da grande sala, arrumada com almofadas. Era um lugar digno. Segundo uma antiga tradição cristã, diz-se que esta casa era de propriedade de Maria, a mãe de São Marcos, à qual parece que também pertencia o Horto das Oliveiras.

A primeira vista esta narrativa da Última Ceia, onde Jesus ordena dois dos seus discípulos, que encontrem um homem levando uma bilha d’água e observem onde ele entrará. Depois, diz aos discípulos: falem ao dono da casa, onde está a sala que será comida a Páscoa. Parece a primeira vista, diferente do comportamento do Senhor. Mas, segundo os estudiosos, tudo é coerente: pois, é provável que Jesus quisesse evitar que Judas conhecesse com antecipação o local da Celebração da Ceia e assim avisasse ao Sinédrio. Desta forma se cumpre os planos divinos para a memorável Quinta-Feira Santa, durante a qual é apontado o traidor.

Instituição da Eucaristia

Isto é o meu corpo” (Mc. 14,22), nos diz Jesus. Ele poderia ter dito: “Esta é minha vida, esta é minha história, eu mesmo…”. Mas diz: “Isto é meu corpo”; e, contido nele, sua maneira de estar na vida e de situar-se nela, seu modo de olhar, de sentir, de estar presente…

O único recurso de que Jesus dispõe antes de ser preso é seu próprio corpo. Não tem outra riqueza nem outro dom que oferecer. Esse corpo era sua vida, feita doação.

Como viveu Jesus em sua corporalidade a relação com Deus e com os outros e como nós somos convidados a viver?

Jesus ao partir o pão, apresenta a seus discípulos como Seu Corpo, não uma figura, um símbolo, mas o Seu Corpo mesmo: “o pão que Eu darei é a Minha própria carne” (Jo 6,51). Jesus conserva as espécies de pão e de vinho, mas converte estes na realidade da Sua carne e do Seu sangue.

As palavras da consagração do cálice (v.24) mostram com clareza a natureza de sacrifício que tem a Eucaristia: O Sangue de Cristo derramado que sela a nova e definitiva Aliança de Deus com os homens. Esta Aliança sela para sempre com o sacrifício de Cristo na Cruz, no qual Jesus é ao mesmo tempo o Sacerdote e a Vítima.

Os Apóstolos compreendem esta Aliança e a comparam com a Aliança do Sinai e a tantos sacrifícios do Templo, que eram uma figura imperfeita do sacrifício definitivo e da Aliança definitiva, que teriam lugar na Cruz e agora são antecipados na Ceia.

Para melhor entender o caráter sacrificial da Eucaristia, vale à pena a leitura da Carta aos Hebreus, capítulos 8 e 9, onde nos é apresentada a superioridade do Culto, do Santuário e da Mediação de Cristo Sacerdote.

E, para melhor entender a presença real e a Eucaristia como alimento da alma, devemos ler o capítulo 6 do Evangelho de São João, onde nos é apresentado a Páscoa do Pão da Vida.

Na Última Ceia, Cristo se entrega voluntariamente ao Pai, como vítima que vai ser imolada. Assim, tanto a Ceia, como a Santa Missa e a Cruz, constituem como um sacrifício único e perfeito, porque nos três casos a vítima oferecida é a mesma: Cristo; e o mesmo sacerdote: Cristo. A diferença é que na Ceia, o Senhor se oferece antecipadamente como vítima de forma incruenta. Na Cruz, Jesus se oferece como vítima de forma cruenta. Na Santa Missa, Jesus é oferecido como vítima já imolada na Cruz, de forma incruenta.

Jesus, depois de instituir a Santíssima Eucaristia, alivia a tristeza dos Apóstolos pela Sua despedida (v.25) e promete que chegará um dia em que se reunirá com eles, quando o Reino de Deus chegar à sua plenitude. Neste dia, não haverá necessidade do alimento e bebida normais desta terra, mas algo diferente. Um vinho novo (cf. Is 25,6). Depois da Ressurreição, os Apóstolos e todos os Santos poderão estar com Jesus. Esta é a nossa fé!

Ao final (v.26) os Apóstolos cantavam hinos. Segundo o costume dos judeus na Ceia Pascal, recitavam o Hallel (Sl 113-118).

Que a Eucaristia seja a vossa força!