ANDREA DEL SARTO. Assumption of the Virgin (1526-29), Galleria Palatina (Palazzo Pitti), Florence

Lc 1,39-56: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre”.

39Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? 44Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. 45Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! 46E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, 47meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, 49porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. 50Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. 51Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. 52Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. 56Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.

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Comentando:

Contemplamos este episódio da visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel no segundo mistério gozoso do Santo Rosário, onde o Anjo revela a Nossa Senhora que sua prima Isabel está próxima de dar a luz. A Virgem sai apressadamente, movida pela caridade e nem observa as dificuldades do trajeto de Nazaré até a montanha (hoje se supõe que é Ayn Karim), naquele tempo uma viagem de quatro dias.

A prontidão da Virgem Maria, que vai apressadamente é um tremendo ensinamento a todos nós cristãos, pois, não raro, pensamos em nós mesmos, somos egoístas e acomodados. Grande exemplo nos propõe Nossa Senhora para “Em tudo Amar e Servir”, como nos dizia Santo Inácio de Loyola.

Da mesma forma, quando Deus entra e atua na história das pessoas, estas se movem apressadamente ao encontro dos outros, para servi-los nas suas necessidades, para comunicar a alegria pela salvação recebida, e para alegrar-se com os outros pelas graças que eles receberam.

Esta pressa não nasce da ansiedade, mas da atitude interior de fé e de prontidão de Maria, expressão de um amor serviçal que busca ser eficaz.

Maria chega à casa de Zacarias, saúda sua prima que fica cheia do Espírito Santo e a criança estremece em seu seio. A resposta de Isabel, ao chamar Maria “Mãe do meu Senhor” movida pelo Espírito Santo, manifesta que a Virgem Santíssima é Mãe de Deus.

São João Batista, ainda que tenha sido concebido em pecado (o pecado original), pode-se dizer que tenha nascido sem ele, porque foi santificado nas entranhas de sua mãe Santa Isabel pela presença de Jesus Cristo (então no seio de Maria, a Santíssima Virgem). Ao receber este benefício divino São João Batista manifesta a sua alegria saltando de gozo no seio materno. Estes fatos foram o cumprimento da profecia do arcanjo São Gabriel (cf. Lc 1,15).

Isabel, movida pelo Espírito Santo, proclama bem-aventurada a Mãe do Senhor e louva a sua . Não houve como a de Maria; n’Ela temos o modelo mais acabado de quais devem ser as disposições da criatura diante do seu Criador: submissão completa, acatamento pleno. Com a sua , Maria é o instrumento escolhido pelo Senhor para levar a cabo a Redenção como Mediadora universal de todas as graças. A de Maria ilumina a nossa , onde podemos a partir de seu exemplo, seguir com firmeza a nossa missão.

Cheia do Espírito de Deus, a Virgem Maria na casa de Zacarias, em tom de poesia evoca 1Sm 2,1-10 (Cântico de Ana) e pronuncia o Magnificat, que pode ser dividido em três estrofes:

Primeira estrofe (vv. 46-50): Maria glorifica a Deus por tê-la feito Mãe de Jesus, e por isso a chamarão bem-aventurada todas as gerações, pois os primeiros frutos do Espírito Santo são a paz e a alegria. Os sentimentos da alma de Maria fazem transbordar a humildade diante dos favores de Deus, por isso Ela agradece. O benefício divino ultrapassa toda a graça concedida a qualquer criatura, mostrando como no mistério da Encarnação se manifestam o poder, a santidade e a misericórdia de Deus;

Segunda estrofe (vv. 51-53): A Virgem Santíssima nos ensina como que desde o princípio o Senhor teve predileção pelos humildes, como resiste aos soberbos e arrogantes. Pois este Deus os dispersa, como já tinha feito com aqueles que tentaram edificar a torre de Babel (cf. Gên 11,4)

Quando o pecado do orgulho recai sobre nossa alma, atrás dele vêm outros vícios: a avareza, as intemperanças, a inveja, a injustiça e a soberba (o pior dos pecados), pois humanamente, nos consideramos superiores a tudo eem tudo. Queremoscontinuamente ser motivo de contemplação e ao mesmo tempo desprezamos os demais.

Terceira estrofe (vv. 54-55): Proclama que Deus, teve sempre especial cuidado do povo escolhido, conforme prometera a Abraão. É Deus mesmo Se compadecendo da miséria de Israel e de todo o gênero humano.

Por fim, o maior título de glória: a Encarnação de Jesus Cristo, judeu segundo a carne (cf. Rm 1,3), e preparada desde a eternidade para a nossa salvação. Tal é o amor que Deus tem aos homens e que este amor se irradiará por toda a eternidade, que podemos conferir com as Palavras do Evangelista João, cf. Jo 3,16: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Ao finalizarmos a partilha de hoje, queremos deixar essa reflexão, para melhor entender como a Virgem Maria, no Céu, junto a Jesus, intercede por nós:

Certa vez o Senhor Deus saiu em patrulha no céu só para ter certeza de que ainda era uma cidade que funcionava.  Tudo estava bem, as folhas dos arbustos aparada, o corte da grama, as fontes limpas, o ouro e a prata e marfim polido, o shopping funcionando (É claro que eles têm um Shopping Center no céu. Onde mais eles colocam os adolescentes!). Ele parou para ouvir o “coral de anjos” cantarem e eles estavam em grande forma. Então, em uma das ruas laterais, Ele encontrou pessoas que não eram para estar no céu. Algumas delas deveriam cumprir uma pena longa no purgatório, outras não sairiam até o dia do Juízo Final, outras ainda poderiam entrar no céu apenas em recurso especial. Então ele saiu para se queixar a São Pedro:

– Você me decepcionou de novo. Pedro respondeu, segurando nas mãos às chaves do reino dos céus:
– Bem, como eles entraram? Eu não deixo aqui entrar ninguém, sem permissão.
Deus insistiu:
– Quem os deixou entrar?
Você não vai gostar, retrucou Pedro:
– Olhe para baixo e veja…
Estava lá a Virgem Maria, Mãe de Deus, em uma porta lateral a deixar todos a entrar.

Peçamos com confiança a intercessão da Virgem Maria!