Christ Blessing the Children (1652-53). MAES, Nicolaes. National Gallery, London.

Segundo anúncio da Paixão – Mc 9,30-32

30Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse. 31E ensinava os seus discípulos: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão; e ressuscitará três dias depois de sua morte. 32Mas não entendiam estas palavras; e tinham medo de lho perguntar.

Humildade e caridade dos discípulos – Mc 9,33-37

33Em seguida, voltaram para Cafarnaum. Quando já estava em casa, Jesus perguntou-lhes: De que faláveis pelo caminho? 34Mas eles calaram-se, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles seria o maior. 35Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos. 36E tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes: 37Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, a mim é que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou.

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Comentando:

Jesus Cristo se retira com os Apóstolos para lugares afastados e ali se dedica, pacientemente, a explicar os pontos que não tinham compreendido, quando pregava ao povo. Aqui se dedica, pela segunda vez, a anunciar os acontecimentos que estão próximos: Morte e Ressurreição.

Em nossa convivência com Jesus, experimentamos o seu chamado ao silêncio e à oração. Uma vez inserido neste modo de orar, Jesus nos instrui sobre seus desejos mais íntimos e sobre as exigências para sermos bons cristãos. Hoje como os Apóstolos, temos que semear esta doutrina em todos os lugares.

Na volta a Cafarnaum os discípulos discutiam entre si e Jesus irá orientá-los sobre o modo de exercer a autoridade: não como quem domina, mas como quem serve. O próprio Jesus, no desempenho de sua missão, só veio a servir.

Mas Jesus, que foi tão tolerante com aqueles homens em outras coisas, neste ponto foi taxativo: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e o servidor de todos”!

Imitar Jesus significa ter atitude de serviço abnegado e ser reto no exercício da autoridade, caso contrário estaremos expostos a ser arrastados pela ambição do poder, pela soberba e pela tirania.

Estar a frente de uma obra de apostolado é o mesmo que estar disposto a sofrer tudo de todos, com infinita caridade” (Caminho nº 951, São Josemaria Escrivá de Balaguer, …1975).

Ao abraçar carinhosamente uma criança, diante de todos, Jesus indica que o centro de sua comunidade não deve estar ocupado pelos grandes e poderosos que se impõem aos demais, a partir de cima. Em sua comunidade precisa-se de homens e mulheres que “desçam” para acolher, servir, abraçar e bendizer aos mais fracos e necessitados. Precisa-se de pessoas humildes e abnegadas.

Na criança que Jesus abraça estão representadas todas as crianças do mundo, e também todos os necessitados, desprotegidos, pobres, doentes, nos quais nada há de brilhante e destacado para alimentar.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!