Jesus Christ – detail from Deesis mosaic, Hagia Sophia, Istanbul.

Mt 5,1-12a: 1Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. 2Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo: 3Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus! 4Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra! 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados! 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia! 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! 9Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! 11Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.

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Comentando:

Celebramos hoje a festa de TODOS OS SANTOS, pois a Igreja diz que todos são chamados à Santidade: “Os cristãos de qualquer condição e estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai. Todos os cristãos são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”. (Concílio Vat. II)

Deste modo, o Evangelho de hoje quer nos mostrar os caminhos da santidade, apontando como devemos responder ao chamado de Jesus que passa em nossas vidas nos convidando a segui-Lo e dentro da liberdade que temos, qual a nossa opção?

No chamado à Santidade, a Igreja quer nos mostrar o momento de escuta e interiorização das palavras que nos serão proferidas por Jesus. Se queremos segui-Lo, ter parte com Ele, precisamos aprender a escutá-Lo. Muitos projetos se discutem nas reuniões nas quais participamos em nossas comunidades, sem o devido aprofundamento. Estamos sempre agitados, correndo, temos pressa. Mas para divulgar o Reino, nada disto se faz necessário, precisamos do silêncio interior e exterior, sentar confortavelmente e escutar o que Jesus irá falar. E Ele irá proclamar as “bem-aventuranças”, em sua essência, quer dizer “a felicidade eterna”. 

Há um silêncio! E Jesus, pausadamente começa a falar dos caminhos que nos levarão ao céu, pois o seu Reino não é deste mundo. Jesus aponta as disposições religiosas e o comportamento moral exigido para se alcançar este Reino, basta que nos esforcemos por viver o espírito e as exigências das “Bem-Aventuranças”, ou seja, ser como os pobres de espíritoos mansosos que choramos que têm fome e sede de justiçaos misericordiosos, os puros de coraçãoos pacíficos e os que sofrem perseguição

Ao escutarmos as palavras de Jesus sobre as “Bem-Aventuranças”, entendemos que elas já produzem, no tempo presente, a paz no meio das tribulações, provocando em nossas vidas, mudanças de hábito. Passamos a valorizar mais os bens espirituais do que os bens materiais. Então, se quisermos atingir a perfeição cristã, devemos viver as “Bem-Aventuranças”, na simplicidade, como falava a congregada mariana, Beata Teresa de Calcutá: “Devemos continuar a fazer o ordinário de modo extraordinário”.

Após este primeiro discurso do “Sermão da Montanha[1], partilhamos o que toca ao coração e aprofundando nas palavras de Jesus, descobrimos que:

Ser pobre de espírito: é ser humilde diante de Deus, refugiar-se em Deus sem considerar os méritos próprios, será confiar só na misericórdia divina para ser salvo.  A pobreza cristã exigirá de nós, o desprendimento dos bens materiais e austeridade no uso deles.

Os que choram: São todos os que estão aflitos por alguma causa. Aqueles, verdadeiramente, arrependidos dos pecados. “O Espírito de Deus consolará, com paz e alegria, mesmo neste mundo, todos os que choram os pecados” (Caminho, J. Escrivá de Belaguer).

Os mansos: são os que sofrem com paciência as perseguições injustas; os que nas adversidades mantêm o ânimo sereno, humilde e firme e não se deixam levar pela ira ou pelo abatimento. Geralmente, nossas irritações, procedem da falta de humildade e paz interior.

Os que têm fome e sede de justiça[2]: Esta quarta Bem-Aventurança exige que amemos e busquemos com todas as forças aquilo que nos faz justo diante de Deus: a) a frequência dos sacramentos; b) convivência íntima com Deus através da oração; c) fortaleza em cumprir os deveres familiares, profissionais e sociais.

Os misericordiosos: não são apenas aqueles que dão esmolas aos pobres, mas também, aqueles capazes de compreender os defeitos dos outros, sabendo desculpar, ajudar e amar.

Os limpos de coração: São aqueles que se deixam ajudar pela graça de Deus, e lutam continuamente para purificar seu coração. Como nos diz o Apóstolo Paulo em Fl 4,8: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, é o que deveis ter em mente”. Um homem vale o que vale seu coração.

Os pacíficos: “São os que promovem a paz”, em si mesmo, nos outros e, sobretudo os que procuram reconciliar-se e reconciliar os outros com Deus. A paz com Deus é o cume de toda paz, pois a verdadeira paz só tem aquele que já conhece a Jesus.

Os perseguidos por amor da justiça: São todos aqueles que sofrem perseguição por ser fiel a Jesus Cristo, e consegue suportar na fidelidade, não só com paciência, mas com alegria. Todo cristão que é fiel à doutrina de Jesus Cristo, pode-se dizer que é um “mártir”.

Como conclusão da partilha, após este primeiro discurso de Jesus, tem-se a certeza que a vida cristã, não é tarefa fácil, haja vista, a nossa realidade. Mas vale a pena pela plenitude de vida que o Filho de Deus promete.

Este é o caminho da santidade.

Referência: comentários da Bíblia Sagrada, da Edições Theológica, Braga, 1994.



[1] O Sermão da Montanha ocupa integralmente os capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus. As Bem-Aventuranças é o primeiro grande discurso, deste Sermão.

[2] O conceito de justiça na Sagrada Escritura é essencialmente religioso. Justo é aquele que se esforça em cumprir a Vontade de Deus.