Pintura “Adoração dos Pastores” de 1630, de Guido Reni (pintor italiano, nascido na Bolonha (Itália) em 1575 e falecido na Bolonha (Itália) em 1642). Encontra-se no Museo di San Martino (Nápoli-Itália).

Solenidade do Natal do Senhor (25/12/2012)
Aurora – Lc 2,15-20

15Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou. 16Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.17Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.18Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores. 19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração.20Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.

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Comentando:

Deus quis que o nascimento do Salvador, o fato mais importante da história humana, acontecesse sem muito alarde e que o mundo, naquele dia, continuasse a sua vida como se nada de especial tivesse acontecido. Deus apenas anuncia a uns pastores o acontecimento. Boa notícia de Deus. Hoje a Igreja é o anjo anunciador dessa Boa Nova para a humanidade; cada evangelizador faz o mesmo papel do anjo-mensageiro, que tem coisas muito boas para comunicar.

Os pastores dirigem-se a Belém estimulados pelo sinal que lhes tinha sido dado. Ao comprová-lo, contam o anúncio do anjo e a aparição da milícia celeste. E com isso, constituem-se nas primeiras testemunhas do Nascimento do Messias. “Não satisfeitos os pastores com crer na ventura que lhes tinha sido anunciada pelo anjo, e cuja realidade viram cheios de assombro, manifestavam a sua alegria não só a Maria e a José, mas também a toda a gente, e o que é mais, procuravam gravá-la na sua memória. ‘E todos os que escutaram maravilharam-se’. E como não haviam de maravilhar-se vendo na terra Aquele que está nos Céus, e reconciliado em paz o celeste com o terreno; aquele inefável Menino, unindo em Si o que era celeste pela Sua divindade com o que era terreno pela Sua humanidade e fazendo nesta união uma aliança admirável? Não só se admiram pelo mistério da Encarnação, mas também pelo grande testemunho dos pastores, que não podiam inventar o que não tivessem ouvido e tornam pública a verdade com uma eloqüência simples” (Fócio, Patriarca de Constantinopla – †890 ou 895).

A pressa dos pastores é fruto da sua alegria e do grande desejo de ver o Salvador. Comenta Santo Ambrósio (†397): “Ninguém busca Cristo preguiçosamente”. O Evangelista já observou antes que Nossa Senhora, depois da Anunciação, se apressou a visitar Santa Isabel (Lc 1,39). A alma que deu entrada a Deus no seu coração vive com alegria a visita do Senhor e esta alegria dá asas à sua vida.

O versículo 19, diz muito de Maria Santíssima. Maria é apresentada, serena e contemplativa diante das maravilhas que se estavam a cumprir no nascimento do seu divino Filho. Maria penetra as maravilhas com olhar profundo, pondera-as e guarda-as no silêncio da sua alma. Maria Santíssima, mestra de oração! Se a imitarmos, se guardarmos e ponderarmos nos nossos corações o que ouvimos de Jesus e o que Ele faz em nós, estamos a caminho da santidade cristã e não faltará na nossa vida nem a doutrina do Senhor nem a Sua graça.

Fonte: Bíblia Sagrada, Santos Evangelhos, Edições Theológica, Braga (Pt), 1994