BONIFACIO VERONESE. Adoration of the Shepherds (1523-25). The Hermitage, St. Petersburg.

Lc 2,16-21: “Maria meditava todas as coisas em seu coração”.

16Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. 17Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.18Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.19Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração. 20Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito. 21Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.

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Comentando:

Todos têm pressa de ver o Salvador, pois a boa nova se espalhava. Hoje, Jesus está no Sacrário das Igrejas e não raro, as pessoas o ignoram. As novidades são a tecnologia, os ganhos financeiros, para isto todos correm, todos tem pressa. Quem passa uma semana de trabalho, sabe quanto é o stress para se conseguir manter o sustento da vida. Que nunca, nos falte à pressa dos pastores, que é fruto da alegria em poder ver o Salvador.  Como dizia Santo Ambrósio († 397): “Ninguém busca Cristo preguiçosamente”. Uma prova disto nos foi narrada pelo próprio São Lucas, pois, após a Anunciação do Anjo, Maria vai apressadamente visitar sua prima Isabel (cf. Lc 1,39).

Aqueles, que tem Maria como modelo, procuram imitá-la em suas virtudes. Aqueles consagrados a Virgem encontram com bondade, refúgio para Deus no seu próprio “coração”, daí viverá com alegria a visita do Senhor e esta alegria dará asas a sua vida.

Os pastores não param de falar, ficam alegres e começam a narrar tudo o que ouviram a respeito do menino. Também, nada temos que falar, mas muito a ouvir. Aprender a ouvir e aprender com Maria que guardava todas as coisas em seu coração. Vemos Maria contemplativa, serena, observando tudo com um olhar profundo, ponderando as coisas e guardando tudo no silêncio de sua alma. Maria é mestra de oração! Se a imitarmos, se com ela aprendermos a guardar e ponderar em nossos corações o que ouvimos de Jesus e o que Ele faz em nós, estaremos a caminho da santidade cristã e não faltará na nossa vida a Sua graça.

Os pastores saem do encontro, alegres, voltam cantando e como conheciam o que falavam os profetas, tudo vai se confirmando. Algo novo aconteceu. Agora, que vamos iniciar um novo ano, porque não procurar imitar Maria, que tal um encontro para confirmar o chamado de Deus, que tal se consagrar a Nossa Senhora e vir participar de uma Associação de fiéis leigos que este ano completará em 25 de março 450 anos de existência?

Jesus foi circuncidado oito dias após o seu nascimento. Na carta aos Filipenses, Paulo menciona sua própria circuncisão para demonstrar que era um verdadeiro israelita e vemos em At 16,3 pedir a Timóteo que seja circuncidado. No NT, os judeus-cristãos propuseram a necessidade da circuncisão para os convertidos do paganismo (At 15,1ss), daí nascendo uma grave controvérsia. Finalmente, o Concílio de Jerusalém decidiu contra a necessidade da circuncisão para os gentios convertidos (At 15,28s). Evidentemente, o partido judaico não gostou da decisão: a questão ainda foi discutida por Paulo em Gl e Rm, tornando-se para ele uma oportunidade para proclamar a eficácia da morte redentora de Cristo e a liberdade do cristão em relação a esta observância. (cf. John L. Mackenzie, Dicionário Bíblico, verbete: circuncisão).

O nome de Jesus significa “Yahweh salva” ou “Yahweh é salvação”, isto é “Salvador”. Este nome foi imposto não por disposição humana, mas para se cumprir o que o arcanjo tinha ordenado da parte de Deus à Maria Santíssima e a São José (cf. Lc 1,31; Mt 2,21).

Importante será para cada um de nós, o entendimento, de que temos que “fazer novas todas as coisas”, nesse ano que se inicia, inclusive em relação a nossa fé. Passar a contemplar a cena da Encarnação do Filho de Deus e descobrir que o seu fim é a Redenção de todos os homens, por isto Jesus é o Salvador.

Ao participar da Santa Missa na Paróquia São Francisco Xavier em 01.jan.2011, dia em que celebramos também, o Dia Mundial da Paz, foi interessante, a homilia proferida pelo Pe. Jose Li Guozhong, sobre a Paz. – “Quando transmitimos a Paz a uma pessoa, não é a minha Paz que estou passando, nem a Paz de outrem, mas a Paz do próprio Deus, a Paz do Cristo, o Príncipe da Paz”. Desta maneira, quando no “Abraço da Paz“, em cada celebração, desejamos a Paz a quem está ao nosso lado, estamos desejando a Paz de Cristo. Mas, para que isto aconteça, precisamos estar abertos a Jesus, pois, como diz a canção: “a alegria está no coração de quem já conhece a Jesus e a verdadeira Paz, só tem, aquele que já conhece a Jesus”.

O Dogma da Maternidade Divina, poderá ser aprofundado no artigo a seguir, já publicado neste Blog, em: O dogma da Maternidade Divina.