Adoration. Master of the Vienna Adoration (1410). Tempera on lindenwood, Szépmûvészeti Múzeum, Budapest.

Mt 2,1-12: “Vimos sua estrela e viemos adorá-lo”.

Depois do Evangelho ou após a oração depois da comunhão: O celebrante faz o Anúncio Solene do Dia da Páscoa.

1Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. 2Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo. 3A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele. 4Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo. 5Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo(Miq 5,2). 7Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exata em que o astro lhes tinha aparecido. 8E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo. 9Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. 10A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria. 11Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.

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Comentando:

A Epifania está entre as festas mais ricas do Ano Litúrgico. É a manifestação do Senhor a todos os povos, representados pelos Magos do Oriente. É a festa da nossa vocação à fé em Cristo Jesus. (cf. Fr. Alberto Beckhäuser, OFM).

Pegando um gancho na história, conforme nos narra Flavio Josefo, escritor judeu do século I, vamos identificar os personagens:

Quem era o rei Herodes? – O Novo Testamento fala de quatro Herodes. O primeiro, Herodes, o Grande, mencionado nos versículos acima. O segundo, seu filho, Herodes Antipas, que mandou degolar João Batista (Mt 14,1-12) e que ultrajou Jesus durante a Paixão (Lc 23,7-11). O terceiro, Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grandes, que mandou matar o Apóstolo São Tiago, o Maior (At 12,1-3), que meteu no cárcere Pedro (At 12,4-7), e que morreu repentinamente e de modo misterioso (At 12,20-23). O quarto, Herodes Agripa II, filho do anterior, perante quem São Paulo, prisioneiro em Cesaréia Marítima, se defendeu da acusação dos judeus (At 25,23).

Herodes, o Grande, era filho de pais não judeus; tinha conseguido reinar sobre estes com a ajuda e como vassalo do Império Romano. Desenvolveu uma grande atividade política e, entre outras coisas, reconstruiu luxuosamente o Templo de Jerusalém. Sofreu de mania de perseguição, vendo por toda parte competidores da sua realeza; célebre pela sua crueldade, matou a maioria das dez mulheres que teve, alguns filhos e bom número de pessoas influentes na sociedade do seu tempo.

E os Magos? – São os possuidores do conhecimento oculto, que aqui é implicitamente identificado com a astrologia. Sua vinda do Oriente é vaga, mas provavelmente deve ser entendida como da Babilônia, que nos tempos do NT era por tradição a pátria da astrologia. Por não serem judeus, são como que as primícias dos gentios que receberão o chamado de Cristo. A estrela que os Magos seguem, é descrita como evento miraculoso, estando, portanto, além de qualquer interpretação astronômica. A piedade popular acrescentou à história, desde a alta Idade Média, certos detalhes, como o número de três (com base nos dons), a transformação dos astrólogos em reis (cf. Sl 72,10; Is 60,6), os nomes dos três (Gaspar, Melquior e Baltasar) e sua relação com certos países. Esses detalhes não possuem fundamento bíblico. (cf. J.L. Mackenzie, Dicionário Bíblico, Paulus, 2003, verbete: Magos).

Deus chama os Magos, por algo que era familiar a eles: uma “estrela grande e maravilhosa”. Da mesma forma Deus nos chama, no meio das ocupações diárias da vida. Muitas vezes não prestamos a devida atenção. No AT, há o exemplo de Moisés, que é chamado quando pastoreava o rebanho (Ex 3,1-3), o profeta Eliseu, quando lavrava a terra com seus bois (1Rs 19,19-20), chamou Amós, quando cuidava de seu gado (Am 7,15). Do mesmo modo, no NT, chamou Pedro, André, João e Tiago, junto das redes; Mateus, na cobrança de impostos. E Paulo, no seu afã de acabar com a semente dos cristãos. “Também, nós sentimos, que pouco a pouco, em nossa alma se acendia uma luz nova, o desejo de ser cristão em plenitude, o desejo, por assim dizer, de tomar Deus a sério” (J.M. Escrivá, Cristo que passa, nº 32).

Neste tempo, encontrava-se amplamente difundido em todos os ambientes judaicos, a vinda do Messias, que seria maior que Davi. Herodes rei dos judeus e com o apoio dos romanos, via nesta vinda do Messias-Rei uma ameaça ao seu trono.

Herodes convoca todos os Príncipes dos Sacerdotes e Escribas. Conforme nos mostra o AT, em Ex 24,1-9 e Nm 11,16: – O Sinédrio compunha-se de 71 membros, presididos pelo sumo sacerdote, escolhidos entre o povo judaico: 1º) Os príncipes dos sacerdotes, quer dizer, os chefes das principais famílias sacerdotais, onde dentre eles se escolhia o sumo sacerdote; 2º) Os anciãos: chefes das principais famílias; 3º) Escribas: doutores da lei, que cuidavam das questões legais e religiosas; a maior parte destes escribas pertencia ao partido dos fariseus.

No verso quatro, só se mencionam o 1º e 3º destes grupos que compunham o Sinédrio: isso é lógico, pois o grupo dos anciãos não era entendido no assunto do nascimento do Messias, que era uma questão eminentemente religiosa. (cf. Bíblia Sagrada, Ed. Theológica, Braga, 1994).

É de notar que a profecia de Miquéias, que a tradição judaica interpretava, aponta Belém, como lugar exato do nascimento do Messias. Mais, uma vez, o Livro Sagrado nos ensina que em Jesus Cristo se cumprem as profecias do Antigo Testamento.

Herodes quer saber com exatidão, onde estava o Menino, para livrar-se d’Ele, pois a visão de Herodes era somente política. Não queria perder o seu trono. Mas, os desígnios de Deus são maiores que os cálculos de Herodes, por isto, devemos nos deixar envolver pelo “Amor de Deus”, às vezes a resposta não vem à hora, mas demora, mas com fé, devemos saber esperar em Deus, de onde provém, toda sabedoria e poder para realizar a salvação.

Quase sempre por nossa culpa, em certos momentos de nossa vida interior, acontece em nós o que aconteceu na viagem dos Reis Magos (v.9): a estrela oculta-se. Que devemos fazer então? Seguir o exemplo daqueles homens santos: perguntar. Mas, nós cristãos, não temos necessidade de perguntar a Herodes ou aos sábios da Terra. Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, os Sacramentos; e providenciou pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho”. (J.M. Escrivá, Cristo que passa, nº 34).

Quando os Magos veem a estrela se enchem de alegria. Assim deve ser a vocação cristã: se não se perde a fé, se mantém a esperança em Jesus Cristo que estará conosco até o final dos tempos (Mt 28,20). É bom, refletirmos sobre a nossa vocação, como ela está? Insistente como os Magos, que não desistem até encontrá-la? – Cremos Senhor, mais aumentai a nossa fé.

Os Magos chegam se prostram e adoram o Menino, oferecem ouro, incenso e mirra, “o primeiro como a Deus, o segundo como a rei e o terceiro como Àquele que buscou a morte por nossa causa”. (Cf. Gregório de Nazianzo († 389). – E o que vamos oferecer nesta hora Senhor?

Ao final, os Magos são avisados por um anjo, a voltarem por outro caminho. Vemos por parte deles a obediência e cooperação com os Planos de Deus. Da mesma forma, devemos ser dóceis até o fim em nossa missão, confiada por Deus. Ainda que precisemos modificar os planos pessoais.