Tissot, James. Brow of the Hill Near Nazareth (1886-1894), Brooklyn Museum, New York, United States.

Lc 4,21-30 – “Não é este o filho de José?

21Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir. 22Todos lhe davam testemunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José? 23Então lhes disse: Sem dúvida me citareis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria. 24E acrescentou: Em verdade vos digo: nenhum profeta é bem aceito na sua pátria. 25Em verdade vos digo: muitas viúvas havia em Israel, no tempo de Elias, quando se fechou o céu por três anos e meio e houve grande fome por toda a terra; 26mas a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. 27Igualmente havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu; mas nenhum deles foi limpo, senão o sírio Naamã. 28A estas palavras, encheram-se todos de cólera na sinagoga. 29Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo. 30Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se.

Comentando:

Contemplamos hoje, a continuação da proclamação do Evangelho do domingo anterior, onde Jesus ao apresentar seu projeto, anuncia para o que veio neste mundo: libertar aos cativos, devolver a vista aos cegos, anunciar a boa nova aos pobres (Lc 4,18-19). Mas, esta proposta provoca admiração de uns e forte oposição de outros.

O Evangelista Lucas, quer apresentar os conflitos que a missão de Jesus sofre, desde o início de sua atividade e, estes conflitos O acompanharão em toda Sua vida pública e serão os mesmos que o levarão a morte em Jerusalém.

Jesus oferece o tempo inteiro à salvação, que precisa ser “acolhida” e “hoje” a proposta continua na realidade da vida, a proposta se atualiza: “Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir” – Mas, porque o povo de Nazaré rejeita a Jesus? Eles se perguntam: “Não é este o filho de José?“. Não conseguem enxergar no filho do carpinteiro o Messias prometido.

Para aquele povo era impossível que Deus agisse através de uma pessoa humilde e pobre, igual a eles, sem nada extraordinário. E Deus se revela na fragilidade e pequenez humana. Sem gozar de privilégios desde o nascimento até a morte.

O povo busca sinais miraculosos, e diante de Jesus se desconcerta. Dizem: “Médico, cura-te a ti mesmo; todas as maravilhas que fizeste em Cafarnaum, segundo ouvimos dizer, faze-o também aqui na tua pátria”. Mas, Jesus se recusa, pois Ele é o enviado do Pai e quer do povo a fé, a confiança e entrega a sua pessoa humilde que traz a boa noticia do Amor de Deus aos pobres e pequenos.

Então! Que imagem de Jesus você têm? Em que se baseia a sua fé?

Mas, Jesus parece não se preocupar com a incredulidade do povo de Nazaré, e identificando-se com os antigos profetas, prediz que sua missão não se reduz ao povo de Israel, estende-se a outros povos.

Como Elias e Eliseu, sente-se orientado para os pobres, cegos, cativos e para aqueles que estão fora de Israel, desta maneira Jesus confronta seus concidadãos, rompendo com aquele nacionalismo exacerbado.

Mas, os ouvintes da sinagoga sentem-se ofendidos com a pregação de Jesus e reagem com violência: “Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade”, e tentam precipitá-lo do alto de um monte. Mas, Jesus nada teme: “passando pelo meio deles, continuou o seu caminho”.

Sigamos o exemplo de Jesus, que não fica preso no sofrimento da rejeição, continua, pois sabe que ainda tem muito que fazer: os pobres o esperam e a sua missão o motiva a seguir.

E você está parado ou a caminho? – Vamos seguir, o exemplo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs: “Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus”. (Hb 12,1).