LOTTO, Lorenzo. Transfiguration (1511). Pinacoteca Civica, Recanati.

Lc 9,28b-36– “Mestre, como é bom estarmos aqui”.

28bJesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. 29Enquanto orava, transformou-se o seu rosto e as suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 30E eis que falavam com ele dois personagens: eram Moisés e Elias, 31que apareceram envoltos em glória, e falavam da morte dele, que se havia de cumprir em Jerusalém. 32Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono; ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois personagens em sua companhia. 33Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse: Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias!… Ele não sabia o que dizia. 34Enquanto ainda assim falava, veio uma nuvem e encobriu-os com a sua sombra; e os discípulos, vendo-os desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor. 35Então da nuvem saiu uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o! 36E, enquanto ainda ressoava esta voz, achou-se Jesus sozinho. Os discípulos calaram-se e a ninguém disseram naqueles dias coisa alguma do que tinham visto.

Comentando:

O Evangelho de hoje nos fala de um Jesus que saiu para orar e levou consigo três de seus discípulos e, no silêncio da oração, Jesus se transfigura e surgem dois personagens do Antigo Testamento, envoltos em glória: Moisés e Elias, que falam da morte de Jesus.

Como os discípulos dormiram, ao acordar, se deparam com a glória de Jesus, onde veem Moisés e Elias. Em seguida, os personagens saem de cena e fica somente Jesus, quando Pedro toma a iniciativa e pergunta ao Mestre: “É bom estarmos aqui e podemos levantar uma tenda para cada um de vocês”. Mas, antes que se tenha qualquer resposta uma nuvem cobre Jesus e os três discípulos e estes ficam com grande pavor e da nuvem sai uma voz, que diz: “Este é meu Filho muito amado, ouvi-o!” E, os discípulos se calaram e nada falaram do que viram, por aqueles dias.

O Evangelho fala a cada um de nós de como deve ser a nossa oração: profunda, pessoal e dialogal. Contendo estes três elementos, conseguimos nos transfigurar, mudar de vida, deixar nossas mesmices e procurar com objetividade aquilo que queremos. Não é fácil, devido a nossas correrias de cada dia, mas precisamos fazer esta experiência de sentir a presença de Jesus e deixar que Ele nos modifique a cada dia, nos faça pessoas mais humanas.

No diálogo que há entre Moisés, Elias e Jesus. Um representando a lei, outro os profetas, que é toda caminhada do Antigo Testamento que agora se desemboca no Novo, que é Jesus. Falam da Morte, mas apresentam a glória. Este é o grande ensinamento que tiramos, ao nos deixar transfigurar em algo novo, deixar se levar pelo Espírito Santo, nos colocamos nesta dinâmica da glória, onde a morte é apenas uma passagem. Podemos morrer para o pecado, podemos morrer para tudo aquilo que não me leva para Deus. E olha que são muitas as ofertas, mas tomando esta “opção de vida”, ou seja deixar morrer em nós o homem pecador, estaremos vivendo bem esta quaresma.

A iniciativa de Pedro, perante João e Tiago, talvez por ser o mais velho, querendo montar uma tenda para cada um (Jesus, Moisés e Elias) e dizendo como é bom estar na “glória”, não se conclui, pois aparece a cena da presença da nuvem, com a voz que sai da mesma, afirmando que devemos ter os olhos fixos em Jesus, pois Ele e o Pai são Unos, assim como a sombra que os envolve, representa o Espírito Santo, formando a melhor Unidade que é Trinitária, e ali nos colocamos no coração da Trindade. O Pai (a voz), o Filho (presente) e o Espírito Santo (nuvem) e junto a tudo isto Pedro, Tiago e João (a Igreja). Tudo isto é a Glória.

Colocar-nos no coração da Trindade, este é o encontro que precisamos ter, para Escutar a voz do Pai, viver a humanidade do Filho e se deixar se levar pelo Espírito. E desta forma, seguindo os discípulos, ser comunidade.

Mas, perante a tamanha demonstração da glória a que somos convidados a participar e vivendo este tempo da quaresma, que é de reflexão da nossa caminhada cristã, como não agradecer ao Pai, ao Filho e ao Espírito por este amor que a Trindade Santa tem por cada um de nós.

Como resposta, podemos viver melhor a missão que nos foi confiada: na Família, trabalho, bairro e em qualquer ambiente que estejamos, pois “uma alma que eleva, eleva o mundo” (Elizabeth Leseur).

Continuemos objetivamente nossa Quaresma.