Milles, Carl .God’s Hand (1949-1953), a tribute to Frank Murphy, stands outside the Frank Murphy Hall of Justice in downtown Detroit.

Lc 13,1-9– “Talvez ela dê fruto no futuro”.

1Neste mesmo tempo contavam alguns o que tinha acontecido a certos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. 2Jesus toma a palavra e lhes pergunta: Pensais vós que estes galileus foram maiores pecadores do que todos os outros galileus, por terem sido tratados desse modo? 3Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo. 4Ou cuidais que aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém? 5Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo. 6Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. 7Disse ao viticultor: – Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? 8Mas o viticultor respondeu: – Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. 9Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás.

Comentando:

O Evangelho de hoje nos apresenta, Jesus discursando aos que o seguem, explicando que as desgraças não são castigos, pois o povo falava de alguns galileus que foram mortos por Pilatos. Então, Jesus começa a falar em parábolas para facilitar o entendimento do povo. Fala daqueles 18 que morreram na Torre de Siloé. Tanto estes galileus como estes de Siloé, são iguais a cada um de nós. Continua Jesus: O que quero de vós é que se arrependam da vida que vocês levam, mude de vida, dê uma chance a Palavra de Deus na vida de vocês, para que haja uma mudança. Jesus, agora, faz uma comparação de uma “figueira” plantada em uma vinha, que um homem havia plantado, mas esta “figueira” nunca dava fruto. Então, o viticultor pede uma chance, diz que irá adubar, cavar em volta, caso persista em não dar fruto, ele mesmo (o viticultor) irá arrancá-la.

O tema central deste Evangelho é a chamada a conversão, que é ação de mudança ou de um movimento que nos faz voltar ao nosso objetivo; uma mudança brusca de vida, tal qual aconteceu com São Paulo, pois a conversão e o batismo de Paulo significam que ele descobriu seu verdadeiro e justo lugar na vida de Israel. Tenho certeza que poderemos identificar os nossos objetivos, mas nossos questionamentos nos fazem balançar, deixando dúvida sobre o verdadeiro arrependimento.

O arrependimento é um pesar sincero de algum ato ou omissão. A quaresma nos aponta para a mudança deliberada, ou seja, algo que deve sair de nosso interior para melhor. Se quisermos “recomeçar a partir de Cristo” (DAp nº 12), precisamos desta virada, precisamos fortalecer este encontro.

A graça que devemos pedir ao longo desta semana são: 1) Detestar os pecados que mais me afetam; 2) Que seja identificado em mim as desordens que o pecado traz, que eu me corrija e me coloque em ordem; 3) Que consiga evitar as vaidades do mundo, detestando-as me afaste.

Mas Jesus é tremendamente paciente, sempre nos dá uma nova chance, por isto precisamos desta parada, para identificar esta chance que nos é dada, como aquela figueira que é plantada na vinha que nunca dá fruto, a Quaresma será este adubo (o cavar em volta) que o viticultor (Jesus), quer fazer com cada um de nós. Esta é a oportunidade que nos é dada, às vezes quantas oportunidades nos são apresentadas e ficamos sentados na praça, vendo a banda passar cantando coisas de amor, e reclamando da vida, e falando mal do outro.

O texto nos diz: adube sua vida com o odor do Espírito e deixe a Trindade Santa te conduzir para as verdes pastagens, onde os frutos serão abundantes.

Aproveitemos o tempo da Quaresma para uma boa confissão! Como prova de arrependimento, e, ao estar com o sacerdote, não tenhamos medo de nos abrir e falar com sinceridade, deste arrependimento, desta mudança, do que esperamos encontrar com esta mudança. Mas, sabemos, que apesar de tudo, continuaremos ser tentados, provocado pelo inimigo.

Vamos assumir um compromisso de conversão em nossas vidas, pelo menos tentemos um esforço para deixar de lado às vaidades do mundo, os pequenos embates, as rixas, discussões, para que consigamos dar frutos.

Que a graça de Deus seja o verdadeiro adubo desta Quaresma, que este adubo penetre os espaços escavados neste tempo, para que ao final consigamos ser mais que vencedores.

Podemos concluir com os dois últimos versos da canção “Coração de Estudante” de Milton Nascimento

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor e fruto.

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração,
Juventude e fé.