Prodigal Son. Murillo, Bartolomé Esteban (1667-1670). National Gallery of Art, Washington D.C. – United States.

Lc 15,1-3.11-32 – “Preparemos um banquete, pois este meu filho estava morto e tornou a viver”.

1Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! 3Então lhes propôs a seguinte parábola: 11Disse também: Um homem tinha dois filhos. 12O mais moço disse a seu pai: Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres. 13Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. 14Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. 15Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. 16Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome! 18Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; 19já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados. 20Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21O filho lhe disse, então: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. 23Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. 24Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. 26Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. 27Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo. 28Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. 29Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. 30E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo! 31Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

Comentando:

No Evangelho deste domingo, contemplamos Jesus observando as pessoas que escutam sua pregação, além dos discípulos, estavam publicanos, pessoas das aldeias, pecadores, fariseus, escribas, sendo que as duas últimas classes murmuravam entre si sobre a forma de ação de Jesus, pois se misturava ao povo e conversava com todos, causando espanto.

Vemos Jesus conversar com todos, sem distinção de classe ou categoria de pessoas, da mesma forma não podemos ficar escolhendo pessoas ou a quem devemos nos dirigir. Precisamos praticar esta abertura em nosso coração e deixarmos de ficar rotulando as pessoas antes de conhecê-las. Precisamos estar atentos para captarmos o que está por trás das palavras de sabedoria, que vem do Senhor Jesus. Pois, Ele vê a situação dos que O acompanham e sente a fraqueza humana, e expõe a parábola, para que todos compreendam as situações que passamos em nossas vidas e como devemos agir para com os nossos próximos.

Diante do número de pessoas a sua volta e do que comentavam.  Jesus propõe a parábola do Pai Misericordioso: Que fala de um Pai que possui dois filhos, onde o filho mais moço faz uma proposta, pedindo a parte da herança que cabe a ele. Mediante a proposta, o Pai acata e divide a herança e dá ao filho mais novo o que pedira.

Com a herança na mão, o filho mais moço juntou tudo o que tinha e partiu para um país distante e lá experimentou todas as possibilidades da vida mundana, gastando todo o dinheiro que recebera. Mas, logo, sobreveio aquela região uma grande crise e a miséria se agravou e o filho mais moço, que tudo havia gasto, começou a passar por grande necessidade.

Na necessidade, o filho mais moço procurou emprego e a única coisa que conseguiu, foi trabalhar como serviçal de um homem que possuía um sítio, onde foi cuidar dos porcos e em face da necessidade que passava, devido à miséria na qual estava inserido, queria comer até as comidas que davam aos porcos, mas nem isto conseguia comer, porque ninguém dava a ele aquela comida que era endereçada aos porcos. Tamanha era a penúria que passava.

De repente, parou e refletiu sobre a miséria que estava passando, lembrou-se do que tinha em sua casa e de como o seu Pai tratava os empregados. Lá ninguém passa fome. Então ele comparou o que possuía na casa de seu Pai e o que ele possui hoje, só fome e miséria. Bateu um arrependimento e lembrou-se de seu Pai, sua vida, sua casa, resolveu voltar e disse para si mesmo, quando encontrar meu Pai lhe direi: “Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos seus empregados”.

Voltou, arrependido e decepcionado, no caminho, ainda longe, seu Pai o vê e cheio de compaixão vai ao encontro do filho que estava perdido, e o abraçou fortemente, o beijou. No encontro com o Pai, o filho perdido demonstra todo o seu arrependimento e diz ao Pai aquilo que prometera a si: “Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”. Após estas palavras, o Pai vendo a situação e o estado que seu filho se encontrava, chamou os empregados mais próximos e pediu para trazer a melhor roupa, calçados e um anel. Pediu para pegarem um novilho gordo e preparar um banquete, pois, dizia o Pai: – “este meu filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi achado”. Façamos uma festa!

Em paralelo a este encontro, vemos outro desafio para o Pai. Pois no momento do encontro entre o Pai e o filho mais moço, o filho mais velho estava no campo e ao se aproximar da casa, ouviu barulho de festa, com músicas e danças e chamando um dos empregados da fazenda perguntou: – o que acontecia na casa? Então, o empregado explicou que seu irmão mais novo, que havia saído, retornou, e, seu Pai estava feliz por tê-lo visto são e salvo, por isto faz a festa. Neste momento, bateu um forte ciúme no irmão mais velho, ficando com muita raiva do que estava vendo e não quis participar da festa. Mas o Pai misericordioso vai até o filho mais velho, e insiste para que ele entre na casa e participe da festa. O filho mais velho, muito chateado, responde ao Pai, dizendo que já o serve há muito tempo, nunca o desobedeceu, e nunca fui premiado com uma festa, bem mais simples do que esta. Isto é um absurdo! Agora volta este meu irmão, que só fez coisas erradas, gastou seu dinheiro e andou com prostitutas e você manda matar logo um novilho gordo. Que coisa hein!

O Pai respondeu ao filho mais velho: “Meu filho você está sempre comigo, tudo o que é meu é teu. Você não acha que tínhamos que festejar o retorno de seu irmão, ele estava morto e voltou a viver, tinha se perdido e se encontrou”.

No Evangelho de hoje, destacamos três atitudes para nossa contemplação: a) Atitude do Filho mais moço; b) Atitude do filho mais velho; c) Atitude do Pai.

a)   Quantas vezes agimos como o filho mais moço, achando que tudo podemos e conseguimos alcançar com facilidade. Basta termos dinheiro. Mas, como diz o cantor e compositor Paulinho da Viola: “Dinheiro na vão é vendaval…”. Precisamos treinar muito em nossa vida este alerta de Jesus, de achar que tudo podemos pelas nossas próprias forças e sabedoria. Não somos nada, não temos nada, apenas somos servos inúteis. O maior ensinamento que este filho nos passa é o do arrependimento. Precisamos cultivar este ensinamento de retorno, e agora nesta quaresma, o tempo é propício para esta reflexão. Arrependermos de nossas falhas e retornar para aquilo que fomos criados. Mas, devemos, retornar e não voltar ao pecado. Este filho pode até cometer outros pecados, mas este de sair de casa e ganhar o mundo, jamais o fará; Sempre é bom lembrar, para que fomos criados: – para, louvar, reverenciar e amar a Deus.

b)   A atitude de inveja do irmão mais velho nos coloca mais vulneráveis perante as coisas do mundo, pois se não somos o centro da atenção, agimos como este irmão, somos acometidos da inveja, e a inveja faz muito mal ao coração e a nossa vida. Precisamos nos curar desta doença, e sermos abertos aos elogios que são feitos a pessoas próximas e não se preocupar em ser “eu” o centro das atenções. Agir com simplicidade e indiferença a tudo o que nos cerca. Se o Pai faz algo que julga importante para agradar ao irmão que retorna de uma vida perdida, porque temos que nos preocupar, se já estamos no caminho da obediência, cumprindo nossos deveres? Que esta Quaresma, nos mostre este olhar, ser indiferente às coisas do mundo e nos cercarmos daquilo que realmente nos anima e nos dá força.

c)   A atitude do Pai misericordioso é a atitude de Jesus, para com cada um de nós. Devemos sempre retornar a casa do Pai, pois Ele sempre nos espera de braços abertos, nos acolhendo, pois Ele é manso e humilde de coração Ele é o centro e o equilíbrio de nossas vidas. Escutar sua palavra, o que Ele nos diz, nos dá coragem e ânimo para continuar servindo à nossa Igreja.

O Pai acolhe ambos os filhos, tem um coração misericordioso e representa o amor de Deus. Não importa o tamanho de nossos pecados. O que necessitamos? – Será de vez em quando dar uma parada em nossa vida, e refletir como ela anda. Assim como a Igreja nos chama para este propício momento da Quaresma, para no silencio da oração, encontrarmos conosco mesmo e a partir deste encontro, confrontar a nossa vida com a dos irmãos da parábola e verificar que a melhor coisa que preciso fazer é deixar-me ser acolhido pela misericórdia do Pai.

Ao contemplarmos esta parábola, tenhamos a vida verdadeira, vida de conversão, vida de entrega ao irmão, que é nosso próximo. Não importando com o que as pessoas pensem, vamos tentar fechar nesta semana aquelas pendências que temos, que sempre deixamos para depois. O texto nos mostra, que só temos sentido se estamos totalmente voltados ao nosso Pai celeste, onde podemos conseguir conforto, alegria, inclusão. Pois no Pai, todos somos um, todos somos irmãos e que na Trindade somos a melhor comunidade.