O candidato ao EE (Exercício Espiritual), tanto no retiro como no EVC (Exercício na Vida Cotidiana), não pode partir do equívoco, julgando que os EE signifiquem apenas à oração no silêncio.

Na primeira linha do livro dos EE, Santo Inácio explica o que vem a serem realmente os EE: “Modo de examinar a consciência, de meditar, de contemplar, de orar vocal e mentalmente, e de outras operações espirituais” (EE,2).

Nos EVC esta citação é reveladora. Indica que toda a vida, mediante o “exame”, tem sabor espiritual, nos pode dar gosto de Deus. Isto significa que toda a nossa caminhada pode-se transformar em exercício, e, para quem faz os EVC, este ponto é base central.

É importante o diálogo exercitante e acompanhante, pois o segundo precisa levar ao primeiro a este tipo de exame. Pode até ser útil ao acompanhante apresentar ao exercitante as duas primeiras regras de discernimento (EE 329-330), para que aprenda a constatar a quantidade de vivências e sentimentos que se lhe cruzam ao longo de um dia. Nosso coração é como um aeroporto onde diariamente pousa e decola grande quantidade de moções. Mas, a atenção precisa estar preparada, para descobrir as moções, pois, umas podem ser construtivas (do bom espírito) e outras destrutivas (do mau espírito).

O acompanhante na primeira entrevista, já deverá orientar o exercitante, a ficar atento aos movimentos internos, ao longo da complexidade do seu dia a dia, para que seu exame, na oração esteja atento à vida que nos toca.

by Francesc Riera i Figueiras,SJ 
Itaici: Revista de Espiritualidade Inaciana 85(2011)