Nos EVC, exercitante e acompanhante, no início não se conhecem o suficiente, mas a partir do primeiro diálogo, iniciam a relação e será bom que se realize o “pressuposto” indispensável de conhecerem-se, aceitarem-se e assegurar a capacidade de diálogo (EE 22). Este é o período de se conhecerem mutuamente e conhecerem também o método dos EVC e das possibilidades reais do exercitante. Após este período decidirão se levarão a frente os EE (Exercícios Espirituais).

Neste período inicial o acompanhante pode oferecer ao exercitante algumas propostas simples:

a)     Três modos de orar (EE 238-260);
b)    Exame geral do dia (EE 43);
c)     Exame particular (EE 24-31).
 

Mais futuramente, quando chegarmos a momentos longos de oração, o acompanhante oferecerá matérias diversas; então o acompanhante deverá estar mais próximo do exercitante, com possibilidade de conhecer um pouco mais o fio de sua vida.

O padre Francesc Riera i Figueiras,SJ, oferece um itinerário em quatro momentos, que irá proporcionar, relaxamento e paz ao exercitante, para bem poder caminhar pelos EE.

  1. Encontro com o Deus da natureza: Ajudará o exercitante a ir crescendo na capacidade de silenciar e da gratuidade; irá aprender a contemplar a natureza, buscando paz e a sintonia com ela. Se tiver oportunidade, o exercitante deverá passear em paz, em locais amplos, parques, montanhas, para apreciar a natureza. Neste ambiente, deverá saborear os Salmos, alguns textos do Gênesis e o Prólogo do Evangelho de João.
  2. Encontro com Deus na minha história: O exercitante deverá passar o álbum de fotos da sua vida, aonde chegará a descobrir (como os israelitas no deserto), que sua história “profana”, ao fugir do Egito, era história “sagrada”, história de Deus com eles. História de salvação. Deve descobrir, que a sua história como a dos hebreus, é “Bíblia”. Deve reconhecer e gozar profundamente do Espírito libertador, no meio das luzes e trevas de sua vida. Pode ajudar a leitura do Sl 139(138).
  3. Encontro com o Espírito Criador: O exercitante deverá estar em paz no hoje do mundo real, tão complexo; deverá olhar este mundo com atenção; deverá começar os Exercícios “situado” no mundo e que não precisa fazer um EVC (Exercício na Vida Cotidiana) recluso numa clausura; deverá descobrir nas luzes e trevas deste mundo, o Espírito criador que luta pelo Reino; deverá aprender a crer que “outra globalização” é possível.
  4. Encontro com a utopia de Deus: O exercitante deverá se entusiasmar com o Projeto do Reino de Jesus (Mc 1,14-15), que Inácio sistematiza no Princípio e Fundamento (EE 23). O “Princípio e Fundamento” é uma magnífica fotografia de Jesus, ante a qual o exercitante não se “culpabiliza”, mas que lhe faz brotar do coração a humilde e amável petição do cego, do leproso, do paralítico… “Senhor, que eu veja, que eu fique limpo, que eu possa caminhar…”. Assim o “Principio e Fundamento” se converte em “desejo profundo”, o exercitante descobre nele sua verdade genuína, goza da beleza da utopia de Jesus. E na paz, recebe um texto, que em sua fórmula abreviada (Oração Preparatória), o acompanhará em cada oração (EE 46) e ao início de suas jornadas, um texto que lhe servirá de marco a partir do qual deverá olhar tudo.

Quando o exercitante se “dispor”, se situar, diante do Mistério de Deus com ardor, serenamente e em paz… Quando conseguiu saborear no “Princípio e Fundamento”, a utopia do Reino de Deus, pode entrar na “Primeira Semana”.  O acompanhante não deve ter pressa; deve ser um bom pedagogo que encontre para o exercitante os textos bíblicos que lhe acompanhem.

by Francesc Riera i Figueiras,SJ 
Itaici: Revista de Espiritualidade Inaciana 85(2011)