Quando um time de futebol se aproxima perigosamente da zona de rebaixamento, parece que não existe recurso no universo capaz de impedi-lo. As tentativas de trocar de técnico, de comprar melhores jogadores, de racionalizar as despesas, são apenas elementos protelatórios. O abismo fatal, qual sina inevitável, se aproxima cada vez mais. Não é diferente o que ocorre com os grandes impérios mundiais. Tomada a direção da ladeira abaixo, é difícil descobrir um freio capaz de fazer ressurgir o vigor dos seus tempos de glória. Mas atenção. Os males podem ser previsíveis, mas não inevitáveis. Sobretudo eles acontecem pelo fato de não se tomarem providências para os debelar. Não escapam disso as filosofias, os regimes políticos, as ideologias e a pujança dos maiores sistemas econômicos. Tudo envelhece. Será que a religião católica entra nessa lei da ladeira?

Aparentemente, sim. Já tivemos épocas da história, em que os “profetas” do alarme combateram os maus costumes, a falta de compromisso sincero com a fé, as querelas teológicas inúteis, a desunião permanente entre os seguidores de Cristo. Na maior parte das vezes tais advertências não tiveram a mínima ressonância. Parece até que temos uma tradição de “tapar os ouvidos” (2Cron 33,10). Dessa inconsciência do perigo advieram grandes males para a Igreja. Mas também se pode acompanhar pela história, momentos de esforços hercúleos para restabelecer a verdade do Evangelho. Foram as grandes reformas, os concílios, os movimentos de espiritualidade, a volta às origens. São Bernardo de Claraval, do alto da sua sabedoria, ensinava que “Ecclesia semper reformanda” (a Igreja precisa ser reformada sempre). Mas não se pode esquecer o principal de tudo isso. Na Igreja temos o “elixir da eterna juventude”. É a presença do Espírito Santo, que é uma garantia gratuita para “renovar a face da terra” (Sl 104,30). Caros amigos, façamos um esforço para acompanhar o poder do Espírito, expresso nas Escrituras e nas grandes linhas do Concílio. Nossos esforços devem se concentrar nos pontos para sermos mais fiéis ao evangelho, e não necessariamente às impaciências da mentalidade moderna.

Dom Aloísio Roque Oppermann
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)