Que devo fazer?” Esta é a pergunta que angustiava Inácio de Loyola em seu retorno de Jerusalém. Hoje, podemos nos perguntar: “O que Deus está fazendo em nós?”.

Somos chamados a realizar uma missão, que é única, original, sagrada… O Documento de Aparecida nos exorta a sermos Discípulos e Missionários do Reino em nossa América Latina, o mesmo que Jesus já proclamava no Evangelho, pois quer pessoas corajosas, decididas, audazes…

Ao realizarmos uma missão, Deus com sua graça, nos dá alguns dons, tais como a qualidade necessária, capacidade de ir avante, criatividade de “mudar o que precisa ser mudado, resignação para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra” (São Francisco de Assis).

Para realizar uma missão, Deus enche nosso coração de sonhos, projetos, desejos..; Dá-nos liberdade, para construir o novo, buscando o melhor e o maior bem e desta forma darmos direção a nossas vidas.

Na missão, não devemos nos importar com a sua grandeza ou importância, mas sim, com o modo que Cristo quer a nossa colaboração, ou seja: Queremos trabalhar com Ele na mesma direção? Na caminhada iremos descobrindo a melhor maneira de colaborar, de forma criativa e original.

Será que estou colaborando com a realização do Projeto de Deus?

Ser escolhido por Deus requer atitude de docilidade e humildade, as mesmas atitudes dos Profetas, dos Anunciadores, dos Santos. Por isto precisamos arriscar… O cristão/santo é aquele que se arrisca, com audácia para construir o novo; é aquele que tem a paixão pela inquietação, diante da realidade vigente; é aquele que revela um compromisso radical com a vida e vida em plenitude.

Para sermos bons missionários, precisamos ter em nós a força que dinamiza a missão: o Amor, que nada mais é que o nosso sim, nossa resposta ao chamado com compromisso e responsabilidade; nossa consagração, ou seja, a vontade de estar com o sagrado (Deus).

Precisamos ter a capacidade de olharmos para nós mesmos e perceber para onde estamos sendo levados e por quê. Quando descobrimos, entendemos que realizamos tudo livremente na medida em que escolho o caminho que Deus nos dá a escolher.

Santo Inácio nos propõe o processo do discernimento, onde podemos descobrir para onde Deus quer nos levar. Consolação e desolação, podemos experimentar em nossas orações, sentimos diferentes pensamentos e daí podem vir as moções (movimentos internos que deixam uma marca no coração).

Enfim, a experiência dos Exercícios nos leva a contemplação da vida de Jesus Cristo, onde vamos encontrar critérios para fundamentar nossa opção de vida, e assim podermos discernir o que a vida de Jesus suscita em nós. Consolados ou desolados, não podemos deixar de ser confrontados e de sermos afetados por Cristo.

Aqueles que desejarem poderão fazer esta maravilhosa experiência de vida, aonde o horizonte de nossas vidas irá se fundindo com o horizonte de Jesus Cristo, até podermos falar como o Apóstolo Paulo: “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20)

Será que tenho consciência de minha missão?

Eduardo Caridade