Introdução:

O livro de Jonas distingue-se entre os doze profetas porque não contém oráculos, mas três breves episódios relativos ao próprio profeta.

Filme: https://www.youtube.com/watch?v=WXU_fPjgYeg

 

Conteúdo:

A tempestade (1,1-2,11):

Jonas, filho de Amati, recebe do Senhor a ordem de ir a Nínive para anunciar o julgamento da cidade (1,1s);

O profeta recusa-se e em Jafa toma um navio em direção contrária, para Társis;

Desencadeia uma tempestade;

Os marinheiros, convencidos de que a desgraça seria o efeito da ira divina, tiram a sorte, para descobrir o culpado (1,4-7).

Descoberto, Jonas se oferece para ser lançado ao mar, com intuito de salvar a tripulação;

A tempestade acalma-se (1,8-16) e o profeta rebelde é engolido por um grande peixe (2,1s).

Do ventre do cetáceo Jonas eleva a Deus uma oração de agradecimento (2,3-10) e, após três dias, é lançado à praia (2,11).

 

Sucesso de Jonas (3,1-10):

De novo Deus ordena a Jonas que vá a Nínive pregar a penitência (3,1s);

O profeta obedece e os frutos do seu breve ministério são extraordinários (3,3s);

O rei, os magnatas, o povo e os animais jejuam e fazem penitência cobrindo-se de sacos (3,5-9);

Deus fica satisfeito e revoga o castigo com que os ameaçara (3,10).

 

Indignação de Jonas e resposta de Deus (4,1-11):

Mas Jonas lamenta-se e pede ao Senhor que lhe tire a vida (4,1-40;

Sai da cidade e retira-se sob um abrigo de ramagens (4,5);

Para protege-lo contra o sol, Deus faz crescer uma planta de rícino, que um verme seca no dia seguinte (4,6s);

Atingido pelo sol e pelo vento do oriente, Jonas sente-se desfalecer e volta a desejar a morte (4,8);

O Senhor repreende-o: se o profeta se doeu pelo fato de o rícino ter secado, quanto mais ele – Javé – devia usar de misericórdia para com os habitantes de Nínive! (4,9ss).

 

Composição, Autor e Data:

Vários autores. Inclusive pensaram que fosse o profeta Jonas, filho de Amati (séc. VIII aC) (2Rs 14,25), mas a história não coincide com os dados de Nínive;

Há um salmo (2,3-10), Hino de ação de graças pela libertação de um perigo, pois está no ventre do cetáceo;

A maioria dos exegetas afirma que Jonas foi escrito pós-exílico, por volta do ano 400 aC (época de Esdras e Neemias). No séc II Jonas já fazia parte da coleção dos doze profetas (Eclo 49,10).

 

Gênero literário e fontes:

A questão mais árdua, do livro de Jonas, refere-se ao gênero literário em conexão com a da historicidade.

Há um grupo a favor da historicidade: A tradição judaica, representada pelo Targum de Jonathan Bem Uziel (Targum: explicações e expansões das escrituras judaicas que um rabino daria na linguagem comum dos ouvintes

Caráter didático: Nos últimos decênios, estudiosos católicos, o Livro não é considerado histórico, mas sapiencial/didático, com uma história religiosa edificante.

 

Fontes:

O nome do profeta se relaciona com 2RS 14,25;

Cap. 1 apresenta contatos verbais com Ezequiel 27,25-36; destruição de Tiro e navio agitado pelos ventos; ver também Sl 106(107) 23-30;

Cap. 2 relações íntima com os Salmos;

Cap.3 relações com literárias e teológicas com Jeremias (Jon 3,8 = Jr 25,5).

Cap. 4 Alusões a história de Elias (1Rs 19,4.9s).

O dia da marcha de Jonas para Nínive, seguido da lamentação e desencorajamento, lembra a caminhada de Elias para o Horeb, caracterizada pelo desânimo.

O verme, o peixe, o rícino e a cabana, narrado em Jonas, parecem // com o corvo, o junípero e a caverna da narrativa de Elias. (1Rs 17,6; 19,3.9.

 

Aspectos Religiosos:

Favor de Deus para com os pagãos:

Javé é o Deus da criação (1,9);

Javé tem domínio sobre o universo, tempestade, vento do deserto, a grande cidade, cada homem, os animais, as plantas;

A bondade de Javé abraça também os povos pagãos, até mesmo aqueles povos que cometeram injustiças contra o povo escolhido.

Os profetas antes e depois do exílio, anunciam a vingança divina contra os povos opressores de Israel: Jonas demonstra que as ameaças não eram absolutas, mas condicionadas.

A mesma doutrina é exposta nos livros de Rute e Jó, que mostra como os membros de povos pagãos passam a fazer parte do povo escolhido e se tornam seus modelos.

 

Universalismo e missão profética:

Fala-se de universalismo centralizado no templo de Jerusalém (Is 2,4s; Ag 2,7s; Zc 14), ou seja, os pagãos são admitidos no reino de Deus, mas só na medida em que observam as tradições cultuais de Israel;

Jonas não apresenta essas exigências;

Jonas diz: permanecendo nas suas cidades, mantendo os seus usos, os ninivitas convertem-se ao monoteísmo;

Os marinheiros que são pagãos oferecem a Javé um sacrifício no navio;

O universalismo de Jonas não tem limites rituais ou geográficos, como não os tem o dos cânticos do Servo de Javé e o de Malaquias (1,11);

O Livro de Jonas encerra também outro ensinamento sobre a missão profética, que é de origem divina e nada consegue frustrá-la: Deus alcançara o seu objetivo até com meios extraordinários, se for preciso.

Então: A tempestade, o tirar a sorte e o grande cetáceo são os instrumentos de que Deus se serve para levar a termos a missão de Jonas.

Um verdadeiro profeta que anuncia oráculos de destruição é autêntico, mesmo quando estes não se realizam.

Este princípio parece contrastar com a carta do profetismo de Dt 18,21s.

Mas veja o que fala Jeremias em 18,7-12: Deus muda a vontade de punir uma nação se esta se converte.

 

Particularismo judaico:

A pessoa de Jonas simboliza o povo de Israel, que especialmente após o exílio se fecha num mesquinho particularismo e nutria sentimentos de ódio contra os pagãos.

Conforme nos aponta os Livros: Is 47, que é um cântico de triunfo contra a queda da Babilônia;

Jr 48,1-49,22: Oráculo contra Moab e Moabitas;

Ez 25,1-7.8-11.12ss; 26ss: Oráculo contra as nações, contra os Moabitas, Edomitas, Filisteus e Tiro.

Esperava-se pelo dia de Javé e a sua demora era motivo de escândalo;

O autor de Jonas vergasta (castiga com chibata) este espírito mesquinho.

 

Jonas no NT:

Os temas da providência divina e do perdão universal, da agregação incondicionada dos pagãos ao culto do verdadeiro Deus, do dever missionário, enquanto retomam o ensinamento dos grandes profetas de Israel, preparam o caminho para o Evangelho (cf. Mt 12,41);

Jonas que desce ao abismo e volta depois à superfície da terra (2,3-11), é um sinal da morte e da ressurreição de Cristo (Mt 12,39s).