Ontem (21º domingo do Tempo Comum – 23/ago/2015), foi o dia das Vocações Leigas. Na Santa Missa, em que participei, nada foi falado sobre o dia. Nem parece que estamos a cinquenta anos da promulgação do Concílio Vaticano II? Quando participava no CEMAL, aqui no Rio de Janeiro, nem sei se o nome ainda é este, sempre promoviam um evento alusivo a data. Mas, hoje, deparei-me com o artigo abaixo. Não conheço o autor, mas descobri que ele é Teólogo pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção. Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Jornalista. Doutor em Direito Canônico. Alguém lembrou dos Leigos. Que bom! Mas, vale registrar, que nem os Leigos, não raro, sabem o que eles são. Vamos ao artigo:

No mês vocacional, lembremo-nos do preponderante da missão dos leigos

Por Edson Sampel

São Paulo, Região Sudeste, Brasil, 24 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)

Qual é o papel dos leigos na Igreja? O Concílio Vaticano II nos dá a resposta. A “índole secular”, isto é, a vocação para estar no mundo, caracteriza especialmente os leigos, segundo a constituição dogmática “Lumen Gentium” (n.º 31). Deste modo, os leigos são responsáveis pela evangelização das realidades seculares, como a família, o mundo do trabalho, a economia e, principalmente, a política.

O cumprimento destas “tarefas terrestres” por parte dos leigos é tão importante, que o Concílio lhes faz uma séria advertência: “Afastam-se da verdade os que, sabendo não termos aqui [neste mundo] cidade permanente, mas buscarmos a futura, julgam, por conseguinte, poder negligenciar os seus deveres terrestres, sem perceberem que estão mais obrigados a cumpri-los, por causa da própria fé (…)” (Constituição pastoral “Gaudium et Spes”, n.º 43).

O decreto “Apostolicam Actuositatem”, também do Concílio Vaticano II, discorre especificamente acerca do apostolado dos leigos e preceitua constituir obrigação deles “aperfeiçoar as coisas temporais dentro do espírito cristão (n.º 4), bem como construir a ordem temporal, em espírito de concórdia (n.º 7).

Por fim, a legislação eclesiástica confirma o plano do Concílio Vaticano II para os leigos, convidando-os a animar e a aperfeiçoar a ordem das realidades temporais com o espírito do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (cânon 225, § 2.º do C.I.C.). O eminente canonista dom Dadeus Grings, arcebispo emérito de Porto Alegre, escreveu que quando se indaga a Igreja sobre o que ela faz em prol do bem-comum, deve-se devolver a pergunta aos leigos (“A Ortopráxis na Igreja”, p. 60).

Pelo que se constata do magistério do Concílio Vaticano II, a alma do apostolado laical se situa em todas as atividades inerentes ao dia a dia de qualquer cidadão. É verdade que muitas vezes os leigos são solicitados para o auxílio em encargos intraeclesiais (catequese, liturgia, ministério extraordinário etc.), porém, isto não é o típico do apostolado laical que, como vimos, caracteriza-se pela secularidade (estar no mundo), ou seja, por dar o testemunho do evangelho fora da Igreja.

Participar dos sacramentos, máxime da santíssima eucaristia aos domingos, é condição sine qua non para que os leigos possam desempenhar frutuosamente as chamadas atividades seculares, levando a boa nova do Divino Salvador aos lugares onde somente eles conseguem penetrar (cânon 225, §1.º do C.I.C.).

Infelizmente ainda permanece em muitas comunidades eclesiais certa mentalidade que visa a “clericalizar” os leigos, tendo-os por bons apenas se eles desempenham alguma função estritamente pastoral. Tal modo de pensar, conforme vimos acima, vai de encontro ao projeto do Concílio Vaticano II e infantiliza os católicos leigos.

Onde estão, por exemplo, as “bancadas católicas” nos diversos parlamentos legislativos do Brasil? Verificamos, isto sim, a presença das “bancadas evangélicas”, porquanto nossos irmãos separados parecem estar mais cônscios de sua laicidade e, graças a Deus, pugnam pelos valores do cristianismo, combatendo projetos de lei que anelam por destroçar a família.

Os leigos não podem fazer uma dicotomia entre a fé e a vida quotidiana, mormente porque o papel deles é exatamente santificar a vida quotidiana, evangelizando no trabalho, na família, na arte, na política, enfim, nas cidades, nas ruas.

Os leigos hão de seguir o exemplo de uma leiga, Maria santíssima, a mãe de Jesus. Esta mulher leiga é decerto o protótipo do autêntico discípulo do Messias e o comportamento dela serve de parâmetro tanto para leigos quanto para clérigos.