Trabalho apresentado ao Programa de Complementação de Estudos em Teologia (PUC-RJ) como requisito parcial para obtenção do diploma de Bacharel em Teologia. Professor Cesar Augusto Kuzma. (2ºSem/2015).

Povo de Deus

São “todos” os batizados que fazem parte deste povo e comungam da mesma missão de Cristo. Sendo a maioria deste Povo de Deus, os leigos, que não querem estar numa condição de passividade, mas querem liberdade para assumir sua missão naquilo que lhe é específico. A denominação Povo de Deus é uma nova realidade, onde a Igreja se define sinal para o mundo e quer dialogar com este mundo. A definição Povo de Deus foi a verdadeira ‘novidade’ da eclesiologia conciliar, onde traz um sentimento de pertença, irrompendo para o mistério do próprio Deus. Foi uma “revolução copernicana da eclesiologia”, nos dizia Libânio.

A Igreja é Povo de Deus, onde todos os batizados se encontram e de onde surgem as diferentes vocações. Em seu aspecto de Mistério, a Igreja nasce do próprio Cristo e de sua missão, guiada pelo mesmo Espírito, na perspectiva do Reino, seguindo o plano do Pai, caminha em direção à plenitude. Desta forma a Igreja, não é mais definida por sua hierarquia, mas pela dimensão comunitária, aonde cada um dos batizados vai adquirindo a sua condição de pertença. Sendo que, os diferentes ministérios e ações eclesiais irão aparecer na ordem do serviço, jamais em diferença de dignidade.

A Igreja passa a ser sacramento do Cristo e como peregrina, na história, interage na forma de serviço. Onde, o Espírito Santo, orienta, congrega a todos, trazendo uma identidade, a qual chamou de Povo de Deus, povo que caminha na esperança, povo peregrino, povo autônomo pelo batismo, renascidos para a causa do Reino, sacerdócio comum de todos os fiéis, onde da identidade dos próprios leigos sai a sua vocação e missão. E, conforme afirma o Decreto Apostolicam Actuositatem: “os leigos desempenham papel específico e insubstituível no conjunto da missão da Igreja”.

Leigos

São homens e mulheres, são pessoas do mundo e pessoas da Igreja, que participam de seu mistério e são portadores de sua palavra. “São os fiéis batizados, incorporados a Cristo, membros do Povo de Deus, participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, que tomam parte no cumprimento da missão de todo o povo cristão, na Igreja e no mundo” (LG 31a)

O Concílio não cria uma separação entre “clero” e “leigos”, mas uma proposta de comunhão, com base na eclesiologia do Povo de Deus, onde se afirma que “o povo de Deus é uno” (LG 32b) e também afirma que “A Igreja se faz na sua ‘totalidade’” (Almeida).

Os leigos batizados são incorporados a Cristo, por graça, pois é o próprio Cristo que nos coloca em missão e nos chama à vocação. E, no número de batizados há diferença de trabalhos e de responsabilidades, mas o centro da fé e da vida eclesial cabe apenas a Cristo, que é o ponto de referência, e a partir dele o Espírito distribui os seus dons em benefício de todos. Assim, ao longo do percurso da vida o cristão toma consciência dessa realidade e vai confirmando a sua fé.

Os leigos são membros do Povo de Deus, pois são abertos ao Deus que nos chama, que caminha conosco, que participa da nossa vida e história. Precisamos nos deixar envolver por sua graça e segui-lo de modo confiante, precisamos ser peregrinos como Jesus o foi, partilhando o mesmo pão a mesma esperança, acolhendo o perdão e fortalecendo nossa vida na caridade; acolhendo o dom com maturidade e compromisso, com menos mandantes e com mais serviços.

Os leigos adquirem pelo batismo a participação da função sacerdotal, profética e régia de Cristo. Faz-nos sacerdotes como Ele foi, no sentido do serviço, ou seja, devemos oferecer nossa vida, nosso agir a causa do Reino, com ações de consagração. Faz-nos profetas, para denunciar as injustiças e anunciar a Boa-nova nos ambientes em que vivemos; dentro do corpo eclesial, devemos buscar sempre a unidade, favorecendo a verdade e a justiça; aqui os leigos precisam ser fortes na fé e na esperança. Faz-nos reis, que corresponde à aceitação e a ação do Reino de Deus, para continuarmos a sua ação.

Os leigos tomam parte na missão do Povo de Deus e no mundo, não em um processo de conquista do outro e do diferente, mas numa dinâmica de serviço, continuando a ação de Cristo na prática do Reino e no alimento da esperança, através do testemunho, servindo, aprendendo, ensinando, acolhendo e vivendo com o diferente.

Enfim somente entendendo a identidade dos Leigos e o local onde se encontram que é possível falar de sua vocação e missão.

Fonte: (KUZMA, C; SANTINON, I. T. G. A teologia do laicato. In. PASSOS, J. D. (Org). Sujeitos no mundo e na Igreja. São Paulo: Paulus, 2014, p. 123-144).