Resumo do documento do Santo Padre João Paulo II, sobre o Rosário, que é apresentado nas aulas da Escola de Fé e Catequese – Curso de Mariologia-RJ.

Introdução

1. Ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no Segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Oração simples e profunda, de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade.

1. É oração cristológica, com fisionomia mariana, pois ecoa a oração de Maria;

1. O povo cristão frequenta a Escola de Maria, para contemplar a beleza do rosto de Cristo e a profundidade de Seu amor.

1. Recebemos graças abundantes, como se recebêssemos das próprias mãos da Mãe do Redentor.

4. Não podemos entrar na onda de crise desta oração, debilitando seu valor. Pois o centro é a Liturgia, mas o Terço (Rosário), serve de apoio na oração cotidiana;

4. Não é oração ecumênica devido ao seu caráter mariano, mas a oração serve de ajuda para compreensão do ecumenismo.

5. Há necessidade urgente que as nossas comunidades se tornem escolas de oração;

6. Ef 2,13-14: 13Agora, porém, graças a Jesus Cristo, vós que antes estáveis longe, vos tornastes presentes, pelo sangue de Cristo. 14Porque é ele a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava…

6. Oração pela Paz e pela Família.

Contemplar Cristo com Maria

9. Mt 17,2: 2Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. (Ícone da contemplação cristã).

9. 2Cor 3,18: 18Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a glória do Senhor e nos vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecentes, pela ação do Espírito do Senhor.

10. Maria é modelo de contemplação: Os olhos de seu coração na Anunciação, quando concebe por obra do Espírito Santo;

10. Com os olhos da carne, quando dá à luz em Belém, pode fixar com ternura o rosto do filho;

10. Olhar interrogativo no episódio da perda no templo (Lc 2,48)

10. Olhar penetrante, percebendo os sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões como em Caná (Jo 2,5);

10. Olhar doloroso aos pés da cruz, onde acolherá o novo filho (Jo 19,26-27);

10. Olhar radioso, pela alegria da ressurreição;

10. Olhar ardoroso, pela efusão do Espírito em Pentecostes (At 1,14).

11 As recordações de Maria que vive de olhos fixos em Cristo e guarda cada palavra em seu coração (Lc 2,19; 2,51)

11. Estas recordações, Maria recitou nos dias de sua vida e hoje propõe continuamente a seus filhos. Quando rezamos o Terço/Rosário sintonizamos com a lembrança e olhar de Maria.

12. Mt 6,7: 7Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.

12. Paulo VI: “Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e sua recitação corre perigo de ser uma repetição mecânica e cai em contradição com a advertência de Jesus, acima.

12. Rezar com tranquilidade, certa demora na reflexão apreciando os mistérios, vistos através dos olhares de Maria.

13. Recordar Cristo com Maria, é contemplação salutar. Inserir Mistério por Mistério, na vida do Redentor faz com que tudo aquilo que Ele realizou e a Liturgia atualiza, seja profundamente assimilado e modele a nossa existência.

14. Como aprender Cristo de Maria? – Diante de cada mistério Maria nos convida como na sua Anunciação: a sermos humildes e obedientes à luz de Deus Lc 1,38: 38Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.

15. Configurar-se a Cristo com Maria. Rm 8,29: 29Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. Ou Fl 3,10.21: 10Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, 21que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.

15. Jo 15,5: 5Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

15. 1Cor 12,12: 12Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo.

15. Rm 12,5: 5assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro.

15.Fl 2,5: 5Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.

15. Rm 13,14: 14Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites.

15. Gl 3,27: 27Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.

15. Totus tuus: termo inspirado na doutrina de são Luís Maria Grignon de Montfort: “toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo”.

16. Suplicar a Cristo por Maria: Mt 7,7: 7Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.

16. 1Jo 2,1: 1Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.

16. Rm 8,26-27: 26Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.

16. Tg 4,3: 3Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões.

16. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria (CIC, 2679). Pois Maria mostra o caminho.

17. Anunciar Cristo com Maria: O Rosário é itinerário de anúncio e aprofundamento; oportunidade catequética.

17. Tantos desafios hoje. Porque não retomar na mão o terço com a fé dos que nos precederam? – Permanece um recurso pastoral de todo bom evangelizador.

Mistérios de Cristo Mistérios da Mãe

18. Rosário = Compêndio do Evangelho, pois através da experiência do silêncio e da oração, desenvolve-se conhecimento verdadeiro, aderente e coerente do mistério que se reza.

19. Inserção oportuna:

a)       Mistérios da Alegria: encarnação e vida oculta de Cristo;

b)      Mistérios da Dor: sofrimentos e paixão de Cristo;

c)       Mistérios da Glória: triunfo da ressurreição;

d)      Mistérios da Luz: momentos significativos da vida de Jesus.

O que visa: fazer viver com renovado interesse na espiritualidade cristã, que é o coração de Cristo, abismo de alegria, luz, de dor e de glória.

24. Dos Mistérios ao Mistério: O caminho de Maria

24. Ef 3,19: 19isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

24. Cl 2,9: 9Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.

24. Cl 2,2-3: 2Tudo sofro para que os seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pela caridade, sejam enriquecidos de uma plenitude de inteligência, para conhecerem o mistério de Deus, isto é, Cristo, 3no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

24. Ef 3,17-19: 17Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, 18a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, 19isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

24. O Rosário é o caminho de Maria, mulher de fé, silêncio, escuta… Caminho de uma devoção mariana (relação indivisível que liga Cristo a Maria).

24. Na Ave Maria: palavras do Arcanjo Gabriel e de santa Isabel, somos levados a ver o novo em Maria, nos seus braços, coração: “o fruto bendito do seu ventre” (Lc 1,42)

25. Mistérios de Cristo, mistério do homem: Cada mistério bem meditado ilumina a vida do homem.

25. O Rosário marca o ritmo da vida humana, pois quem contempla Cristo, percorrendo as etapas de sua vida, aprende dele a verdade sobre o homem.

25. O crente põe-se diante do homem verdadeiro:

a)       Contemplando o nascimento de Jesus aprende a sacralidade da vida;

b)      Olhando para a casa de Nazaré aprende sobre a originalidade da família;

c)       Escutando o Mestre na sua vida pública, recebe a luz para entrar no Reino;

d)      Seguindo-o no caminho para o calvário, aprende o sentido da dor salvifica;

e)       Contemplando Cristo e Maria na glória, vê a meta para a qual somos chamados e se deixa transfigurar pelo Espírito Santo.

Para mim, o viver é Cristo

26. Podemos ser tentados a ver o Rosário como uma prática árida e aborrecida.

26. Mas precisamos considerar o Terço como expressão daquele amor que não se cansa de voltar a pessoa amada.

Jo 21,15-17: 15Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 16Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 17Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.

26. A repetição das Ave Maria alimenta o desejo de uma conformação cada vez mais plena em Cristo, verdadeiro programa de vida cristã.

Fl 1,21: 21Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.

Gl 2,20: 20Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

28. Como o Terço/Rosário é um método a se contemplar, com o objetivo de inserir o cristão no ciclo dos mistérios, o mesmo não pode e nem deve ser utilizado como amuleto ou objeto mágico.

29. Cenário do Mistério: abrir uma cortina sobre uma cena a ser contemplada, as palavras orientam a imaginação e o espírito para o episódio (compositio loci – EE)

30. Escuta da Palavra: É útil a enunciação do mistério com a proclamação da Palavra. É o deixar Deus falar. Em ocasiões solenes e comunitárias pode ser ilustrada com um breve comentário.

31. O silêncio: A escuta e a meditação alimentam-se do silêncio. Quase ninguém tem tempo…?

32. Pai Nosso: É natural que o Espírito se eleve para o Pai. Jesus sempre nos leva para o Pai.

Jo 1,18: 18Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.

Rm 8,5: 5Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito.

Gl 4,6: 6A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!

33. As dez Ave-marias: A primeira parte, tirada das palavras dirigidas a Maria pelo anjo Gabriel e por santa Isabel. Exprimem a admiração do céu e da terra, onde transparece o encanto do próprio Deus ao contemplar sua obra prima.

Gn 1,31: 31Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom.

33. A repetição da ave-maria: é júbilo, admiração e reconhecimento do maior milagre da história.

Lc 1,48: 48desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações…

33. Baricentro, charneira, entre primeira e segunda parte é JESUS.

At 4,12: 12Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos.

33. A segunda parte da oração, deriva a força da súplica com que nos dirigimos: confiando à sua materna intercessão, a nossa vida e a hora da nossa morte.

34. Glória ao Pai: A doxologia trinitária, pois Cristo é o caminho que nos conduz ao Pai no Espírito. Devemos: Louvar, adorar, agradecer. O Glória ao Pai, apogeu da contemplação e deve ser posto em evidência.

34. Elevar nosso espírito à altura do Paraíso, para revivermos de certo modo a experiência do Tabor. Lc 9,33: “Que bom estarmos aqui!”.

35. A jaculatória final: Varia segundo os costumes, mas lembrando que as contemplações dos mistérios manifestam melhor toda a fecundidade.

36. O Terço: tem significado simbólico – vínculo de comunhão e fraternidade que a todos nos une a Cristo.

36. Tudo converge para o crucificado, que abre e fecha o itinerário da oração.

36. o terço evoca (traz à lembrança) o caminho incessante da contemplação e da perfeição cristã.

37. Começo e conclusão: São vários modos de introdução. Em alguns lugares se inicia com o Sl 70(69): “Ó Deus, vinde em nosso auxílio; Senhor socorrei-nos e Salvai-nos”; noutros lugares se começa com o “Creio”.

37. Ao final pode-se expandir o louvor à Virgem com a oração da Salve Rainha. Ou Ladainha Lauretana.

38. Distribuição no tempo: Pode ser recitado integralmente todos os dias, pode ser utilizado nas jornadas de tantos contemplativos, doentes idosos.

38. Alguns podem rezar apenas uma parte, segundo uma determinada ordem semanal, tendo como pano de fundo o Ano Litúrgico. (Sugestão)

a)       Mistérios da Alegria: segundas e sábados;

b)      Mistérios da dor: terças e sextas-feiras;

c)       Mistérios da Glória: quartas-feiras e domingos.

d)      Mistérios da Luz: quintas-feiras.

38. Mas há liberdade de substituição de acordo com a liberdade ou Liturgia.

38. Importante é a contemplação como caminhada do cristão através dos mistérios da vida de Cristo, para que Ele se afirme, na vida dos seus discípulos, como o Senhor do tempo e da história.

Conclusão

39. Oração rica e simples e profunda aqueles que contemplam.

39. A Igreja confia esta oração, mediante a sua recitação comunitária e sua prática constante as causas mais difíceis, tendo a Virgem do Rosário como propiciadora da salvação.

39. Eficácia desta oração: causa da paz no mundo e causa da família.

40. Oração voltada para a Paz.

Ef 2,14: 14Porque é ele a nossa paz…

Jo 14,27: 27Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!

Jo 20,21: 21Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.

Lc 18,1: 1Propôs-lhes Jesus…que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.

Cl 3,14: 14Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição.

41. A família: Oração da família e pela família.

41. Pais: Peço a todos que se dedicam a Pastoral da Família que se dediquem a Oração do Terço/Rosário. A família que reza unida permanece unida. Retomem esta oração.

42. Filhos: é itinerário de crescimento. Deve-se rezar o Rosário pelos filhos e com os filhos (Oração da Família).

43. Rosário, um tesouro a descobrir: Oração fácil, rica, merece ser re-descoberta pelas comunidades cristãs.

43. Agentes de pastorais, nos diversos ministérios, experimentem novamente a beleza do Rosário e sejam promotores desta oração.

43. Descubra os fundamentos bíblicos; riquezas espirituais; validade pastoral.

43. Retomai confiadamente nas mãos o terço do Rosário, fazendo a sua descoberta à luz da Escritura, de harmonia com a liturgia, no contexto da vida quotidiana.

43. Que este meu apelo não fique ignorado.

43, Ó Rainha do Rosário, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó Soberana consoladora dos tristes. Sede bendita, hoje e sempre, na terra e no céu. Amém!