A civilização industrial devasta o meio ambiente de maneira extremamente grave” (Alvin Toffler – A terceira Onda).

A partir da frase acima, o que dizer mediante o sofrimento do povo de Mariana, que tudo perdeu e como reconstruir a vida destas famílias? O mundo tem necessidade do evoluir, de construir, de sucesso e do outro lado, o povo com a propõe a solidariedade, e quanto mais caminhamos em direção ao futuro esbarramos com a LEI DO MAIS FORTE, ligada ao processo de SELEÇÃO NATURAL.

Esta LEI DO MAIS FORTE como condição natural, choca qualquer ser humano que possua um mínimo de sensibilidade diante do sofrimento, em especial dos mais fracos. A LEI DO MAIS FORTE não distingue o natural do ético, onde atuam: Não respeita a Liberdade, não respeita a Opção e não permite Encontro.

Olhar para o pobre, só o ser humano, iluminado por Jesus Cristo, na força do Espírito é capaz de fazer, isto que o papa Francisco nos tem apresentado neste seu pontificado. Basta uma leitura na Carta Encíclica Laudato Si, onde numa leitura atenta nos ensina que devemos romper com o horizonte estritamente instintivo, e, buscar a ética.

Estas situações provocam os gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo. Nunca maltratamos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos. Mas somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai para que o nosso planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projeto de paz, beleza e plenitude” (Laudato Si nº 53).

[Que quase toda a cidade de Mariana e outros distritos desapareceram do mapa, já sabemos. Que um gemido de dor, angústia, desesperança e tristeza bate forte no coração das vítimas e de todos nós, já sentimos. Que os bombeiros, a prefeitura, pessoal da área médica e voluntários estão agindo sem parar, os noticiários das televisões mostram. Que os desabrigados estão perdidos, sem rumo, sem casa e pertences, é notório e óbvio… E a Polícia? E a Justiça? Que medidas tomaram?

A pergunta se justifica, porque até agora, da parte destas referidas instituições, não se tem a menor notícia do que fizeram. E se tivessem feito, é evidente que seria notícia.  A manchete de hoje do O Globo é “Avalanche em Mariana: Lama ameaça captação de água para 500 mil pessoas. Cidades de Minas e Espírito Santo paralisam abastecimentos e escolas são fechadas”. São consequências da tragédia. Nada mais do que isso.

Por que ninguém ainda foi preso? Crime ambiental dá 5 anos de reclusão (Lei 9.605/98). Envenenamento de água potável, de uso comum ou particular, dá 15 anos também de reclusão (Código Penal, artigo 270). Corromper ou poluir água potável, de uso comum ou particular, tornando-a imprópria para o consumo ou nociva à saúde, dá 5 anos também de reclusão (Código Penal, artigo 271). Quando as penas são de reclusão significa dizer que os crimes não são afiançáveis.

Que houve crime(s), houve. Que persiste o estado de flagrância, persiste. Que a causa da tragédia foi o rompimento da barragem da mineradora, não há dúvida. Que a mineradora tem presidência e diretoria, é claro que tem. Está na lei. Está no seu contrato social ou em seus estatutos. Eles até dão entrevistas…, mas em liberdade, quando deveriam estar presos.

E a Justiça de Mariana o que até agora já fez? Que decisão (ou decisões) tomou para garantir que a verdadeira causa (ou causas) da tragédia seja descoberta? Que medidas assinou para garantir o pagamento das indenizações às vítimas? Já determinou o bloqueio das contas das mineradoras, de sua diretoria-responsável, e a indisponibilidade de bens de todos eles, mineradora e dirigentes? Alguém já foi preso e ouvido pelo juiz da comarca?] (Jorge Béja, Tribuna da Internet 9/11/2015).

Tudo triste, sermos diariamente bombardeados com notícias assim, e outras que nos deixam atônitos, devido esta bendita LEI DO MAIS FORTE. Quando será o fim? Nos resta refletir e pedir atitude de nossos políticos, onde deve prevalecer a ética e a equidade, pois o Criador pode dizer a cada um de nós: “Antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia” (Jr 1, 5).

Eduardo L. Caridade