A fé é uma entrega consciente, livre, total, de todo nosso ser a Deus, a nossa resposta à proposta de Deus a nós manifestada por Sua Palavra, que não nos engana nem nos pode enganar. Ora , na Virgem Santíssima a resposta à proposta divina é livre e total: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim conforme a tua palavra” (Lc 1,38). É a serva de Jahvé, identificando-se com o Servo de Jahvé (Is 53,1-12; Fl 2,6-9). É a virgem totalmente abandonada nas mãos de Deus, que, já antes do anúncio do Anjo, está toda voltada para o Senhor, e tão voltada que teme aceitar ser Mãe por já estar vinculada com Deus: Ela não conhece varão, não conhece homem algum (cf. Lc 1,34). Ela é toda de Deus. A virgindade é mais do que simples castidade. A virgindade é adesão de corpo e alma ao Senhor. A virgem cuida das coisas do Senhor, a fim de ser santa de corpo e de espírito (1Cor 7,34). Ser virgem e ser serva de Jahvé em Maria Santíssima se identificam. Por isso, em vez de “eis aqui a Serva de Jahvé”, podemos, no caso da nossa Mãe Maria, dizer: “eis a virgem de Jahvé; faça-se segundo a tua palavra”.

Em Maria, o ser Serva de Jahvé e ser Virgem de Jahvé se abraçam. É a fé celebrando o seu maior triunfo num puro ser humano, que se chama Maria de Nazaré. A fé da Virgem foi fé “difícil”. Só pensar na sua maternidade divina e marginal ao mesmo tempo, bem como a convivência permanente com o mistério! A fé abraça todo o ser de Maria. Ela ensina-nos a fé na vida, a tornar sobrenatural, teologal, orientado para Deus, todo e qualquer acontecimento, mesmo o mais normal, de nossa vida e da vida dos outros.

Dom Aloísio Cardeal Lorscheider,OFM
Cardeal Arcebispo de Aparecida (1995-2004)
Maria Trono de Sabedoria (Academia Marial)