Introdução

Trabalho apresentado ao Programa de Complementação de Estudos em Teologia (PUC-RJ) como requisito parcial para obtenção do diploma de Bacharel em Teologia. Professor Cesar Augusto Kuzma

Após a leitura do texto de Bruno Forte (Igreja: Ícone da Trindade), responder às questões do trabalho final de Eclesiologia, na seguinte ordem: a) Identificar duas ideias principais para cada um dos capítulos apresentados no texto, justificando as ideias escolhidas e para cada ideia uma média de 10 linhas; b) A partir do texto, aponte a relação da Igreja Povo de Deus e da Igreja comunhão; c) O que o autor quer dizer com “eclesiologia total”? d) O que o autor quer dizer com laicidade da/na Igreja?

a) Texto de Bruno Forte

Capítulo Primeiro

Primeira ideia – Igreja inserida no mundo

A Igreja anterior ao Concílio Vaticano II, acentuava mais à sua dimensão visível e institucional, e dispensava os aspectos cristológicos. Com a crise provocada pela I Guerra Mundial, começa a ser visível um repensar, um desejo novo de interioridade, de ordem espiritual, uma retomada de consciência na liturgia, na vida eucarística, um retorno às fontes bíblicas e patrísticas, e uma redescoberta do papel ativo do laicato. A II Guerra Mundial faz saltar aos olhos a relação Igreja-Mundo, face aos problemas do desenvolvimento e da fome, e na Igreja se redescobre o mistério de sua interioridade em Cristo e no Espírito Santo, emergindo as ideias de Igreja sacramento, Igreja comunhão e Igreja Povo de Deus, enfim, uma Igreja que brota da Trindade.

Segunda ideia – A Igreja vem da Trindade

A chave para compreensão reside na leitura trinitária da Igreja, conforme nos é apresentado no capítulo I da Lumen gentium, apontando que a Igreja vem da Trindade, se estrutura a imagem da Trindade e se dirige para a Trindade, como descrição da história da salvação. Assim a Igreja é sacramento da unidade, que vai da criação à parusia, sendo que sua estrutura sacramental deriva do Cristo pascal, inaugurando na terra o Reino dos céus, do qual a Igreja é presença “in Mysterio”. A Igreja celebra a Eucaristia, corpo de Cristo, onde pelo Filho recebemos o Espírito, que nos leva ao Pai. A Igreja, estruturada sobre o exemplo da Trindade, deve manter distância da uniformidade, que mata a sua originalidade e a riqueza de dons do Espírito, pois a Igreja necessita de contínua purificação e renovação, está “semper reformanda”.

Capítulo Segundo

Primeira ideia – Igreja, Povo de Deus

O Concílio com os frutos colhidos na fonte apresenta o primado da eclesiologia total, onde a Igreja é apresentada como “inter tempora”, vista na totalidade, com ideia de serviço, com foco na unidade, redescobrindo o sacerdócio universal dos batizados, onde todos são chamados à santidade e participam do único sacerdócio de Cristo. Pela ação do Espírito toda a Igreja é disposta ao serviço, onde o binômio hierarquia-laicato é superado pelo binômio “comunidade-carismas e ministérios”, fundamentado na consagração batismal, onde as variedades de dons tem em vista o bem comum. Trata-se de passar de uma eclesiologia piramidal para uma eclesiologia de comunhão, com o primado da dimensão pneumatológica, tendo por parte de todos, tomada de consciência e maturidade para se colocar a serviço de todo o Povo de Deus.

Segunda ideia – Igreja comunhão dos Santos

A Igreja é comunhão dos Santos, ou seja, comunhão no Espírito de Cristo, pois ela provém da Trindade. Como a comunhão leva em si os sinais deste encontro inaudito entre o mundo do Espírito e o mundo dos homens, cabe a Igreja a missão de tornar presente em todo o tempo, diante de toda situação, o encontro do Espírito e da carne, conforme se deu com o Verbo encarnado. A Igreja-comunhão é sacramento, pelo qual o Espírito realiza a unidade dos homens com Deus e entre si, sendo a Eucaristia o “sacramento unitatis” do qual nasce a Igreja, onde todo batizado configurado pelo Espírito ao Cristo Profeta, Sacerdote e Pastor, forma a “comunhão dos santos”, tornando todo cristão um “carismático”, que na fidelidade ao Espírito devem ser corajosos e pacientes entre si.

Terceiro Capítulo

Primeira ideia – Igreja a caminho

A dimensão escatológica impregna e inspira toda a eclesiologia trinitária, onde o dom “já” recebido é antecipação e promessa de um dom maior “ainda não” manifesto, e desta tensão, derivam três consequências para a vida da Igreja. Em primeiro lugar, a Igreja percebe que está a caminho, é povo de Deus em êxodo para a terra prometida; a Igreja é o Reino iniciado, chamada à renovação e a continua purificação. Em segundo lugar, a Igreja em nome de uma meta e esperança maior, se subverte e se torna crítica das realizações de curto alcance deste mundo, pedindo ao povo de Deus vigilância exigente e árdua, cuja meta é o empenho pela justiça e pela paz no hoje do mundo. E, em terceiro lugar, não obstante as provações e contradições do presente, o povo de Deus “já” exulta de esperança, caminhando para a meta, já exultante por sabê-la alcançável.

Segunda ideia – Igreja a caminho da Unidade.

Pois a missão dos batizados é se tornarem na vida aquilo que foram transformados no batismo, ou seja, verdadeiros filhos de Deus. E, nesta tensão entre o “já” e o “ainda não”, que a Igreja está inserida, situa-se a possibilidade e realidade do pecado na Igreja, que é santa na profundidade trinitária do seu mistério, mas também pecadora e necessita de conversão e de transformação ao longo da história. A Igreja há que ser ecumênica, empenhada na superação das divisões, para construir a unidade, desejada pelo Senhor. Unidade, que é dom proveniente do alto, que promove a conversão e santidade de cada batizado. Unidade, na diversidade, onde cada Igreja local sendo mais plenamente Igreja. Desta forma realiza a unidade do gênero humano, pois tudo vem da Trindade e retorna a mesma Trindade.

b) A partir do texto, aponte a relação da Igreja Povo de Deus e da Igreja comunhão:

A relação se dá a partir da volta as fontes, onde se recupera a perspectiva de comunhão da Igreja antiga, apontando que a unidade vem antes da distinção, ou seja, uma Igreja a caminho, na sua totalidade, refulgindo a ideia de serviço, com foco na unidade. Esta é a intenção do Concílio: “mostrar o que é comum a todos os membros do povo de Deus…considerando o plano da dignidade da existência cristã” (Yves Congar). A origem trinitária da Igreja é forma e meta da realidade eclesial, que adota um povo, o povo de Deus peregrino “inter tempora”, entre o tempo de origem e da Pátria, buscando a comunhão, com unidade na variedade católica. Para esta realização o Pai, envia o Filho e o Espírito vivificador, que “congrega toda a Igreja, cada um e todos os crentes. Ele é o princípio da unidade na doutrina dos apóstolos e na comunhão, na fração do pão e nas orações (cf. At 2,42)” (LG 13).

c) O que o autor quer dizer com “eclesiologia total”?

Bruno Forte ao retratar a “eclesiologia total”, quer destacar a compreensão da brusca mudança que sofreu a Igreja, onde agora é vista em sua totalidade, povo de Deus, que são todos os batizados que formam a comunidade dotada de carismas e ministérios. Fazem parte do povo de Deus, os clérigos, leigos e os religiosos, que participam do sacerdócio comum de Cristo, cada um a seu modo, mas exercendo o que lhe é próprio, refulgindo a ideia de serviço. Nessa nova compreensão, uma das grandes novidades é a valorização do leigo no mundo, reconhecendo seu importante lugar na vida de santidade da Igreja, com direitos e deveres. Esta guinada de compreensão resultou numa verdadeira e profunda eclesiologia de comunhão, tendo sempre como fonte, modelo e impulso a Trindade.

d) O que o autor quer dizer com laicidade da/na Igreja?

Bruno Forte quer destacar com o termo laicidade “na Igreja”, o plano das relações intra-eclesiais (reforma interna) e laicidade “da Igreja”, o plano das relações com o secular e nas mediações (diálogo com o mundo). Com este termo, nos propõe o reconhecimento do saeculum e da atuação do leigo, onde a Igreja inteira deve caracterizar-se por este relacionamento positivo. É a Igreja respeitando a autonomia do mundano, onde os batizados são sujeitos em que a dignidade e a responsabilidade que lhes são próprias devem ser reconhecidas e promovidas, ou seja, a laicidade na Igreja leva à tolerância e ao diálogo o qual se funda teologicamente na eclesiologia de comunhão. Assim, a laicidade na Igreja significa liberdade do cristão, primado da consciência e responsabilidade de cada um pela plenitude da verdade. Logo, sem afastar-se da laicidade, a Igreja é chamada a responder aos desafios do diálogo num espaço não caracterizado pela crença, mas que deve estar centrado no valor do humano e na sua dignidade.