Seguindo tradição muito antiga, na oração ave-maria, a Igreja invoca a Virgem Maria com este título: “SANTA MARIA, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores…”. Propriamente, a oração não estava no uso dos cristãos antes do século XIV. Saudada pelo anjo Gabriel “cheia de graça”, Maria é santa mais do que todos os santos, como disse Santo André de Creta (†740): “Ó Santa sobre todos os santos, ó tesouro mais vasto de toda a santidade”. Também, São Jerônimo (†420) deu ao nome a interpretação que seria muito popular na Idade Média: Stella Maris (Estrela do Mar). Entre as numerosas interpretações, parecem aos eruditos as mais prováveis: “amada de Javé”, ou senhora, princesa.

Maria Santíssima era “cheia de graça”. A plenitude da graça, porém, não significa na criatura a posse infinita da santidade como em Deus e em Jesus Cristo. No entanto a santidade de Maria ultrapassa a de Isabel (Lc 1,41), a de Zacarias (Lc 1,67) ou a dos apóstolos (At 2,4) que ficaram repletos do Espírito Santo. Todo santo recebe a medida da graça necessária à sua missão. Nenhuma criatura pode igualar-se à Virgem Maria na sua eleição de ser Mãe de Deus. Por sua eleição elevadíssima, Deus amou Maria mais que todas as outras criaturas. Sua alma foi inundada pela presença de Cristo mais que todas as outras criaturas juntas.

Ser santo é a vocação primeira que Deus Pai chama todos os fiéis cristãos por meio de Cristo: Nele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante d’Ele no amor (Ef 1,4).

Ser santo é a pessoa ou objeto separado para o uso sagrado, diferenciando-se assim do profano. A palavra bíblica kadosh significa aquele ou aquilo que Deus reservou para si. Assim era o Templo, a Arca da Aliança, eram os sacerdotes, os profetas ou os reis que tivessem recebido a unção sagrada que os santificava.

Maria é santa, porque é escolhida do Pai, reservada por Ele para ser a Mãe de seu Filho Unigênito feito homem para nossa salvação. Levando em seu ventre virginal o Filho de quem o anjo disse que será santo e chamado Filho de Deus (Lc 1,35), Maria se tornou a verdadeira Arca de Aliança, o Templo santo onde Deus está realmente presente. Maria recebeu do Espírito de Deus a unção santificadora quando Ele desceu sobre Ela no momento da Encarnação: O Espírito Santo virá sobre Ti, e o poder do Altíssimo vai Te cobrir com sua sombra. Por isso o Filho de Maria, o Santo que nascer, será chamado Filho de Deus (Lc 1,35).

A ação do Espírito Santo transformou intimamente Maria, fazendo-a Mãe sem que ela perdesse o esplendor permanente de sua virgindade intacta, pelo mistério de sua maternidade virginal. Maria é Mãe e Virgem graças a essa efusão do Espírito sobre Ela: o que Nela foi gerado vem do Espírito Santo (Mt 1,20).

Maria é santa porque é cheia de graça (Lc 1,21). Desde o primeiro instante de sua existência, Ela é Imaculada Conceição, concebida e preservada imune de todo pecado na previsão dos méritos de seu Filho, como nos ensina a Santa Igreja. A essa graça de eleição recebida de Deus, Maria correspondeu de modo completo em sua total generosidade, fazendo-se a obediente serva do Senhor (Lc 1,38).

Maria, finalmente, é santa por sua completa e tríplice união com Deus: a) Unida a Ele pela graça santificante que ornava seu interior com a presença divina; b) Unida a Ele pela missão materna em relação ao Filho de Deus que se tornou, feito homem, carne de sua carne e sangue de seu sangue; c) Unida a Deus pela oração assídua, pela meditação interior que a acompanhou em todos os acontecimentos de sua vida (Lc 2,19; 2,51).

Brilhou em Maria o dom maior do Espírito, o carisma mais excelente, a caridade, o amor divino profusamente derramado em seu Coração Imaculado pelo dom do Espírito (Rm 5,5). Esse amor se desdobrou na vida de Maria em todas aquelas características da verdadeira caridade que São Paulo descreve em seu Hino ao amor: paciente, prestativa, delicada, discreta, humilde, casta, desinteressada, mansa, bondosa, justa, verdadeira, que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta (1Cor 13,4-7).

Assim, Maria é o modelo de santidade de cada fiel, modelo de fé e vida interior, de pureza imaculada, de docilidade à ação do Espírito Santo que A associou intimamente ao mistério da salvação realizada por seu Filho Divino, de humildade e generosidade no cumprimento da missão recebida de Deus (Regra de Vida dos Congregados Marianos, nº 17).

Oração pela santidade:

“Ó Santa dos Santos, ó Maria… cheia de graça, socorrei um miserável, que se perdeu. Sei que sois tão cara a Deus, que nada vos nega. Sei também que gostais de empregar vossa grandeza em aliviar os miseráveis pecadores. Eia, pois, mostrai quanto é grande o crédito que tendes junto a Deus…, que de pecador me mude em santo. Assim espero. Amém!” (santo Afonso Maria de Ligório, Glórias de Maria Santíssima, p. 219).

Santa Maria, rogai por nós!

Fonte: “Louvores à Virgem Maria” de Dom Veremundo Toth e “Louvor a Maria” de Dom José Carlos de Lima Vaz,SJ.