Maria, Mãe de Deus é uma invocação que expressa o cerne da escolha misteriosa da jovem Maria de Nazaré, que Deus realizou na perspectiva do plano divino da salvação da humanidade – humanidade perdida pela desobediência e dominada pelo pecado. O próprio Deus, em momentos especiais, nos revelou a divindade de Jesus:

a)  Em seu nascimento milagroso;

b)  Na revelação aos sábios do Oriente que vieram a Belém guiados pela estrela;

c)   Na manifestação celeste por ocasião do seu Batismo por João Batista;

d)  Na transfiguração no alto do Monte Tabor;

e)  Nos milagres que confirmavam seu anúncio ao povo do Reino de Deus;

f)   E, especialmente em sua Ressurreição

A própria profecia messiânica de Isaías 7,14, já antecipava que de uma virgem nasceria uma criança que seria o Emanuel (Deus conosco).

O Concílio de Éfeso

No início do século V, Nestório, patriarca de Constantinopla, agitou com suas pregações a comunidade dos fiéis em todo o Oriente. Ele disse que Maria é simples mulher como qualquer outra e não deve ser chamada de Mãe de Deus, pois a criatura não pode gerar seu Criador. A pregação do patriarca provocou grave escândalo no meio do povo e do clero, suscitando divisões e paixões dentro da Igreja. Naquela grave hora da história da Igreja, o patriarca de Alexandria, São Cirilo, tomou a defesa da fé ortodoxa e, no III Concílio Ecumênico de Éfeso (431), condenou-se o erro de Nestório e o prelado herético foi expulso de sua sede patriarcal. Com grande festa e júbilo popular foi definida a maternidade divina de Maria, que verdadeiramente é Mãe de Deus: Theotokos (genitora de Deus).

A maternidade divina de Maria na Tradição da Igreja

Santo Inácio de Antioquia – Martirizado em 107, escreve aos trallianos: “Fechai os ouvidos às palavras daqueles que vos falam sem confessar Jesus Cristo, descendente de Davi e nascida da Virgem Maria”. Mesmo que não use o termo Mãe de Deus, sua realidade já é objeto da fé implícita: “Anterior ao tempo, nasceu no tempo… O Deus encarnado… verdadeiramente nasceu da Virgem…”.

São Justino (II século) – Ensina em sua Apologética que “o Logos foi gerado… como homem”. O aprofundamento do conhecimento de Jesus Cristo ajudou os teólogos a reconhecer a verdadeira dignidade de Maria.

Santo Hipólito (160-235) – “Cremos, segundo a tradição dos Apóstolos, que o Verbo de Deus desceu do céu na Santa Virgem Maria, para que nela encarnado, …feito homem em tudo, exceto no pecado, salvasse aquele que tinha perecido e alcançasse a imortalidade aos que crêem em seu nome”.

A partir do ano 250, já está consagrado a palavra Theotokos.

São Gregório Nazianzeno (329-390) – Declara categoricamente: “Quem não admite a Mãe de Deus, está separado de Deus”. (Bartmann II, p. 177).

São Cirilo de Alexandria (†444) – “Admiro que haja quem duvide se a Virgem Santa deve ser chamada de Mãe de Deus ou não. Pois, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, como não deve ser a Mãe de Deus, a Virgem Santa, que o deu a luz?

São João Damasceno (675-749) – Explica da seguinte maneira o dogma: “Nós dizemos que Deus nasceu de Maria, não no sentido de que a divindade do Verbo dependia de Maria, mas no sentido de que o Verbo, o qual, fora e antes do tempo, nasceu do Pai, é eterno como o Pai e o Espírito Santo; na plenitude dos tempos viveu no seu seio, para a nossa salvação e sem mudança, tornou carne e nasceu dela. A Virgem não gerou simplesmente um homem, mas um verdadeiro Deus, Deus não sem carne, mas feito carne”.

Nos dias de hoje: 

Maria, Mãe de Deus, se torna de certo modo a Mãe da vida divina em nós. Pelo mistério da Redenção, com o dom da graça divina, todos nós somos regenerados para uma nova vida em que nos tornamos “participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). Essa realidade misteriosa e maravilhosa que vivemos no seio da Igreja foi antecipada em Maria, a Imaculada e Cheia de Graça, e foi Ela o instrumento divino para que o próprio Deus viesse até nós para nos salvar e fizesse de nós seus filhos pela graça.

A vida espiritual do fiel não pode deixar de ter uma marca profundamente mariana. Ela se baseia nessa radical novidade da vida cristã que promana do Batismo e torna o fiel cristão um participante da vida divina. Meditar o mistério da maternidade divina de Maria é fonte inesgotável para o cristão descobrir sua identidade e viver plenamente o dom divino de sua graça.

Santa Mãe de Deus, rogai por nós!

Fonte: “Louvores à Virgem Maria” de Dom Veremundo Toth e “Louvor a Maria” de Dom José Carlos de Lima Vaz,SJ.